Meia brasileiro revela plano ambicioso da MLS e como jogou ao lado de Beckham

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Vítor Gomes Pereira Junior, deixou São Paulo há 5 anos ainda sem ser conhecido pelo público. Apesar do título Paulista Sub-17 conquistado com o tricolor paulista, a sorte foi do Galaxy que apostou em Juninho, e também do volante que apostou na carreira nos EUA.

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Hoje, ainda jovem (25), Juninho sente as mudanças do futebol no país e vive a expectativa de jogar no que promete ser uma das maiores ligas do mundo. Irmão de Ricardo Goulart, já ganhou quatro títulos pelo Galaxy e hoje disputa os Playoffs da MLS em busca do penta do campeonato nacional.

Em entrevista, Juninho conta os bastidores da MLS, fala da experiência de jogar ao lado de Beckham e Donovan e avisa clubes brasileiros: “Temos jogadores de qualidade aqui”. Ele também contou sobre a estrutura do campeonato, jogadores brasileiros que atuam no país e seu futuro. Confira:

Torcedores.com: Conte um pouco sobre o início da sua carreira. Como foi o começo na base do São Paulo e a chegada ao Galaxy alguns anos depois?
Juninho: Eu fiz a base no São Paulo e logo vim para o LA Galaxy. Estou aqui há 5 anos e já conquistamos a liga duas vezes.

Torcedores.com: As pessoas as vezes esquecem que jogador também leva uma vida pessoal paralelo ao futebol. A estrutura do país o atrai, a nível pessoal e profissional?
Juninho: Com certeza, eu e minha família estamos muito felizes aqui em Los Angeles. A qualidade de vida é muito boa e temos todas as condições para estar bem aqui.

Torcedores.com: O que você acha do “soccer” jogado na MLS? A partir desse futebol, os Estados Unidos podem vir a formar grandes jogadores e times para conquistar títulos expressivos?
Juninho: Acho que é uma liga que está crescendo muito e que está tendo bastante sucesso. O investimento na base aqui esta sendo muito grande e imagino que a cada dia que passa, novos jogadores com grandes qualidades vão aparecer por aqui.

Torcedores.com: Seu objetivo é ficar o máximo possível nos Estados Unidos ou ainda quer encerrar a carreira no Brasil? A Europa te atrai?
Juninho: Eu estou feliz aqui, no meu quinto ano. Não tenho pensado e ir para o Brasil. Sobre essas oportunidades de onde jogar, quem cuida disso é meu agente. Estou focado no presente e tentar vencer esses playoffs que estão começando.

Torcedores.com: O crescimento da MLS pode ser um agravante para fazê-lo mudar de ideia, caso queira se transferir?
Juninho: Acho que estou numa boa liga e que está crescendo muito. Fico feliz em poder participar desse crescimento.

Torcedores.com: O fato do americano entender o esporte como “show business” e saber organizar eventos de grande magnitude foi o suficiente até agora para colocar o país em destaque mesmo sem ainda ter alcançado o nível técnico ideal? Isso o atrai?
Juninho: Sim com certeza, mas o nível técnico atual é muito bom também. Temos bons jogadores e cada ano que passa a liga vai ficando melhor e mais competitiva.

Torcedores.com: O Brasil deveria olhar com mais carinho para os EUA e buscar jogadores brasileiros para reforçar seus times? Por exemplo: você, Marcelo Sarvas e Leonardo (LA Galaxy); Gilberto (Toronto FC); Igor Julião e Paulo Nagamura (Sporting Kansas City); Michel (FC Dallas)?
Juninho: Com certeza temos jogadores de qualidade aqui e que vem fazendo boas campanhas pelos seus times.

Torcedores.com: Você considera que Lampard, Villa, Henry, Dempsey e Kaká, nessa nova década da MLS a partir de 2015, possuem uma responsabilidade maior e que são os responsáveis para que a MLS tenha alcance mundial antes que consiga andar com as próprias pernas?
Juninho: Claro que tendo jogadores de renome como esses que você citou é importante para a liga criar um alcance mundial. Eles tem um planejamento e acham que em 5 anos a liga vai ser uma das maiores do mundo.

Torcedores.com: Fale um pouco sobre os treinos. O quão diferente é a parte tática de um treinamento nos EUA em relação ao Brasil, a filosofia dos treinadores e a carga horária?
Juninho: Aqui o físico e muito importante, portanto tem esse ponto que é um pouco diferente do Brasil. Mas no resto, a filosofia é parecida aonde os times jogam no 4-4-2.

Torcedores.com: Após a Copa, saíram alguns comentários na imprensa que a MLS iria seguir o calendário Europeu. Se essa mudança se concretizar, te agrada? Já houve algum comentário entre os jogadores sobre o assunto?
Juninho: Ainda não escutei nada de concreto sobre isso. O que eu sei é que como aqui o inverno é rigoroso, jogar em dezembro, janeiro e fevereiro, em certos lugares, é complicado.

Torcedores.com: Conte um pouco o quanto agregou para a sua carreira ter o privilégio de jogar junto de Beckham, Donovan e Keane. Dentre eles, tem alguém que você se identifique mais ou que represente algum aprendizado para a sua carreira?
Juninho: Com certeza jogar com jogadores desse nível é um privilégio. São grandes jogadores e fico feliz em poder jogar no mesmo time deles. Claro que se aprende muito com cada um, mas o importante é trabalhar duro todo dia para ir melhorando e poder ajudar o Galaxy a conquistar títulos.

Torcedores.com: Muitos profissionais da imprensa que acompanham a MLS o consideram o brasileiro de maior sucesso nos EUA até hoje. Você acha que se tivesse jogado em outro clube do país que não o Galaxy, os comentários seriam os mesmos? Houveram sondagens para um possível retorno ao Brasil durante esse anos?
Juninho: Não posso afirmar isso, mas fico feliz em poder ser considerado o melhor brasileiro na MLS. Estou aqui há 5 anos e venho trabalhando para melhorar a cada dia que passa.

Torcedores.com: A estrutura dos clubes nos EUA é melhor ou pior que no Brasil? As condições de trabalho de maneira geral são mesmo um dos atrativos para jogadores considerarem o mercado americano hoje em dia?
Juninho: Acho que temos vários clubes no Brasil com grandes estruturas. Eu sai da base do São Paulo e, como todos sabem, é muito bom. Aqui estão sendo criadas as mesmas condições para que os jogadores possam desenvolver e melhorar sempre. As condições de trabalho são muito boas e estou muito feliz aqui.

Torcedores.com: Do seu ponto de vista, como foi a procura do americano pelo futebol nos últimos anos? O esporte se estruturou o suficiente para ser atrativo e competir com outras modalidades já tradicionais no país ou foi a comoção em torno da seleção nas duas últimas Copas que fez com que a população consumisse mais o futebol?
Juninho: O futebol vem se estruturando muito bem com construções de estádios novos e centros de treinamentos top. Com isso, a qualidade do jogo vem melhorando, os estádios estão sempre cheios e temos visto um futebol também atraente, principalmente nos playoffs aonde os jogos são muito disputados.

Torcedores.com: Como é a relação com o seu irmão, Ricardo Goulart, à distância? Vocês conversam com frequência? E o Cruzeiro termina bicampeão brasileiro?
Juninho: A relação é muito boa. Estamos sempre nos falando e apoiando um ao outro. Conversamos sempre sim e espero que o Cruzeiro conquiste a Copa do Brasil e o Campeonato Brasileiro.



Jornalista Esportivo formado pelo Mackenzie e pela UCLA com passagem pela Rádio Bandeirantes, fundador do perfil Arquivo do Futebol (@futebolarquivo) e jornalista do MLS Brasil. Escreve para o Torcedores.com desde 2014. Twitter: @paulogcanova