Opinião: Mistério da dupla Gre-Nal antes de clássico atrapalha ambos

Gre-Nal

No final de semana passado, depois de vencer o Vitória, o dirigente gremista Duda Kroeff colocou a primeira lenha na fogueira do clássico Gre-Nal de número 403, que acontece neste domingo, na Arena Grêmio.

Ao afirmar, com toda a segurança, que o tricolor venceria o clássico, o mandatário inflamou o ego de sua torcida. Mas, por outro lado, incentivou a rivalidade com o colorado e tornou os preparativos para o jogo um verdadeiro show de fofocas, picuinhas, esconde-esconde e falatório desenfreado.

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Até mesmo jogadores se envolveram na coisa. Barcos e D’Alessandro comentaram o óbvio, que futebol se resolve no campo, e Abel Braga, mais político, comentou que imagina o que possa vir a acontecer quando a bola rolar (taticamente falando, creio eu), mas se limitou a isso.

Felipão, apesar de não ter dito nada, é um dos personagens do clássico que pode ter debitada em sua conta a responsabilidade se algo sair dos conformes e o jogo virar guerra.

Demonstrando uma obsessão com a vitória, que além de ser importante para a briga pelo G-4, pode quebrar o tabu de mais de dois anos em que o Grêmio está sem vencer o Inter, o treinador expõe para todos, talvez, a sua pior faceta: o de incutir na cabeça de seus jogadores que está em jogo algo mais do que uma partida de futebol, mas sim, uma batalha pela honra, pela glória, enfim, um nacionalismo-clubista bizarro e perigoso.

Ao longo da semana, Scolari não quis passar uma informação sequer sobre o que estaria preparando para o jogo. Nem mesmo coisas que são praxe na cobertura jornalística diária, como a existência de algum lesionado ou algo bobo do tipo, ele não quis expor.

Chegou ao ponto de, neste sábado (08), tampar com lonas e tapumes todos os espaços aberto da Arena Grêmio, para evitar que jornalistas vissem um pedacinho que fosse do gramado, no último treinamento antes da peleja. Depois permitiu que apenas torcedores entrassem no estádio, já com as atividades encerradas, para que mostrassem todo seu apoio aos jogadores.

Entendo que faz parte do show todos esses elementos, mas a linha que separa a legitimidade em esconder um jogo de tal importância, da raiva que a curiosidade represada pode causar, é muito tênue. Para ultrapassá-la basta um gol do Inter amanhã. Ou o time não apresentar um bom futebol. Coisas que podem acontecer, não são nada fora do normal. Mas que se tornariam estopim para crises piores posteriormente.

Grêmio e Inter estão em uma fase delicada no campeonato. Poucos pontos separam os dois na tabela e ambos brigam apenas pals vagas para a Libertadores-15, apesar de o Inter ainda carregar um resquício de sonho pelo título.

Além deles, Atlético-MG, Corinthians, Fluminense e São Paulo concorrem pelo mesmo espaço na tabela e não terão confrontos diretos nessa etapa final da disputa. Já é uma desvatagem e tanto para os gaúchos.

É preciso pensar melhor até que ponto vale esconder tanto assim as coisas. Porque, numa dessas, de tanto esconder, esquece-se como se faz para mostrar. Daí, quando perceberem, já estará tarde demais.

Foto: Getty Images



Tudo o que preciso é um papel e uma caneta. Apaixonado por esportes desde 1900 e bolinha: de futebol, basquete, tênis, rugby...