O fim da Liga dos Campeões nos canais ESPN

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Na última semana, os aficionados por futebol foram surpreendidos com a notícia de que o Esporte Interativo bateu a ESPN e conquistou o direito de transmissão da Liga dos Campeões, o torneio mais cobiçado do planeta, pelas temporadas 2015/2016, 2016/2017 e 2017/2018.

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O Esporte Interativo contou com o apoio do grupo Turner, seu acionista desde o ano passado, para conquistar o direito de transmitir a Liga pelo próximo triênio, desbancando a hegemonia da ESPN, responsável por televisionar o torneio há 20 anos.

A pergunta que não quer calar é a seguinte: Como ficará a transmissão do mais importante campeonato de clubes de futebol do mundo nas próximas três temporadas?

Como é sabido, a ESPN tem um know-how de mais de 20 anos no televisionamento da competição, que hoje conta com a transmissão de seis jogos ao vivo por semana, distribuídos em três canais. Além disso, a ESPN conta com os melhores comentaristas da televisão brasileira, que agregam muito conhecimento durante as partidas.

Outro ponto que torna a ESPN diferente é a transmissão de determinados jogos da Liga in loco, tornando ainda mais emocionante a experiência de assistir a uma partida do torneio.

Portanto, a ESPN é, atualmente, a emissora mais bem preparada para transmitir a Liga no Brasil, bem como qualquer campeonato internacional.

O Esporte Interativo, por sua vez, ainda busca o seu espaço na televisão fechada, tanto que ainda não possui um canal nas principais operadoras de TV a cabo, detendo apenas um canal regional, o Esporte Interativo Nordeste, em parceria com a Turner. Ou seja, a obtenção dos direitos do torneio forçará o Esporte Interativo a negociar com as operadoras, para que possa lançar seu canal em âmbito nacional.

Caso as negociações com as operadoras de televisão fechada não se desenrolem favoravelmente, o Esporte Interativo poderá utilizar o canal Space, de propriedade da Turner e que já transmite a NBA, a liga norte americana de basquete, para transmitir as partidas da Champions League. Ainda, a emissora poderá optar por simplesmente transmitir a Liga pela internet, em razão de também ter conquistado os direitos de transmissão por tal meio, permitindo que as pessoas assistam aos jogos por meio de tablets, celulares e computadores.

Independentemente da solução encontrada pelo Esporte Interativo, os fãs demorarão a se acostumar com a modificação das transmissões das partidas, justamente pelo fato de a ESPN possuir um excelente formato de televisionar os jogos, o que a tornou referência entre as emissoras esportivas de televisão fechada.

Além disso, provavelmente haverá uma redução da exposição televisiva da Liga, pois, enquanto a ESPN possui três canais para transmitir seis jogos ao vivo, o Esporte Interativo, de início, não disporá de tamanha estrutura, o que certamente será sentido pelos aficionados pela Champions League.

Para a ESPN, o baque certamente será grande, pois a competição traz visibilidade, audiência e, consequentemente, retorno financeiro ao canal, que, sem o seu principal evento esportivo, perderá muito em termos econômicos. Possivelmente, a ESPN terá que repensar sua estratégia de mercado nas próximas disputas pelos direitos televisivos, pois, além da Champions League, a emissora perdeu os direitos de transmissão dos campeonatos italiano e alemão para o Fox Sports, o que mostra quão ferrenha está a competição pela transmissão dos principais campeonatos europeus de futebol.

De qualquer forma, torçamos para que o Esporte Interativo, uma emissora nova, porém muito competente, mantenha um padrão de qualidade na transmissão igual ou até mesmo melhor do que a ESPN.



Suposto entendido, analista e comentarista. Porém, simplesmente apaixonado pelo esporte mais popular e fascinante do planeta: o futebol!