Opinião: Inauguração do Allianz Parque precisa ser uma refundação do Palmeiras

19 de novembro de 2014. Esta data precisa ficar marcada de hoje em diante como uma refundação da Sociedade Esportiva Palmeiras. A inauguração do Allianz Parque, novo estádio do clube, é o feito mais importante da história do Verdão desde o anúncio da parceria com a Parmalat, em 1992. Para fazer jus à importância, o futuro próximo precisa ser vencedor também.

Allan Simon
Jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo. Trabalha com esportes desde 2011 e já passou por veículos como R7 (Rede Record), Abril.com, UOL Esporte e Torcedores nas funções de redator, repórter, editor e apresentador de vídeos. Experiências de coberturas em duas Copas, duas Olimpíadas, dois Pans. Atualmente, produz o Blog do Allan Simon, é colunista de Mídia Esportiva do Torcedores e colaborador do UOL.

Crédito: Divulgação/WTorre

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Os últimos 12 anos foram os piores da história do Palmeiras. Justiça seja feita aos jogadores dos anos 1980, que, em outra fase de jejum de títulos e decepções profundas, foram sempre tachados como os piores do mundo, os piores que já vestiram a camisa do Verdão. A última década veio exatamente para provar que, sim, pode haver coisa muito pior.

Os dois rebaixamentos são a principal marca do quanto o Verdão caminhou por vias erradas nesse período. Títulos? Uma Copa do Brasil e um Paulistão. Vexames? Pelo menos dois por ano. Inclua-se aí derrotas épicas, como o 7 a 2 para o Vitória no velho Parque Antárctica, os seis gols sofridos contra o Mirassol no Paulistão 2013, competição na qual o algoz do Verdão acabaria rebaixado. Eliminações incríveis e frustrantes, goleadas.

Teve quase de tudo desde o fim da era Parmalat. As alegrias aconteceram, mas muito restritas. Valdivia virou ídolo após o título do Paulistão de 2008. Deixou de ser ídolo quando voltou a começou a dar problemas com lesões e no próprio comportamento. Voltou a ser ídolo quando passou a jogar bem. Deixou de ser ídolo de novo com outra sequência de desfalques. Enfim, eu poderia ficar o dia inteiro expondo como Valdivia vai, vem, vai, vem, vai e vem na cabeça do torcedor.

O ex-goleiro Marcos é a única figura que deu um pouco de alento ao torcedor desde 2002. Mesmo quando cometia falhas horríveis, bisonhas, sua postura ao aceitar a culpa por maus resultados e ser sincero ao falar dessas falhas fazia com que o torcedor se sentisse representado, como se fosse ele (e era) mais um palmeirense que não podia fazer nada para evitar todo aquele caos.

Hoje, quando o Palmeiras entrar em campo pela primeira vez em uma partida oficial naquela que é sua nova casa, o torcedor não terá mais ninguém ali no gramado em quem se inspirar, se espelhar, não se verá representado. É isso que precisa mudar no Verdão, não agora, mas a partir de agora.

É obrigação da diretoria que for eleita no dia 29 de novembro, seja qual for o vencedor, montar um time seja não apenas competitivo, forte, composto por jogadores jovens e bons mesclados com nomes experientes. É preciso ter um elenco identificado com o sofrimento de uma torcida que há 12 anos é alvo de chacotas e zoações rivais.

O jogador que atuar no Allianz Parque precisa entrar em campo como se fosse ele quem carrega 12 anos nas costas, mas sem que isso atrapalhe suas atuações. Esse atleta tem que usar isso a seu favor, sentir o que é o Palmeiras e ser parte da mudança. Por isso, também precisamos que o treinador esteja nessa mesma sintonia.

Ninguém sabe o que vai acontecer nessa inauguração. Nos tempos antigos, quando o Palmeiras era forte e imponente, talvez não houvesse nenhum torcedor nervoso com o resultado, pois a vitória seria uma certeza. Como foi o 5 a 1 no Internacional de São Paulo no primeiro jogo do Verdão no terreno do Parque Antárctica, em 1917. Como foi o 7 a 0 no Mackenzie na primeira partida como proprietário do local.

Como foi o 6 a 0 no Bangu na inauguração oficial do Stadium Palestra Itália, o primeiro estádio de concreto armado de São Paulo. Com foi o 2 a 0 na Esportiva de Guaratinguetá na estreia do Jardim Suspenso. Esse é o espírito que precisa estar naquele mesmo terreno nesta quarta-feira (19). Esse é espírito que precisa imperar no Palmeiras.

Que seja esse 19 de novembro o início de uma nova era, o segundo aniversário do clube a ser comemorado nos próximos anos. E que o Allianz Parque possa ver surgir o Alviverde imponente, no gramado em que a luta o aguarda. Porque a dureza do prélio não tarda, e isso nós estamos cansados de saber. Que o Palmeiras saiba levar de vencida e mostrar que de fato é campeão.