Opinião: O Galo acreditou! E o Flamengo acreditou demais no Galo…

Passei a última quarta-feira sem esboçar reação quanto ao jogo. Entendi como tranquilidade mas talvez tenha sido premonição. Quando saiu a escalação do Flamengo, discordei de Luxa em dois pontos:

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1) a lesão de Éverton parecia grave demais para ele começar jogando. Mas como meu prognóstico nunca falha em falhar, Éverton foi o responsável pelo gol, em suspiro individual;

2) Samir não podia ser banco. Não pode ser reserva para ninguém desse time. E aqui, meu palpite empata o jogo. A dupla de zaga esteve perdida como nunca antes. Chicão, lento e baixo, e Wallace, sem ritmo de jogo, deram aula de como se posicionar mal e perderam quase todas pelo alto. O bombardeiro já esperado do Atlético surtiu efeito. O miolo de zaga escalado por Luxa foi um convite ao gol de Paulo Victor. De tudo acontecia na área do Flamengo, salvo algumas boas saídas do goleiro.

Mais: Luxa ajudou bastante o Galo com suas mexidas. É o treinador com melhor leitura de jogo que já vi. Costuma enxergar bem as necessidades do time e mudar o jogo ao seu favor, em qualquer momento. Fez e faz isso até nos tempos de vacas magras. Mas o fato é que ontem ele viu algo muito particular. Vai precisar de uns 10 livros e umas 250 palestras para explicar o que inventar Mattheus e Élton. E nem o Rinus Michels iria entender. Na verdade, nem o Bebeto.

Outro ponto que ajudou muito o Atlético é bem óbvio: Levir tem um time muito melhor nas mãos. Isso já havia sido dito antes do confronto começar. E não há como negar que o Galo, ressurgido em 2012, é uma das equipes mais fortes do futebol brasileiro da atualidade.

De qualquer maneira, dentre tantos fatores, o mais crucial foi a mística. Ela apareceu nos olhos dos jogadores do Atlético. A torcida alimentou a aura de ‘acreditar’ e os jogadores levaram a campo. Quando torcedores, jogadores e estádio estão orquestrados, fica difícil segurar.

E o Flamengo sabe bem disso. Quantas vezes a torcida rubro-negra se orgulhou de ter ganho “na camisa”? Quantos atropelos deram títulos e a pecha de “deixou chegar, é campeão”? Quantos jogos o Flamengo venceu times mais fortes na base da “camisa”?

Ontem, foi a vez do Flamengo provar do próprio veneno. Desde que acompanho futebol, entre vitórias e vexames, ouso dizer que foi a primeira vez que eu vi o Flamengo realmente tremer contra um rival. A postura do time em campo era de quem tinha medo, pânico, pavor do “Eu acredito” do Galo.

Era o grande, empurrado pela massa, contra o pequeno, esperando o tiro fatal.

Não foi o fato de ter abdicado do ataque simplesmente. Isso era o óbvio e jogar por uma bola enquanto seu rival ataca desesperadamente, afinal, é jogar também e recorrente no futebol. O problema foi emocional. A bola queimou no pé de todos os jogadores. O tremor era tanto que não teve cera, não teve malandragem. Também não teve troca de três passes e nem a mais básica dura, apertada e eficiente marcação.

O Atlético não ganhou por uma escalação mirabolante de Levir, nem pelas péssimas mexidas de Luxemburgo, nem por ter um time melhor.

O que aconteceu no Mineirão ontem foi o efeito dominó: a torcida do Atlético acreditou no seu time. O time acreditou na virada. O Flamengo acreditou demais no Atlético.

E o Galo se fez de morto para devorar o urubu, assim como fez com o Gavião.

A finalíssima da Copa do Brasil contra o rival Cruzeiro será imperdível.



Carioca, bacharel em Direito e bacharelando em Jornalismo pela FACHA. Não escolheu o jornalismo mas foi escolhido por ele. Sonho profissional: casar com a editoria de esporte e ser amante das páginas de política. Resumidamente, um cronista do cotidiano, comentarista do dia-a-dia e palpiteiro da rotina.