Opinião: Libertadores não resolveria problemas financeiros do Corinthians

Ao obter-se uma vaga para a Taça Libertadores, é natural e óbvio sonhar com o título e trabalhar para conquistá-la. No caso do Corinthians, entretanto, o panorama se distorce. O clube, exemplo de administração entre 2008 e 2012, período no qual levantou todos as taças possíveis, deixou toda essa competência por lá, e, do ano passado para cá, voltou a se comportar como a vala comum do país em gestão de futebol.

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A Arena Corinthians a princípio foi um presente, a realização do sonho da casa própria, mas é preciso pagar. E trata-se de um estádio padrão Fifa, com custos altíssimos. A diretoria corinthiana cobra nos ingressos preços incompatíveis com quem se auto intitula o time do povo, e esse lucro é revertido especialmente para o pagamento da Arena e nada mais. Acontece que, para muitos, o que era uma novidade, deixou de ser, e o público aos poucos diminui, principalmente devido ao fraco desempenho dentro das quatro linhas.

Além disso, o Corinthians não resistiu e fugiu de suas características de “comprador consciente”, aquela que no passado trouxera Ralfs e Paulinhos, ao anunciar Alexandre Pato por absurdos 15 milhões de reais. O resultado em campo não veio, a ponto de o atleta ser trocado pelo são-paulino Jadson. Para piorar, é o Timão quem paga o salário do ex-milanista.

Por falar em bancar atletas alheios, o alvinegro parece ter gostado de tal, digamos, gentileza com os rivais. Emerson Sheik, emprestado ao Botafogo, e, hoje, de férias, é pago pelo Corinthians. Douglas, do Vasco, Élton, do Flamengo, e Ramírez, também do Botafogo, completam a lista.

Para 2015, ficou claro que haverá corte de gastos, o elenco será modesto, e os objetivos serão menores em relação aos últimos anos.

Com ou sem vaga no G-4, a realidade será outra, algo que o Corinthians não está mais habituado.

A Libertadores seria importante por causa do prêmio financeiro dado a quem garante presença nela. No caso corinthiano, o torneio atuaria como um aparelho respiratório para a economia do clube.



Estudante de jornalismo na Universidade Presbiteriana Mackenzie e alucinado por futebol.