Quer separar o Nordeste do Brasil? Veja como o futebol sairia perdendo

A vitória de Dilma Rousseff na eleição presidencial do último domingo fez com que surgissem diversos pedidos de separação do Nordeste, região onde a candidata do PT venceu Aécio Neves com mais 70% dos votos, do resto do Brasil. Mas, caso esses movimentos separatistas fossem levados a sério, como o futebol brasileiro sairia perdendo?

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A primeira resposta é óbvia. O Campeonato Brasileiro perderia três dos seus 20 times: Sport, Bahia e Vitória. Na Série B, o desfalque seria ainda maior. Santa Cruz, Ceará, Sampaio Correa, Náutico, ABC, Icasa e América-RN disputam a divisão de acesso.

Na Copa do Mundo, por exemplo, quatro das 12 cidades-sede são da região. Salvador, conhecida como a sede das goleadas, Recife, Natal e Fortaleza receberam partidas do Mundial e abrilhantaram o torneio.

Outra abordagem poderia ser a seleção brasileira. Promessas como Anderson Talisca, hoje no Benfica, mas criado no Bahia, não poderia defender o time verde e amarelo, e Gabriel, em bom momento no Flamengo e também nascido na Boa Terra. Hulk, nascido na Paraíba, também estaria fora de cogitação.

Na última convocação de Dunga para os amistosos contra Turquia e Áustria, por exemplo, o volante Rômulo, nascido no Piauí, e o meia-atacante Roberto Firmino, de Alagoas, não poderiam ser chamados.

Mas talvez a maior perda seria nos grandes jogadores que nasceram na região, defenderam a seleção brasileira com categoria e se tornaram grandes ídolos do país inteiro e até fora dele.

Dida, nascido em Alagoas, hoje defende o Internacional, mas foi campeão da Copa do Mundo de 2002 e ídolo do Corinthians. O ex-zagueiro Ricardo Rocha, campeão brasileiro pelo São Paulo em 1991 e mundial em 1994.

O pernambucano Rivaldo, ídolo do Palmeiras e da seleção, não poderia ter levantado a taça do Mundial de 2002.

Se formos ainda mais no passado, o grande Santos de Pelé e a seleção campeã em 1970 contaram com o talento do ex-volante Clodoaldo, nascido no Sergipe.

Estes exemplos mostram que o futebol brasileiro ficaria muito mais pobre, no presente, passado e, com certeza no futuro, sem o Nordeste.



Editor senior do Torcedores.com, o jornalista formou-se na Universidade Metodista em 2009 e passou pelas redações do Diário do Grande ABC, Agora SP, UOL e Fox Sports, onde fez a cobertura da Copa do Mundo de 2014. Está no Torcedores desde outubro de 2014.