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O futuro de Brendan Rodgers no comando do Liverpool

Brendan Rodgers, responsável por conduzir o Liverpool na campanha do vice-campeonato da Premier League na temporada passada, passou de treinador do ano na Inglaterra para o rol dos técnicos cujo emprego está ameaçado, especialmente após a derrota dos Reds no clássico contra o Manchester United.

Antonio Andrade
Suposto entendido, analista e comentarista. Porém, simplesmente apaixonado pelo esporte mais popular e fascinante do planeta: o futebol!

Foto: LONDON, ENGLAND - NOVEMBER 23: Brendan Rodgers, manager of Liverpool looks on during the Barclays Premier League match between Crystal Palace and Liverpool at Selhurst Park on November 23, 2014 in London, England. (Photo by Steve Bardens/Getty Images)

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Diante da tonelada de críticas, a pergunta que fica é a seguinte: será que está na hora do Liverpool dispensar o treinador norte-irlandês, e apostar em um novo nome para comandar a equipe?

Brendan Rodgers chegou ao Liverpool credenciado pelo ótimo trabalho no Swansea, quando promoveu o clube da Championship, a segunda divisão inglesa, para a elite do futebol Inglês e, na temporada seguinte, desempenhou um belo papel na Premier League ao terminar na décima primeira colocação, um marco e tanto para um time recém promovido. Além da surpreendente campanha, os Reds ficaram impressionados com o estilo de jogo implantado por Brendan Rodgers no Swansea, que consistia na troca de muitos passes e na manutenção da posse de bola, fazendo com que o norte-irlandês fosse o escolhido para substituir Kenny Dalglish.

A primeira temporada de Rodgers à frente do Liverpool (2012/2013) teve muitos altos e baixos, pois o time se encontrava num estágio embrionário de reestruturação, motivo pelo qual o sétimo lugar na classificação final foi considerado normal e, até certo ponto, esperado pela direção dos Reds.

Se a primeira temporada foi de reestruturação, a segunda foi de afirmação de Rodgers como treinador de ponta e do próprio Liverpool, como um dos concorrentes à conquista do título da Premier League. Com um futebol rápido, envolvente e ofensivo, o Liverpool fez campanha surpreendente e terminou com o vice-campeonato da Premier League. Apesar de o título não ter vindo, o ótimo trabalho de Brendan Rodgers ficou evidente, pois o treinador soube extrair o melhor de cada jogador de sua equipe, em especial do trio ofensivo formado por Suárez, Sterling e Sturridge.

Como o gráfico do trabalho de Rodgers estava numa ascendente, esperava-se que o Liverpool repetisse o desempenho da temporada passada e disputasse com Chelsea e Manchester City o título da Premier League da temporada 2014/2015, mesmo tendo se desfeito de Luis Suárez, seu melhor jogador, vendido ao Barcelona. No entanto, as expectativas não se concretizaram e, infelizmente, o Liverpool da atual temporada está longe daquela equipe que encantou o mundo do futebol com um ataque avassalador.

Atualmente, o Liverpool ocupa o décimo primeiro posto na Premier League, com 21 pontos, frutos de 6 vitórias, 3 empates e 7 derrotas (uma derrota a mais do que na temporada passada inteira). A Champions League, que poderia ser um alento, tornou-se um peso extra para o Liverpool, que foi eliminado na fase de grupos ao terminar em terceiro lugar, atrás de Real Madrid e Basel.

A sequência de resultados negativos, obviamente, recaiu sobre Brendan Rodgers, pois o Liverpool, com o dinheiro da venda de Suárez, contratou diversos jogadores e, até o momento, o treinador norte-irlandês se mostrou incapaz de transformar os Reds numa equipe minimamente competitiva, seja na parte ofensiva, seja na defensiva.

De fato, o trabalho de Brendan Rodgers na atual temporada não é bom, pelo fato dele ter, em primeiro lugar, errado nas contratações. Lallana e Lovren, que vieram do Southampton, são jogadores superestimados e que foram comprados por um preço muito acima do que realmente valem. Ricky Lambert, que também veio do Southampton, é um jogador lento e de pouca mobilidade, cujas características não combinam com o jogo veloz e de muitos passes rápidos que Brendan Rodgers gosta de implantar em suas equipes. Já Balotelli, uma aposta de Rodgers, marcou apenas dois gols em quinze partidas e não vem dando sinais de que voltará a ser aquele atacante dos tempos de Inter e Manchester City, de modo a reforçar o erro que foi sua contratação. No tocante às aquisições de Moreno e Markovic, como os dois são jovens e estão em período de adaptação ao futebol inglês, não é possível cravar que contratá-los foi um equívoco.

Em segundo lugar, o técnico dos Reds avaliou equivocadamente seu elenco, deixando de contratar peças fundamentais para reforçar a tão contestada defesa da temporada 2013/2014, trazendo apenas Lovren para o lugar de Agger, quando, na verdade, o Liverpool precisava de pelo menos dois bons nomes no miolo da zaga. Ainda, Rodgers não trouxe nenhum jogador que pudesse atuar como Luis Suárez, que é um atacante que pode jogar tanto centralizado quanto pelos lados do campo, limitando-se a contratar Balotelli e Lambert, que são de pouca mobilidade.

Em terceiro lugar, Brendan Rodgers insistiu muito tempo no mesmo esquema tático da temporada passada, mesmo não podendo contar com Suárez, negociado, e Sturridge, lesionado desde agosto. Ou seja, em vez de adaptar o esquema aos jogadores, ele tentou adaptar os jogadores ao esquema, o que não surtiu o efeito esperado.

Em quarto lugar, o norte-irlandês teimou em manter na equipe titular jogadores que não vinham rendendo técnica e taticamente, casos de Balotelli, Lambert (em alguns momentos), Lovren e Manquillo, fazendo com que os Reds perdessem pontos importantes.

A combinação dos erros transformou o Liverpool numa equipe incapaz de armar jogadas ofensivas, marcar gols e de se defender com segurança.

Nem tudo, porém, pode ser colocado na conta de Rodgers. Afinal, jogadores que vinham sendo essenciais na temporada passada deixaram de atuar em grande nível, casos de Sterling, Coutinho e Mignolet. Além disso, as lesões de Sturridge prejudicaram os planos ofensivos da equipe, especialmente porque os novos contratados não conseguiram render aquilo que deles se esperava.

Apesar dos erros do norte-irlandês, há luz no fim do túnel. Nas duas últimas partidas (Manchester United e Bournemouth), Rodgers armou o Liverpool num 3 – 4 – 3, que extraiu o melhor dos jogadores de meio campo e ataque, tanto que os Reds finalizaram mais vezes na direção do gol nos dois jogos, o que vinha sendo um problema. Contra o United, em razão de erros de finalização de Sterling e das falhas da defesa, o Liverpool saiu derrotado. Contra o Bournemouth, contudo, os Reds venceram por 3 a 1, classificaram-se à semifinal da Copa da Liga Inglesa e mostraram que a nova formação pode ser a solução para a atual temporada.

Quanto ao futuro de Brendan Rodgers, mesmo diante dos erros cometidos nesta temporada, ele já demonstrou sua capacidade como treinador ao conduzir o Liverpool a um surpreendente vice-campeonato da Premier League na última temporada, por ter sido capaz de encontrar um esquema que realçou as melhores qualidades de seus jogadores. Portanto, o Liverpool deveria manter Rodgers no comando da equipe, para que ele continue conduzindo o plano de reestruturação dos Reds.