Opinião: Por que não falam em acessibilidade nos estádios de futebol?

Um assunto que é pouco tratado dentro do esporte e na mídia esportiva é a falta de acessibilidade nos estádios de futebol. Acompanho há cerca de aproximadamente seis anos, pouquíssimo tempo.

Ronald Capita
Projeto de jornalista. Se alimenta de seus sonhos através de caneta e papel. Com passagens pelo Voz Caiçara. Atualmente é colaborador do Torcedores.com e, quando pode, faz mídias sociais no PSG Brasil. Um amante do futebol de base.

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Tenho 16 anos. Sempre fui um apaixonado por futebol, acompanhava todos os campeonatos que podia e achava interessante. Desde a quarta divisão do futebol paulista à UEFA Champions League ou um Mundial de Clubes da Fifa, por exemplo.

Confesso não ser um frequentador assíduo. Creio que muita gente que ouve de um apaixonado por futebol logo teria em mente a palavra “torcedor de sofá”. Não! Nada disso. Há casos e casos, claro. Acompanho futebol há muito pouco tempo. Já visitei o Nicolau Alayon, Pacaembu e Antônio Soares de Oliveira, o popular Ninho do Corvo, localizado em Guarulhos.

Sou torcedor do Flamengo de Guarulhos. Sofredor, aliás. Acompanho o clube na Copa São Paulo e no Campeonato Paulista da Série A-3, considerada a terceira divisão do futebol paulista. Não sou guarulhense, sou de São Paulo. Vou ao estádio para acompanhar o Flamengo porque meu tio é de Guarulhos e essa paixão pelo clube nasceu por meio de um amigo que sonhava em ser assessor de imprensa do clube, o Marcos Vieira Ribeiro.

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Neste ano acompanhei dois dos três jogos do rubro-negro de Guarulhos na Copinha. Uma vitória e uma derrota. Não nos classificamos ao perder o último jogo para o Atlético-PR, vice-campeão do Campeonato Brasileiro sub-20 em cima do Corinthians. Perder faz parte. É do futebol.

Infelizmente, bato na mesma tecla: ninguém fala de acessibilidade nos estádios. Destaco o Flamengo de Guarulhos pelo fato de, quando vou acompanhar a equipe, ter de enfrentar uma ou duas escadas para subir à arquibancada. Para ir e descer. Ainda correndo o risco de por qualquer descuido que seja cair… Essa, na minha humilde opinião, é a maior perda. Em um dos jogos do Corvo, por exemplo, o atacante Henrique, revelado pelo rubro-negro paulista, esteve nas cabines de imprensa. Gostaria de ter me deslocado até o local para tentar pegar uma palavrinha dele para o Torcedores, mas, pela falta de acesso, infelizmente não consegui.

Pretendo ser um formador de opinião, formar-me em jornalismo. Tive essa oportunidade de escrever ao Torcedores.com mesmo tão jovem. E, desta maneira, praticar o que gosto, o que amo e seguirei daqui uns anos “oficialmente”. A escolha pelo jornalismo veio justamente quando estive internado na AACD, fazendo tratamento para corrigir um entortamento da coluna – que, sem as 15 cirurgias, era um formato de S – teve ligação à falta de acessibilidade. No hospital da instituição acompanhava os jogos decisivos de 2012 no rádio, com Deva e Mário Marra. A partir dali vi que era algo que me traziam emoções. Tanto que, à época mesmo internado, criei um blog e comecei a escrever. Por não poder acompanhar de perto, escrevo, leio. Faço a pergunta: por que ninguém fala em acessibilidade?

Não me baseio em informações. Faço este questionamento por passar na pele quando vou aos estádios de futebol. Não só no Ninho do Corvo, mas também em Pacaembu e Nicolau Alayon. Sou deficiente físico, como podem ver necessito de cadeiras de rodas. A deficiência me impede que eu possa fazer muitas das coisas que gosto – inclusive já perdi o prazer de ir aos estádios, como tinha antes -, mas não me impede de escrever e, acima de tudo, questionar. Afinal, acessibilidade nos estádios de futebol, por que não ter?

Fotos: Arquivo Pessoal/Ronald Capita

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