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Opinião: Campanha do Orlando City não deve ser motivo de preocupação

2 vitórias, 4 derrotas e 2 empates. Esta é a campanha do Orlando City na sua primeira temporada como franquia da Major League Soccer até agora. Ao final da oitava rodada, foram apenas 8 pontos somados dos 24 possíveis, mas a média de apenas um ponto por jogo não deve ser motivo de preocupação para os Leões da Flórida. Entenda:

Paulo Canova
Jornalista Esportivo formado pelo Mackenzie e pela UCLA com passagem pela Rádio Bandeirantes, fundador do perfil Arquivo do Futebol (@futebolarquivo) e jornalista do MLS Brasil. Escreve para o Torcedores.com desde 2014. Twitter: @paulogcanova

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A expectativa foi enorme. A base sólida de torcedores que já acompanhavam o Orlando City na USL (terceira divisão dos Estados Unidos) cresceu e todos abraçaram a ideia de o clube se tornar franquia da MLS. Até a prefeitura da cidade entrou na festa. A parceria público-privada para levantar o novo estádio da equipe, na região central de Orlando, e a total venda dos season-tickets para a temporada 2015 foram os grande assuntos do final de 2014. Sem mencionar a chegada de Kaká, claro. Apesar de as negociações terem sido facilitadas pelo fato de o dono da equipe, Flávio Augusto da Silva, ser brasileiro e também dono da escola de idiomas em que o jogador era garoto propaganda, Kaká é exatamente o que o clube precisava para atender questões comerciais e também técnicas: bonito, excelente jogador, mundialmente conhecido, ex-melhor do mundo e um dos poucos que conquistaram o carisma de torcedores de clubes diferentes no Brasil, ou seja, o símbolo de uma nova era para o Orlando City e, com o crescimento da Major League Soccer, ser o segundo time de todos os brasileiros que a franquia espera ser nos próximos anos.

Apesar de tudo isso e dos altos investimentos para que hoje o Orlando City se tornasse uma realidade dentro da MLS, a equipe não vem desempenhado um bom papel dentro das quatro linhas. A média de um ponto por rodada, porém, não afastou os torcedores do Citrus Bowl (casa provisória da equipe), que mantém a média de público acima dos 30.000 espectadores. A cidade, carente de uma grande equipe e já cansada de torcer para times de outros estados, tem orgulho de vestir a camisa roxa e mesmo que a equipe não e classifique para os playoffs desta temporada, nada vai mudar.

Economicamente é fácil entender o porque da tamanha aprovação do público. O clube se tornou uma nova fonte de receita para a cidade, já tendo organizado uma maratona chamada “Purple Pride 5K” e um desfile de moda para mostrar os uniformes da equipe em evento chamado “Soccer and the City”. Além de bares que agora se mobilizam em dias de jogos, aumentando seu faturamento, e do turismo, que já movimentou muitos hotéis e restaurantes com os mais de 10.000 torcedores que vieram de outros estados para ver uma partida do Orlando City aos finais de semana. Os jogos já são transmitidas para 110 países e narradas em 30 idiomas diferentes, mostrando a força com que a MLS entrou no mercado internacional.

Tecnicamente, porém, Kaká é a esperança de bons resultados em 2015. Mesmo com bons jogadores como os laterais Brek Shea e Rafael Ramos, o goleiro Ricketts e o zagueiro Collin, ainda não é possível enxergar um conjunto dentro de campo, que muitas vezes se perde com facilidade, apelando para jogadas de velocidade do brasileiro e do atacante Molina. Mas nada fora da normalidade. Apesar de ser uma equipe que já existia, diferentemente do New York City que tem meses de vida, mais de 20 jogadores novos chegaram para compor o elenco e disputar a primeira divisão nacional. O clube praticamente renasceu dentro e fora de campo.

O interessante de tudo isso é que os torcedores mais exigentes não precisam entrar em pânico. Apesar dos números ruins até o momento, estando na 15º colocação na classificação geral, o Orlando City está na zona dos playoffs e a frente do também estreante New York City, na Conferência Leste. Com a mesma pontuação, seria o penúltimo colocado na Conferência Oeste.

Mesmo assim, o Orlando City está no caminho certo e não pode desviar a atenção do objetivo principal, que é se consolidar como uma das maiores forças do futebol no país. Caso contrário, de nada terá adiantado tanto trabalho e investimento. Não importa o quão ruim essa temporada seja dentro de campo, o clube precisa manter a saúde financeira, construir o estádio e, mais importante, montar uma equipe. Até porque, o Orlando precisará se esforçar muito para terminar a temporada abaixo de Philadelphia Union e Montreal Impact, últimos colocados da Conferência Oeste. Kaká dificilmente jogará por mais de dois anos na MLS, imaginando que ele queria terminar a carreira no Milan ou no São Paulo, e todo o legado que será deixado pelo meia brasileiro deve ser aproveitado assim como foi com Donovan e Beckham no Galaxy e também com Henry, no NY Red Bulls.

Por mais que o discurso do clube seja que o Orlando City tentará disputar as finais desse ano, o que é possível de acontecer, é preciso manter o foco no principal objetivo de montar uma grande equipe e utilizar da temporada de 2015 para fazer todos os testes necessários, sem medo de errar, já que a classificação para os palyoffs se tornará quase que uma obrigação considerando que New York City tentará o mesmo e que a concorrência do lado Leste é menor.

Crédito da foto: Facebook