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Rubens Barrichello, injustiçado pelo desconhecimento do esporte

Foi quando tinha apenas seis anos de idade que Rubens ganhou seu primeiro kart, fora dado de presente pelo seu avô paterno. O pai é claro, interferiu na “brincadeira”: “Só anda de kart se tirar boas notas na escola”. Foi só começar a competir que a história mudou um pouco, com uma vitória e três pódios nas três primeiras corridas a família logo percebeu que aquilo não seria apenas “brincadeira”.

Murilo Camano Murr
Serranegrense de 26 anos.Diferente da maioria dos escritores,não sou jornalista formado, e sim cientista, detalhe esse que não diminui minha paixão pela escrita automobilística.Apaixonado por esportes à motor desde criança, se há corrida passando na TV, paro pra assistir independente do que tenho pra fazer.F1, F-Indy, Motogp, Stock Car, Formula-E.

Crédito: Fonte: Instagram ru_barrichello

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A trajetória de piloto nunca é fácil e com Rubens não foi diferente, sofreu nas categorias de kart para enfim em 1989 disputar a extinta fórmula Ford. Em 1990 mudou-se para o velho continente para disputar a Fórmula Opel, em 1991 correu de Fórmula 3 Inglesa, em 1992 disputou o campeonato de Fórmula 3000 Europeu, para enfim em 1993 sentar em um carro de Fórmula 1.

Após um teste em Silverstone, tudo aconteceu muito rápido e Rubinho (como ficou conhecido aqui no Brasil) fechou contrato com a equipe Jordan. A meta para a primeira temporada era clara: Chegar aos pontos. Na primeira corrida na África do Sul em Kyalami, em 14 de março de 1993 após se classificar para a 14ª posição, sua Jordan não aguentou e quebrou no meio da corrida, deixando o brasileiro na mão.

O primeiro brilho de Rubinho veio então em Donington Park, debaixo de muita chuva, fazia uma corrida linda, mas há duas voltas do fim, quando vinha na segunda posição sua Jordan, mais uma vez o deixara na mão. Foi uma temporada com muitas quebras, em 16 corridas, foram 8 abandonos por quebras, mas ao menos, o brasileiro conseguiu pontuar no Japão, o objetivo dos pontos na primeira temporada, foi atingido.

Em 1994 o objetivo de Barrichello era conquistar ao menos um pódio, o que ocorreu rapidamente. Na segunda corrida do campeonato, em Aida no GP do pacífico, um terceiro lugar deixou a categoria boquiaberta, o brasileiro era bom. Porém a história mudaria um pouco no próximo GP, em Imola, ainda na sexta-feira, Rubinho teve sua Jordan ejetada por uma zebra e por pouco não parou na arquibancada do autódromo de San Marino, apenas com braço e nariz fraturados, assistiu de casa um dos mais negros finais de semana da F1.

Com a morte de Senna, Rubinho ficou “sozinho” na F1 e uma cobrança natural caiu sobre seus ombros, um país com títulos, vitórias e história na categoria não podia ficar sem vencer, mas ficou (por um bom tempo).  Em 1994 Rubinho fez 19 pontos no campeonato.

A história na Jordan foi bonita, uma pole em SPA no ano de 1994 e um segundo lugar no GP do Canadá. Rubinho enfim se consolidara na categoria, mas ainda nada de vitórias.

Em 1997, Rubinho trocou a Jordan pela Stewart (nomes de grande história na F1), e não fez feio.  Na primeira temporada pela equipe, Rubinho conseguiu um segundo lugar em Mônaco, com um carro que quebrou 14 vezes em 17 provas.

Em 1999 após bela temporada pela Stewart com três pódios, enfim o reconhecimento. Assinara com a Ferrari, para os torcedores brasileiros, conhecidos como as viúvas de Ayrton Senna, ou então os torcedores que só assistem corrida de F1 quando a corrida é no Brasil (algo muito comum até os dias de hoje), vitória e títulos seriam apenas questões de tempo, mas não foi exatamente isso que aconteceu.

Em 2000 a estreia pela Ferrari, boas classificações e presença constante nos pódios, mas o “dono” da equipe, era Schumacher, Rubinho sempre fora bom piloto, mas não tinha tanto poder como o alemão dentro da Scuderia de Maranello.

Em um final de semana muito molhado na Alemanha, após largar em 18º veio enfim, a primeira glória, a primeira vitória, debaixo de uma tempestade, com pneus para pista seca, Barrichello vencia pela primeira vez na categoria, de forma brilhante, sem espaços para qualquer tipo de falsos julgamentos. Na cerimônia do pódio a emoção e o mais legal: Diversas equipes foram assistir o hino brasileiro ser tocado, algo incomum na categoria, prova de quão querido era o brasileiro.

Foram seis duras temporadas na Ferrari, dois vice-campeonatos, nove vitórias, 53 pódios, mas o título não veio. A troca de posições na Áustria rende piadas até hoje, mas na verdade pouca gente sabe o que se passou durante as voltas finais daquele fatídico GP.  Após ser preterido por Schumacher, Rubens se mudou para a Honda em 2006.

Na equipe Nipônica sofreu para se adaptar, mas fez uma primeira temporada com bons resultados, no ano de 2007 com um carro muito mal concebido não pontuou pela primeira vez na carreira, em 2008 ainda com um péssimo carro, debaixo de chuva, chegou ao pódio em Silverstone, os únicos pontos da Honda naqueles dois anos.

Em 2009 após quase se aposentar, Rubens renasceu e teve sua última e real chance de disputar o título da F1, pela Brawn GP. Porém um início de temporada avassalador de Button minou as chances do brasileiro que naquela temporada levou o Brasil a 100ª vitória na categoria com a vitória no GP de Valência e também no GP de Monza.

Em 2010 e 2011 Rubens correu pela Williams, porém a equipe de Groove possuía fracos motores Cosworth e não conseguiria alcançar grandes feitos. Embora não tenha alcançado o título da F1, Rubinho é o piloto que mais disputou corridas pela categoria e possui números mais do que sólidos: Foram 322 largadas, com 11 vitórias, 68 pódios, 14 poles e 17 voltas mais rápidas.

Em 2012 à convite do amigo Tony Kanaan, Rubinho disputou a temporada de F-Indy e como ocorrera na F1, na categoria norte americana o Brasileiro também foi duramente criticado, por falta de vitórias e título, um absurdo a meu ver.

Em 2013 Rubens preferiu dar valor a família e passou a correr apenas em território nacional, na Stock Car. Em 2014 conquistou o título do campeonato de turismo mais famoso do Brasil e hoje além de disputar Stock, também corre no Brasileiro de Marcas.

Hoje Rubens não tem que provar nada pra ninguém, seus números mostram sua capacidade e seu talento, o título na F1 não veio, é comum pilotos serem grandes e não conquistar o título na categoria máxima do automobilismo mundial.

A lista de grandes pilotos que não ganharam o título da F1 é imensa, mas sempre haverá pessoas para criticar. Barrichello disse que aprendeu a lidar com as críticas e que ri de si mesmo, “hoje dou risada, principalmente com as montagens feitas na internet, antigamente ligava, ficava chateado, hoje não mais. Atualmente corro de Stock e posso estar em casa após a corrida no mesmo dia, posso afirmar que longe de todo aquele tumulto de F1 e cobrança, sou uma pessoa bem-sucedida, amo o que faço, estou sempre ao lado da minha família”.

Após ser “zoado”, escorraçado pela mídia e por (pseudo) entendedores do esporte, Rubinho tem uma vida leve, agradável e o mais importante, é feliz.