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Opinião: Assistir, pessoalmente, um debate sobre futebol na TV é MUITO melhor

Assistir a um programa de debates sobre futebol, em casa, nunca vai ser tão legal quanto fazê-lo pessoalmente. Estar ali, vendo a coisa acontecer pessoalmente, toda a estrutura que permite que aconteça e, principalmente, a importância de falar a coisa certa, na hora certa, muda muito a percepção que se tem das coisas. Na última quinta-feira (18), tive essa experiência na TV Bandeirantes, junto com o colaborador Rafael Alaby.

Thiago Jacintho
Tudo o que preciso é um papel e uma caneta. Apaixonado por esportes desde 1900 e bolinha: de futebol, basquete, tênis, rugby...

Crédito: Renata Fan apresenta o Jogo Aberto, na Band. Foto do estúdio do programa. Foto: Rafael Alaby / Torcedores.com

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Entramos na emissora por volta de 12h40 e fomos direto para o estúdio do Jogo Aberto, apresentado pela Renata Fan, com os comentaristas Ulysses Costa, Denílson e Paulo Roberto Martins. Quando chegamos, o programa já estava próximo do fim, então tínhamos que ser rápidos para captar o máximo possível daquele ambiente.

Entretanto, logo de cara, é fácil reparar o quanto os profissionais se esforçam para não deixar o debate moroso, chato. Sim, eles parecem forçar um pouco o tom de voz em suas opiniões, fazem caras, bocas, cruzam os braços, as pernas e etc, tudo para ficar o mais próximo possível de um debate inflamado pela paixão, um pouco irracional até, algo que o futebol costuma fazer.

Por outro lado, o que nem sempre nós, como telespectadores, levamos em conta, é que isso é necessário, sim, pois na televisão, dois aspectos são muito importantes – e priorizados: a imagem e o tempo. Quando digo “imagem”, não é no sentido literal do termo. É no sentido estético e teatral do termo. Entrevistado por nós, Denílson admitiu que se esforça para ficar bem na foto, se fazer notar, porque isso é relevante para estar ali. Nem precisaria declarar tal coisa para vermos como ele e todos os outros fazem isso, precisam disso.

E o tempo é fundamental também por ser o que move tudo e todos em uma emissora. O anunciante, que investe na atração e ajuda a manter a saúde financeira do veículo, tem um tempo determinado para mostrar seu produto ou serviço. O quanto ele desembolsa por isso, custa mais ou menos, de acordo com o tempo que ele terá para se exibir.

É um exemplo concreto do quanto os debates têm de se tornar atrativos e morrerem com relativa rapidez. O jeito utilizado para tal façanha é, deliberadamente, inflamá-lo logo e por qualquer motivo. No período em que ficamos no estúdio, falavam de Neymar, sua atuação apagada contra a Colômbia e a expulsão infantil no final.

Havia um link ao vivo, com um jornalista de Minas Gerais. Tudo o que ele falava, Ulysses Costa reagia com indignação. Quando ele comentou que a “Copa América não valia nada”, Denílson disse, de forma irônica e aparentemente revoltada, que iria “devolver a medalha” que ganhou, quando conquistou a competição, na época em que defendeu a seleção. Os demais membros endossaram o discurso, falando todos ao mesmo tempo, tornando incompreensíveis suas palavras.

Renata Fan, a apresentadora, só observava. À medida em que se aproximava o merchandising de algum produto e o intervalo comercial, ela intervia, apaziguando os ânimos. Na volta dos reclames, novamente um assunto para se debater, que se inflamou e morreu na velocidade necessária para que o tempo do programa não se excedesse e nem acabasse desanimado demais, para passar a bola para Neto e o seu Donos da Bola.

Não duvido que os três comentaristas do Jogo Aberto se posicionem de maneira contundente quando debatem algum assunto. Mas aumentar o tom de voz, demonstrar uma possível irritação a todo o momento, cruzar os braços e parecer o mais rabugento dos seres, não condiz com os sorrisos, abraços e cumprimentos do fim do programa, quando as luzes se apagam e as câmeras se desligam.

Estar ali, pessoalmente, e presenciar como a banda toca, é algo que qualquer apaixonado por futebol, pelas suas particularidades, pela mídia esportiva ou as três coisas ao mesmo tempo, deveria vivenciar um dia. É bom, principalmente, para não levar a ferro e fogo tudo o que é dito nas atrações. Muitas vezes, é apenas o que eles têm que fazer.

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Foto: Rafael Alaby / Torcedores.com