F1 e a morte se reencontram após 21 anos: Morre o piloto francês Jules Bianchi

Piloto francês havia se acidentado no GP de Japão de 2014, e estava sob tratamento médico na cidade de Nice. Com isso, a principal categoria do Automobilismo Mundial volta a ter um piloto morto por conta de uma corrida, depois de 21 anos. A última morte havia sido do brasileiro Ayrton Senna.

Cleyton Santos
Jornalista de 29 anos, com passagens em diversos sites como UOL Esporte, Trivela, Fanáticos por Futebol, Doentes por Futebol e revistas como IstoÉ 2016. Atualmente, é comentarista na Rádio Trianon 740AM SP.

A batalha foi árdua. Após nove meses de tentativas de recuperação, tratamentos… A F1 estava em coma, assim como estava o francês Jules Bianchi, que se chocou em um grave acidente no GP do Japão de 2014, onde ele bateu em um trator. Após meses de expectativa e de notícias desencontradas, o fato que ninguém ouvir aconteceu: O piloto francês Jules Bianchi, de 25 anos de idade, veio a falecer às 21h45 (horário de Brasília) desta sexta-feira, na cidade francesa de Nice.

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Com isso, a Formula 1 volta a encontrar a face da morte após 21 anos. A última vez que um piloto faleceu em uma corrida, foi com o brasileiro Ayrton Senna, após o GP de San Marino, disputado no dia 1º de Maio de 1994.

A família agradeceu ao apoio das pessoas que, desde o acidente de outubro, torciam para que houvesse uma recuperação, mesmo que parcial, do piloto francês. “Jules lutou até o fim, como sempre fez, mas sua batalha terminou”, cita o comunicado pela família do piloto.

Além disso, a família agradeceu aos amigos. Felipe Massa era um dos companheiros de Bianchi na F1. “Gostaríamos de agradecer também aos colegas de Jules, seus amigos, seus fãs e todos aqueles que demonstraram seu afeto durante este período” e termina a nota pedindo “privacidade durante este momento tão difícil, durante o qual tentaremos enfrentar a perda de Jules”.

Um dos maiores talentos do automobilismo francês no século XXI

Jules Bianchi nasceu na cidade francesa de Nice no dia 3 de agosto de 1989, e desde cedo, começou a disputar campeonato de Kart. De acordo com o tempo, várias pessoas passaram a olhar para Bianchi. Uma delas foi Nicolas Todt, filho do atual presidente da FIA, Jean Todt.

Antes de ir para a categoria máxima do Automobilismo Mundial, Bianchi passou por todos os degraus possíveis, conquistando título da Fórmula Renault 2.0 e da Fórmula-3.

Entrou na F1 em 2013, após um acordo entre Ferrari e Marussia e se aproveitando do acordo desfeito entre a equipe e o brasileiro Luiz Razia, que chegou a ser confirmado pela equipe.

Desde sua chegada, Bianchi se mostrava um piloto de talento nato. A maior revelação do automobilismo de monopostos desde Alain Prost, um dos maiores talentos do automobilismo francês, abaixo somente do multi-campeão de rally, Sebastian Loeb.

Com uma série de resultados excepcionais – entre eles, um sensacional 9º lugar no GP de Monaco, os primeiros, e até então, únicos pontos conquistados pela Marussia em sua história – era certo que Bianchi iria para a Ferrari em 2014, muito provavelmente para o lugar do brasileiro e seu amigo Felipe Massa, que iria para a Williams. Mas a vida de Bianchi mudou em Suzuka.

O acidente de Jules Bianchi aconteceu no dia 5 de outubro de 2014, em um chuvoso GP do Japão. Na oportunidade, o piloto, que na época era titular da Marussia, atual Manor, se chocou com um trator que estava retirando o carro de Adrian Sutil, da Force India.

Desde o acidente, houveram muitos questionamentos sobre a segurança dos autódromos, principalmente por conta da entrada destes pequenos tratores, que são rápidos na retirada dos carros, mas propiciam perigo ao piloto.

A Marussia nunca mais se levantou após o acidente de Bianchi e chegou a fechar as portas, sendo comprada pela Manor, ás vesperas da temporada 2015.

Crédito da Foto: Reprodução/Facebook