Opinião: O tênis sobreviverá ao fim da era Federer?

Como fica o tênis sem uma de suas maiores estrelas? O circuito sobreviverá a uma aposentadoria de um dos maiores tenistas de todos os tempos?

Fernanda de Lima
Jornalista | EscritoraHá 10 anos dedicando-se ao meio esportivo, com enfoque em mídias sociais e produções audiovisuais. Autora do site Guia dos Esportes - Conhecendo o mundo através do esporte, especialista de conteúdo da Seconds Entretenimento Esportivo, colunista dos sites Autoracing (F1), repórter e colunista do Portal Rackets (tênis).

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Sem enrolação vamos diretamente à resposta. SIM. O tênis sobreviverá ao fim da era Federer.

Considerado um dos maiores (em números) e melhores (em qualidade) tenistas de todos os tempos, Roger Federer causa comoção quando a palavra “aposentadoria” refere-se a ele. Não bastasse ter dominado o circuito por tantos anos, Federer o dominou como ninguém, com a qualidade e requinte de gala que nenhum outro tenista apresentou com tanta maestria nas últimas décadas.

Não é à toa que falar em aposentadoria do “Leão da Montanha” causa calafrios em fãs pelo mundo todo. Federer joga como quem dança uma música clássica, como quem desliza lentamente pelo salão reluzente. O suíço conduz a raquete como quem tira uma bela moça para dançar. Seus movimentos são lentos, ágeis e suaves numa mesma proporção. Federer coloca a bolinha onde quer, da maneira que quer, enlouquece do outro lado os adversários que o admiram ao invés de odiar. Porque simplesmente não dá pra odiar Roger Federer. Seja por quem ele é dentro de quadra, seja por quem ele é fora dela.

Você lê, assiste, ouve suas entrevistas e pensa “quero ser amiga desse cara”. Não bastasse ser o melhor do mundo, jogar o melhor tênis do planeta, ele ainda é tudo o que um atleta deveria ser. Inspira jovens tenistas, inspira quem ama o esporte. Federer inspira, afinal, elegância e cavalheirismo. Palavras que fazem parte do dicionário do tênis.

Para os que amam o tênis, o esporte, no geral, não tem como não entristecer com a possibilidade de não vê-lo jogar por muito tempo mais. Especialmente porque “Federers” não têm nascido regularmente. Não sequer vemos casos esporádicos de tenistas com o mesmo requinte. Grigor Dimitrov em algum momento talvez tenha se assemelhado, mas nada que tenha dado sequência. O jogo bonito está dando lugar ao jogo explosivo, que privilegia muito mais a força do que a habilidade. Os excepcionais estão envelhecendo, e é melhor aproveitarmos as oportunidades de vê-los enquanto estão em atividade.

Mas voltando à pergunta do título, o tênis sobreviverá à aposentadoria de Roger Federer? À aposentadoria de Novak Djokovic? À aposentadoria de Rafael Nadal? SIM. Porque nem um deles é maior que o próprio tênis. Eles fazem parte, sim, da grandeza do esporte, mas não estão acima dele. Podemos passar por crises e turbulências, mas no final o tênis se reinventa.

Mas não se preocupem, Federistas, aos 33 anos, o “tiozinho” Federer ainda tem muita bolinha pra queimar e, quem sabe, muitos jovens tenistas para ensinar:

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