Palmeiras e Parmalat: a parceria invencível do futebol brasileiro nos anos 1990

A simples tarefa de comprar uma caixa de leite no supermercado certamente marcou a vida de todo palmeirense desde 1992. Há 23 anos, mais precisamente no dia 7 de abril de 1992, o Verdão firmava um acordo inesquecível com a Parmalat. Até hoje o torcedor lembra com alegria e orgulho da marca italiana que fez o Alviverde sair da incômoda fila de quase 17 temporadas sem troféus e colecionar 11 títulos importantes entre o início e o fim da parceria, no dia 31 de dezembro de 2000.

Matheus Martins Fontes
Esportista de hobby, mas jornalista de profissão. Trabalhou como repórter do O Estado de S. Paulo, Revista TÊNIS. Tênis Virtual e CurtaTÊNIS em coberturas nacionais e internacionais de grandes eventos.

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Nos nove anos que Palmeiras e Parmalat deram as mãos, o torcedor palestrino ficou mal acostumado. Mal acostumado com taça atrás de taça, vitórias atrás de vitórias e craques e mais craques adentrando Academia dia após dia. Só para citar: Marcos, Evair, Edmundo, Mazinho, Antônio Carlos, Cléber, Velloso, César Sampaio, Djalminha, Luizão, Edilson, Rivaldo, Zinho, Roberto Carlos, Cafu, Arce, Júnior, Alex, Paulo Nunes, Oseas, Junior Baiano, Roque Junior…

Na década de 1990, não havia cabimento começar qualquer diálogo sobre futebol brasileiro se a palavra Palmeiras não estivesse no contexto. Em 1993, o Verdão saiu da fila conquistando a “tríplice coroa” – o Campeonato Paulista (4 a 0 inesquecíveis sobre o arquirrival Corinthians), o Torneio Rio-São Paulo e o Campeonato Brasileiro. No ano seguinte foi bicampeão estadual e bi nacional, façanha jamais igualada.

A soberania palmeirense no Brasil se consagrou ainda mais no Paulistão de 1996, com o chamado ataque dos 102 gols. Pode se espantar: o Palmeiras foi campeão de forma praticamente invicta em 30 partidas, algo jamais alcançado ou perto disso por qualquer outra equipe.

Em 1997, o Verdão ficou bem próximo de conquistar mais um Brasileirão, mas acabou superado pelo Vasco de Edmundo. No ano seguinte, não houve desculpas: títulos da Copa do Brasil e da Copa Mercosul (em ambas contra o poderoso Cruzeiro).

Em 1999, o time de Luiz Felipe Scolari se sagrou campeão pela primeira vez da Libertadores da América. A festa poderia ficar ainda mais completa se o Alviverde não tivesse perdido para o Manchester United na final do Mundial Interclubes. Apesar do revés, os brasileiros jogaram bem mais do que os ingleses, só que pecaram nas finalizações.

No último ano da parceria, o Palmeiras foi vencedor do Torneio Rio-São Paulo e da Copa dos Campeões. Na Libertadores, o time de Felipão mais uma vez chegou à final mas acabou superado pelo Boca Juniors nos pênaltis.

Entre 1992 e 2000, o Palmeiras jogou 274 partidas no antigo Palestra Itália e venceu 201 (73% de aproveitamento). Nesse período, o clube marcou 672 gols nesse gramado, o que representa uma média de 2,45 por partida.

Números do Palmeiras e do Palestra Itália no período patrocinado pela Parmalat:

Primeiro Jogo: 26/04/1992 = Palmeiras 1×0 Cruzeiro, gol de Paulo Sergio, Campeonato Brasileiro de 1992.

Último Jogo: 20/12/2000 = Palmeiras 3×4 Vasco, final da Copa Mercosul 2000.

Jogos no Palestra: 274
Vitórias: 201
Empates: 46
Derrotas: 27
Gols marcados: 672
Gols sofridos: 236
Saldo de gols: 436

Títulos: Dois Torneios Rio-São Paulo (1993 e 2000), dois Campeonatos Brasileiro (93 e 94), três Campeonatos Paulistas (1993, 1994 e 1996), uma Copa do Brasil (1998), uma Copa Mercosul (1998), uma Copa Libertadores (1999) e uma Copa dos Campeões (2000).

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Fotos: Divulgação/Palmeiras