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Rubens Barrichello: profissionalismo e honra fazem dele um ídolo das pistas

Acompanhava Fórmula 1 com muita frequência quando pequeno. Aos domingos, às 9 da matina, era a hora oficial de estar de pé e ver na televisão mais um Grande Prêmio. Gostava da dinâmica de corrida e as ultrapassagens, que sempre dão mais emoção, até para quem é criança. Arrepia. Na época que comecei a ver as corridas, o brasileiro que tinha em disputa já era Rubens Barrichello, pela extinta equipe Stewart.

Márcio Donizete
Jornalista desde 2012, com passagens pelos jornais ABCD Maior e Diário do Grande ABC, além do canal NET Cidade de TV. Foi repórter colaborador, líder de colaboradores e editor no Torcedores.com. Apresenta o Lente Esportiva ABC em lives no Facebook e Youtube.

Crédito: Crédito da foto: Getty Images/Arquivo

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A inocência da infância fazia a gente acreditar que o piloto pode ir longe e disputaria títulos, até afirmei recentemente em um texto sobre as lágrimas do futebol, quando acreditava que a seleção era invencível e perdeu a Copa do Mundo de 1998. Por isso gostava do Rubinho pilotando e torcia sempre por pódio, o que acontecia algumas vezes na pequena escuderia. Com o passar dos anos, fui crescendo, e a admiração por Barrichello continuou.

Quando foi para a Ferrari, nem se fala. Pena que tinha um mito ao lado como companheiro: Michael Schumacher. Mas lembro daquele GP da Alemanha, em Hockenheim, onde ele venceu pela primeira vez na categoria. Teve até “tema da vitória” na Globo. E o desempenho, sensacional. Saiu de 18º para ganhar em terras germânicas.

Quando Rubens Barrichello foi vice na Brawn GP (depois de sair da Honda), outra esperança, torcia para o título, que era viável, porém alguns deslizes da equipe o atrapalharam e acabou ficando de novo em segundo lugar. Veio a Williams, a saída da F1, depois a Fórmula Indy e por fim a chegada na Stock Car.

Nessa época o brasileiro já tirava sarro dele, como “atrasado”, “eterno vice”, e que era mau piloto. Sempre discordei disso e ficava na minha, evitava polêmicas. A resposta veio em 2014 na Stock Car, quando enfim conseguiu inaugurar sua sala de troféus de campeonatos de corridas. E a Stock hoje tem importância no calendário das corridas no Brasil, é a principal categoria. Mesmo veterano, sabe das pistas e mostrou isso, ganhando até a “Corrida do Milhão”.

Hoje uso ele como exemplo de vida. Ele passou perto da morte em Ímola em 1994, circuito em que Ayrton Senna deixou seu legado na Tamburello. “Meu médico disse que morri por uns seis segundos”. Correu riscos seríssimos. Quando você para para pesquisar sobre a história do competidor, valoriza ainda mais sua honra e trabalho.

Caso o encontrasse um dia para entrevista, perguntaria coisas sobre a carreira mesmo, curiosidades, a chamada “resenha”. Tenho certeza de que ele contaria boas histórias e brindaria o leitor com um material de alta qualidade. Esse é meu ídolo das pistas: Rubens Barrichello.

Crédito da foto: Getty Images/Arquivo

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