Saiba como é o sofrimento para um cadeirante ver futebol nos estádios brasileiros

Costumo escrever sobre a falta de acessibilidade nos estádios de futebol. Penso, gosto e quero dar destaque e contar histórias daqueles que “não tem” voz

Redação Torcedores
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Crédito: Crédito da foto: Arquivo Pessoal/Ronald Capita

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São diversos os problemas que nós, portadores de alguma deficiência – independente de qual seja – passamos.

Quando vou aos jogos do Flamengo de Guarulhos, por exemplo, sempre sofro para subir as escadas em direção à arquibancadas do estádio onde o rubro-negro paulista manda seus jogos, conhecido popularmente como Ninho do Corvo.

Um caso que aconteceu há alguns meses e sempre lembrarei foi quando o atacante Henrique Dourado, artilheiro do Brasileirão de 2014 pelo Palmeiras, visitou o Flamengo de Guarulhos. À ocasião, a equipe disputava a Copa SP daquele mesmo ano. Não pude subir até a cabine, onde o atleta esteve acompanhando a partida e concedendo entrevistas à imprensa local.

Caso conseguisse subir na cabine de imprensa, a minha ideia era conseguir uma declaração, uma única aspa para postar aqui no Torcedores.com. Afinal, nenhuma grande mídia havia noticiado aquilo. Ninguém tinha “dado” tal informação. Eu me recordo que o jogador ainda estava decidindo para onde ia – ainda estava no Verdão. O atleta foi revelado pelo Fla Guarulhos. Infelizmente, para subir para a arquibancada, nem todos ajudam. Às vezes têm alguns policiais que ficam ali próximo, raros são os que ajudam. Em contrapartida, a maioria apenas observa.

É complicado falar sobre este tema. Infelizmente, não é apenas no futebol que não há acessibilidade, muito menos inclusão. Já conheci escolas que não tinham, por exemplo. É algo que, por mais que muita gente não queira ver ou não divulgue/fale, é muito maior do que aquilo que imaginamos. Falo porque passo. Falo porque sinto, na pele, a falta de atenção com relação a este tema e os problemas que isto pode causar.

Hoje em dia eu não vou aos estádios de futebol como antes. Já fui muito, sobretudo aos jogos do rubro-negro de Guarulhos. Podem me chamar à vontade de torcer de sofá, tenho a consciência tranquila com relação a isso. Sei que o problema é muito grande.

Há estádios que, para os portadores de deficiência, sobretudo cadeirantes (o meu caso), o ponto em que o mesmo se localiza não é o ideal para poder acompanhar a partida. Já aconteceu no estádio do Flamengo de Guarulhos de eu ter que estar quase caindo da cadeira de rodas. Tudo isso, claro, para poder ter uma boa visão do jogo.

Sem contar que nem todos são educados a ponto de sair da frente de alguém algum portador de necessidades especiais. Fica ali, na frente, ofuscando a visão do jogo. Em alguns casos eu prefiro até acreditar que, após meu pedido para dar licença, não me ouviram. Porque olha…

Aliás, vale o destaque, no Fla Guarulhos a área destinada para pessoas com deficiência fica EMBAIXO das arquibancadas do estádio. A visão, para o torcedor especial, fica limitada para apenas aquela área.

É difícil. Não há informações ou números que justifiquem esta falta de atenção com relação às pessoas com deficiência na sociedade, especificamente em casos como escola e estádios de futebol.

Seria errado da minha parte falar apenas de lugares específicos, como escola e estádios de futebol, pedindo mudanças neste sentido. A sociedade como um todo precisa mudar.

Apenas lamento a falta de espaço para falar-se disso. Sem espaço e divulgação as chances das coisas mudarem são remotas. Espero que ainda possa me tornar referência neste tema e poder, de fato, usá-lo dentro do jornalismo.

É isso. Enquanto eu estiver a oportunidade seguirei falando deste assunto.

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Crédito da foto: Arquivo Pessoal/Ronald Capita