Libertadores 2016: veja quais brasileiros podem surpreender

Reprodução/ Facebook oficial Copa Libertadores

O destino dos 38 times que disputarão a Libertadores 2016 começará a ser escrito esta noite, com o sorteio dos grupos. Entre os brasileiros, Corinthians e Atlético Mineiro são cabeças-de-chave, com Palmeiras e Grêmio constando no segundo pote do sorteio, conforme determinado através de ranqueamento atualizado pela Conmebol. No pote 4, com as equipes que disputarão a primeira fase do torneio – que antes se convencionava chamar de pré-Libertadores –, está o São Paulo, que passando de fase (e cuja torcida nem imagina que possa ser diferente), pode até configurar um grupo da morte com algum brasileiro – e apenas nessa situação dois times do Brasil cairiam no mesmo grupo nesta fase da competição. Por exemplo, junto com o Corinthians ou o Palmeiras.

Desde que a Libertadores é o que é, sabemos duas coisas: sempre há equipes que chegam chegando e, no final, não passam nem às quartas. E há times pelos quais ninguém dá nada e surpreendem, muitas vezes nadando de braçada até a fase semifinal – ou até a final, como foi o caso dos mexicanos do Tigres na última edição.

Faço aqui uma análise dos brasileiros que considero favoritos a teram boas campanhas nesta edição da Libertadores, começando pelo Corinthians. Todos sabem que a Libertadores continua sendo obsessão para o alvinegro de Itaquera, apesar da ansiedade ser bem diferente daquela de 2012. Mas uma coisa é inquietante nesse sentido: a preocupação maior de Andrés Sanches com a distribuição das cotas de participação. Tudo bem que pode ter feito diferença, afinal a Conmebol já aumentou o “bicho”, mas escutar que o clube poderia até deixar de participar por conta disso, quatro anos atrás, seria impensável. Por outro lado, a venda de alguns dos jogadores que ajudaram o time a ser o campeão brasileiro deste ano é outro fator preocupante. Porque todo time vencedor tem uma base, e a base não se modifica nem se melhora assim, de um dia para o outro, só porque os chineses o os árabes querem brincar de soldadinho. Isso custou demais ao clube em sua participação no ano de 2011 – com a fatídica eliminação para os colombianos do Tolima -, e pode pesar bastante em 2016. Afora isso, é possível vermos o Corinthians como forte candidato e, se não pegar um grupo da morte, certamente deve passar bem para a próxima fase. De 0 a 10? Eu diria que o nível de força do Timão é 7.

Atlético Mineiro. Teve uma boa participação no Brasileirão deste ano, porém não manteve o fôlego. Além disso, fez uma troca de técnico (Levir Culpi saiu no final de novembro) que pode comprometer todo um trabalho. E além disso, não tem nem Jô, nem Bernard, nem Tardelli, nem sequer Ronaldinho Gaúcho que, juntos, conduziram o Galo a uma conquista histórica em 2013. Sinceramente, não acredito que vá muito longe. Nível 5 ou 6.

Grêmio é outro time “copeiro” mas também não conta com grandes estrelas para um torneio como este. Chega com a boa e velha raça gaúcha que sempre coloca em campo, e este deve ser o fator mais favorável ao tricolor gaúcho. Melhora se integrar jogadores decisivos como foram Vargas, Barcos e Marcelo Moreno em 2013. Entre 6 e 7.

Palmeiras pode fazer uma boa competição, se o reforço que fizer na entressafra de compras for pertinente e, principalmente, se não perder jogadores do calibre de Gabriel Jesus, Dudu, Rafael Marques e Matheus Sales. E como anda com saudades da competição e vem com a moral da conquista da Copa do Brasil, é capaz de jogar todas as suas fichas em 2016 por essa conquista. A vantagem do Verdão, em relação às outras equipes nacionais, é que tem um número grande de jogadores à disposição – o que, não necessariamente, quer dizer qualidade de elenco –, então não sofrerá com escassez de jogadores como aconteceu, por exemplo, em 2013. Se não deixar a ansiedade bater e a torcida tiver calma, pode ser 7 ou 8.

Mas de todos os clubes brasileiros que estão nessa edição, eu diria que o São Paulo é o maior candidato pelo momento histórico que vive. Quando digo momento histórico não quero dizer que esteja brilhando, tenha feito boas campanhas este ano ou tenha um ótimo elenco: ao contrário. Só que clubes como o próprio Corinthians e o Palmeiras já mostraram um velho provérbio acontecendo: é na crise que surgem as oportunidades. Ora, o time do Morumbi foi pura crise em 2015: crise institucional, de jogadores, de entrosamento, de resultados, de técnico, até de ídolos. Tomou pancada até dizer chega, inclusive de forma histórica – e o torcedor tricolor entende exatamente o que quero dizer. Para culminar o ano, aposentou seu grande ídolo Ceni, despediu-se de Luis Fabiano e espera por uma boa negociação de Pato, que é carta fora do baralho. E para fechar de vez a conta, teve todo o imbróglio com a história da fita de Ataíde Gil Guerreiro gravando as tentativas de suborno de Aidar. Ainda em dezembro, lamentou o falecimento do ex-presidente Juvenal Juvêncio. O que mais faltava acontecer no Morumbi? Então, seria de se esperar que daqui para a frente é só subida pois, pior do que foi este ano, não deve ser para um time com tanta tradição. Mas não se trata apenas de mudança de fase, por si só. Creio que o primeiro grande passo foi dado quando Leco assumiu a presidência do São Paulo em meio ao diz-que-diz que estava acontecendo. E o segundo passo se deu com a contratação de Edgardo Bauza, renomado campeão de torneios sulamericanos e louco para fazer história no clube. Somada à gana com que o tricolor entra nas competições internacionais, a tradição em participações na Libertadores. O que, por curioso que pareça, pode até fazer com que Corinthians, São Paulo, Grêmio e Palmeiras prefiram evitar o confronto inicial com o tricolor mais do que o contrário. Por tudo isso, algo me diz que o time vai fazer uma grande campanha em 2016, de lavar a alma. Para o SPFC, meu palpite é força 8 ou 9.

Os dados – ou as bolinhas, no caso –, vão rolar. Boa sorte a todos os times brasileiros.

Crédito da foto: Reprodução/ Facebook oficial Copa Libertadores



Redator, professor e compositor. Tive a honra de começar minha jornada no Departamento de Telejornalismo da Bandeirantes, junto a Mauro Beting. Fã dos esportes em equipe, sou um devoto dos torneios internacionais. Acredito que o futebol, como qualquer paixão, tem que ser vivido no coração e na mente. Sem excessos e com bom senso.