Michel Platini e Joseph Blatter são banidos por oito anos do futebol

Crédito da Foto: Getty Images.

A casa caiu para dois dos cartolas mais importantes do futebol mundial. Joseph Blatter, presidente da Fifa, e Michel Platini, principal mandatário da Uefa e ex-jogador da seleção francesa, foram banidos de qualquer envolvimento com atividades relacionadas ao futebol por oito anos. A decisão foi do Conselho de Ética da Fifa.

Neste ano, a procuradoria-geral da Suíça havia acusado Platini de receber, ilegalmente, US$2 milhões (equivalente a, mais ou menos, R$8 milhões) de Blatter. Nenhum dos dois conseguiu explicar a origem do dinheiro ou da transação, gerando enorme desconforto dentro da entidade que comanda o futebol.

Entretando, o Conselho não conseguiu enquadrar Joseph Blatter no artigo 21 do Código de Ética da Fifa, que diz respeito a suborno e corrupção. Mas a carta na manga foi acusar o suíço através do artigo 20 do Código, que se refere a oferta e aceitação de presentes e outros benefícios. Blatter ainda feriu outros três artigos: 19, conflito de interesses; 13, regras gerais de conduto; e 15, lealdade. Platini foi enquadrado nos mesmos artigos do Código de Ética.

“As ações do senhor Blatter não demonstraram compromisso com atitude ética, deixando de respeitar todas as leis e regulamentações aplicáveis. Demonstrou execução abusiva de sua posição como presidente da Fifa”, diz uma nota emitida pela própria Fifa.

O caso foi conduzido por Robert Torres e Vanessa Allard, ambos da câmara de investigação do Comitê de Ética da Fifa. “Sinto por ter sido um saco de pancadas. Sinto muito por ver que toda a equipe da Fifa esteja passando por isso. Ainda assim dou os parabéns, porque o futebol continua, ao Barcelona, que foi campeão do mundo”, disse Blatter, ao saber de sua exclusão.

Porém, Joseph Blatter parece não ter aceitado seu banimento. O cartola disparou contra seus desafetos, dizendo que ninguém pode tirá-lo de seu cargo e que ele pode conturbar as eleições para a presidência da federação em fevereiro. “Fui traído. Ainda sou o presidente da Fifa, mesmo afastado. Só o Congresso da Fifa pode me afastar, não esse Comitê. Eles não têm esse direito. Criamos Comitê para lidar com ética. Mas se eles tentam barrar evidências, cometem uma violação de direitos humanos” declarou o agora ex-presidente da Fifa, que ainda disse que voltará ao posto.

Blatter ainda culpou os EUA pelas grandes investigações e punições a dirigentes que têm ocorrido. “Se os Estados Unidos fossem sede da Copa de 2022, a gente não estaria aqui. Não acho que o Comitê de Ética tenha conexões com os EUA. Afinal, eles não são bons em comunicação, como vimos. Todas as pessoas punidas pelas autoridades americanas são da América do Norte e Sul, da Concacaf e Conmebol. Foram atividades ligadas a suas confederações, ligadas aos direitos de transmissões locais”, acusou o dirigente suíço.

“Claro que eu deveria ter parado depois da Copa do Mundo de 2014. Isso teria sido, talvez, a coisa sensata a fazer. Agora estamos em uma situação que não merecemos estar dentro. Eu vou lutar até o fim”, completou o banido Joseph Blatter, que já havia declarado no começo do ano que iria renunciar ao cargo de presidente.

Crédito da Foto: Getty Images.



Estudante de Jornalismo na Universidade São Judas Tadeu. Amante do futebol, apaixonado por futebol americano e interessado pela antropologia esportiva.