Opinião: Mineirinho vs Medina, uma rivalidade que não deve existir

Com a conquista de Adriano de Souza, o Mineirinho, e com título de Gabriel Medina no ano passado, agora temos dois campeões mundiais de surfe. Em um esporte “dominado” por americanos e australianos, esse feito era algo impensável a algum tempo atrás. Eles nos levaram ao topo do surfe mundial então, por favor, não vamos criar uma rivalidade entre eles.

O Brasil vive o seu auge no mundo do surfe competitivo. Se nos anos 80 participar do circuito mundial já podíamos considerar uma conquista, agora temos dois campeões mundiais de surfe. Tudo deve ser festa para nós brasileiros – foi uma loucura ver o jovem Gabriel Medina se coroar campeão no ano passado; assim como está sendo demais presenciar o veterano Adriano de Souza, o Mineirinho, conquistar o título esse ano.

Então, antes que aconteça aquela “natural” comparação entre os nossos dois campeões, queria lembrar vocês: torcer no surfe é diferente de ser torcedor de futebol.

Parece óbvio, mas para nós que torcemos à la futebol em tudo, temos essa tendência de criarmos rivalidades. E no surfe, um esporte individual que depende da “natureza”, os atletas tendem a olhar a competição com menos afinco. E os surfistas brasileiros, que por muitos anos ficavam de fora do rol dos campeões, se respeitam e ajudam muito um ao outro.

Assim, Medina Surfe Clube ou Time Mineirinho não existem e nunca deverão existir na forma de torcer. Claro que você ter seu atleta preferido, mas aquele espírito de ser anti-fulano é que poderá acabar com a tal Tempestade Brasileira.

Sim, eu sei. Muitas vezes são as questões comerciais que acabam criando esses “mitos”. Mas eles só continuam a vender e produzir esses “produtos” se existe uma demanda de consumidores.

E não pense que sou protecionista ou um defensor da “pureza” do estilo de vida que envolve os adeptos desse esporte. Eu entendo a importância do aspecto comercial envolvido no esporte competitivo. O alerta que busco fazer é para nós mesmos, fãs do esporte.

Devemos preservar nossos campeões, exalta-los, mas não colocarmos eles em rota de colisão.

Mineirinho é tão importante quanto Medina para mantermos nossa hegemonia no esporte antes dominado por americanos e australianos. Também são peças fundamentais para alavancar patrocinadores para novos talentos que viviam sem referências para justificar investimentos – com dois campeões mundiais, podemos retroalimentar esse ciclo que antes era quebrado pela falta de títulos.

Assim, pelo bem do surfe enquanto esporte e esperança de vida para muitos jovens no Brasil, por favor, não vamos criar uma rivalidade entre nossos campeões.

Foto: Reprodução/WSL



Luis Henrique Rolim usa do sarcasmo e da linguagem popular para comer as pizzas do esporte. Futebol, surfe e Jogos Olímpicos são seus sabores favoritos. Ama os gordurosos assuntos extra-campo, e por isso tem colesterol acima da média. Debate ideias, não pessoas.