Opinião: Flamengo não deve se separar de Guerrero

Gilvan de Souza / Flamengo

O futebol é realmente uma caixinha de surpresas. Às vezes nos deparamos com equipes sem nenhum tipo de badalação que surpreendem e conquistam títulos ou pelo menos um lugar de destaque nas competições. Outrora, as mais badaladas decepcionam pelo excesso de otimismo, vaidade e a “maldita” busca da recompensa pelos méritos atingidos.

Ora, o profissional deve, independente das circunstâncias fazer bem o seu papel e no mínimo honrar a camisa que veste. No caso do Flamengo, por exemplo, a lua-de-mel entre o atacante Guerrero e a Nação apaixonada foi como um casamento à base da emoção ou por obrigação de uma gravidez inesperada, enfim, às vezes o tempo é realmente o melhor remédio para o sucesso.

A carência de um homem-gol era nítida e o início de Paolo Guerrero avassalador. O amor era radiante como um domingo de casa cheia no Maracanã. A certeza de que o Caô rubro-negro finalmente acabou também. Foram quatro partidas impressionantes. Três gols, assistências e bandeira em homenagem nas arquibancadas. Mas como uma ejaculação precoce, bastou a queda de rendimento do camisa 9, as contusões e convocações para à Seleção do Peru para o Câo voltar na Gávea.

Assim como em qualquer casamento que deve durar, o ciúme não pode ser o ponto principal. O carinho e o amor deve sempre prevalecer nos momentos complicados. Mas não foi só isso o que aconteceu. Alguns jogadores enciumados, como o capitão Wallace em ver a repercussão positiva do atacante peruano se sentiu incomodado. Resolveram então colocar a boca no trombone e cobrar também a parcela do sucesso e reconhecimento da torcida. O resto da história não só a torcida rubro-negra conhece.

Para quem acompanha a carreira de Guerrero entendia que o jogador é sim diferenciado, muito bom tecnicamente, porém ele jamais foi um grande artilheiro. Sempre dividiu essa responsabilidade. Tem uma média em sua carreira de marcar um gol a cada quase três jogos. É um “cara” de grupo, apenas isso. Se contra os fatos não há argumento, basta ver a carreira do jogador pelos clubes em que passou.

Na Alemanha que o sucesso da carreira ganhou proporções. Pelo Bayern de Munique (principal), o atacante marcou 13 gols em 45 jogos. Já no Hamburgo foram 51 em 183 jogos. Desta forma, o Corinthians apostou no jogador, que para quem não se recorda vivenciou momentos em que era reserva. Mesmo assim marcou 52 gols em 126 jogos, sendo oito em 12 jogos da Libertadores e dois, sendo um que deu o título no Mundial de Clubes da Fifa. No Flamengo realizou 18 jogos e apenas 4 gols.

Mas penso que a torcida entenda que vale manter o casamento e estender essa lua-de-mel, afinal o responsável pela união estável é um cara sério e que com certeza fará o 9 voltar à brilhar, doa a quem doer.

Crédito da foto: Gilvan de Souza / Flamengo



Sou formado em Publ & Prop, jornalismo e rádio. Trabalhei em grandes empresas do ramo de serviços e desde 2003 atuo na área esportiva. Fiz parte da equipe da rádio Record e rádio USP, onde criei, produzi e apresentei 2 programas esportivos. Coordenei o principal programa jornalístico da rádio Estadão ESPN. Atualmente atuo na área comercial.