Opinião: MSN ou a tríplice Fênix do Barcelona

Crédito da foto: Reprodução/Facebook

O Mundial de Clubes da Fifa acabou, o Barcelona sagrou-se tricampeão e Inês é morta – no caso, Inês é argentina e usa vermelho e branco no uniforme. Mas há uma reflexão que eu gostaria de fazer, falando sobre o poderoso trio de ataque catalão: M, S e N – Messi, Suárez e Neymar. Tem a ver com o mito da Fênix, da mitologia grega, em que uma grande ave morre e pega fogo totalmente, ressurgindo posteriormente das próprias cinzas. Vou começar de trás para a frente, para criar maior impacto histórico nesta reflexão.

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Da última vez que Neymar disputou esse título, ainda sob o comando de Muricy Ramalho, viu seu time sangrar quatro vezes e tomar uma lição de futebol que o Santos jamais levara em um torneio internacional. Naquele momento, questionou-se o talento do jovem atacante, totalmente anulado na partida, e muitos chegaram a duvidar de que, com aquele desafio perdido por tamanha goleada, Neymar fosse assim, de fato, esse grande craque. Para alguns, ele tinha um período de validade, ou talvez só tivesse esse talento todo jogando em um time do Brasil. Vários questionaram se, uma vez vendido para o exterior, se adaptaria ao futebol europeu. Pouco tempo depois, passou a ser jogador do Barcelona e, em meio às desconfianças iniciais, até pelo seu estilo de jogo, não teve um início tão bom, mas foi superando as dificuldades e as desconfianças. Hoje, Neymar é imprescindível na equipe e ajuda a dar a identidade atual ao futebol que o Barça joga, trazendo talento, inspiração, arte e genialidade, como no gol que fez em novembro contra o Villarreal, pelo Campeonato Espanhol. A vitória contra o River Plate, com assistências dele, coroa esse merecido momento. Página virada.

Suárez teve uma história diferente. Punido pela Fifa pelo incidente contra a Itália na Copa do Mundo de 2014 – com a tal mordida em Chiellini –, Luisito foi afastado do futebol profissional por vários meses. Foi comprado pelo Barça junto ao Liverpool, porém teve que ficar na geladeira até vencer o período de punição da Fifa. Então o uruguaio foi outro que teve que vencer suspeitas de desempenho – e pior, de caráter e fair play – por parte da torcida e da opinião pública. Aos poucos, foi se firmando na equipe e tomou gosto por fazer gols. Na ausência bimestral de Messi, por contusão que o tirou dos gramados tanto no clube catalão quanto na seleção argentina, Suárez manteve sem dó todo o poderio do ataque culé junto com Neymar, e chegou à final do Mundial de Clubes como artilheiro e recordista, com 5 gols. Outra página virada.

Porém, a história mais emblemática hoje parece ser mesmo a de Lionel Messi. Pelo que parece mostrar a imagem do fotógrafo de uma agência de notícias no momento do primeiro gol (foto esta que viralizou nas redes sociais na Argentina, segundo relata o site esportivo Canchallena, do diário La Nación), Messi faz um gesto para a torcida do River Plate que sugere um pedido de desculpas.

Se isso for verdade mesmo, vamos à possível explicação. Com 12 anos, “La Pulga”, muito mais baixo do que um garoto da sua idade seria (e esta é a razão do seu apelido até hoje), foi fazer um teste no mesmo River Plate que enfrentou neste domingo, e saiu-se bem, fazendo vários gols e dando algumas assistências, já demonstrando a habilidade que tinha através de seus dribles mágicos. Mas houve duas questões, segundo se especulou na imprensa argentina: a primeira era que o clube só contratava jogadores para a sua base a partir dos 13 anos de idade. E a segunda, ainda mais incrível: com seu problema de estatura, Lio teria que fazer um tratamento hormonal a médio ou longo prazo para estimular seu crescimento. Mas a direção do River se recusou a pagar esse tratamento, que tinha o custo de 900 dólares mensais. Uma verdadeira fortuna para um clube do porte dos milionários, não? Por isso, no momento dos cumprimentos e premiação no Estádio Internacional de Yokohama, seria de se esperar que, na hora do aperto de mãos, D´Onofrio, o presidente do River, caísse de joelhos aos pés do craque, pedindo perdão mil vezes. Nem precisamos mais virar essa página, certo? Mas concluindo a reflexão: nada como um momento após o outro.

Crédito da foto: Reprodução/Facebook



Redator, professor e compositor. Tive a honra de começar minha jornada no Departamento de Telejornalismo da Bandeirantes, junto a Mauro Beting. Fã dos esportes em equipe, sou um devoto dos torneios internacionais. Acredito que o futebol, como qualquer paixão, tem que ser vivido no coração e na mente. Sem excessos e com bom senso.