Opinião: Mundo não começou em 2000. Milan e Real são maiores campeões mundiais

corinthians
Getty Images

Não vou cair no papo de quem acha que o Barcelona se tornou neste domingo (20) o maior campeão mundial por ter conquistado três vezes o torneio da Fifa, superando o Corinthians, bicampeão. Os maiores campeões do mundo são Real Madrid e Milan, ambos com quatro títulos. Futebol e mundo não começaram em 2000. Dizer isso é esquecer nomes como Pelé, Zico, Platini, os times gigantes do Santos e do Real nos anos 1960, etc.

O Barcelona é o maior campeão do Mundial de Clubes da Fifa? Verdade. O Barcelona é o maior campeão mundial? Não. Queiram ou não queiram os clubistas, aquilo que existiu entre 1960 e 2004 foi, sim, um Mundial Interclubes. Não havia a presença de clubes de outros continentes além da Europa e da América do Sul, é verdade, mas isso foi fruto do amadurecimento do futebol mundial. Foi muito demorado o processo de inclusão das outras confederações em termos clubísticos.

A primeira Copa do Mundo de seleções, em 1930, não tinha um país sequer da África, Ásia ou Oceania. Isso torna o título do Uruguai “menor” que o da Alemanha em 2014? Não. São dois títulos mundiais e ponto final. “Ah, mas é a mesma competição sempre organizada pela Fifa”. O Mundial de Clubes atual é tão continuação da “Copa Intercontinental” que a edição de 2005 é a maior prova disso.

A “Copa Intercontinental” parou de ser realizada um ano antes, ou seja, não era uma competição à parte. O nome dela era “Copa Toyota”. Sabe qual era o nome do torneio que o São Paulo ganhou em 2005? “FIFA Club World Championship Toyota Cup Japan 2005”. Esse monstrengo quer dizer “Campeonato Mundial de Clubes da Fifa – Copa Toyota Japão 2005”. Ou seja, a JUNÇÃO dos dois torneios. Junção requer unificação, coisa que a Fifa ainda não teve a vergonha na cara de fazer.

O negócio foi tão importante, que subverteu um patrocínio oficial da Fifa. KIA Motors e Hyundai eram as montadoras que detinham as cotas exclusivas para empresas do ramo na Fifa em 2005. Como a Toyota, concorrente de ambas, consegue furar esse contrato? Porque aquele torneio virou uma espécie de sociedade entre Fifa e Toyota. Até bem pouco tempo atrás, ainda era a “Copa do Mundo de Clubes da Fifa – Apresentada por Toyota”. Esse ano a cota virou da tal Alibaba, como vimos no Barcelona x River Plate.

Ou seja, negar o passado é ser clubista. É usar o torneio da Fifa para diminuir as conquistas dos rivais, como fazer por aqui os corintianos e os torcedores do Barcelona. Milan e Real Madrid têm quatro mundiais, o São Paulo tem três, o Santos tem dois, o Flamengo tem um, Grêmio e Inter têm um cada. E o Palmeiras também é campeão mundial, como reconheceu a Fifa, pela Copa Rio de 1951.

Dizer que esses torneios são “fax” é tentar medir o passado usando uma régua do presente. E a pior coisa que pode acontecer é alguém reescrever a história. Todos os brasileiros campeões antes de 2000 gritaram “campeão mundial”. E assim sempre serão.



Editor do Torcedores.com, está no site desde julho de 2014. Repórter e apresentador da TV Torcedores. Formado pela Universidade Metodista de São Paulo, já passou por UOL, Editora Abril e Rede Record. Participou da cobertura da Copa do Mundo de 2014, de dois Pans, dos Jogos Olímpicos de Londres 2012 e do Rio 2016.