Opinião: O dom de criticar e depreciar o que se tem

Este texto começou a ser elaborado antes da luta entre José Aldo e Conor McGregor, no UFC 194, neste sábado. Mas a derrota e as reações nas redes sociais reforçaram o pensamento deste que aqui escreve.

Allan Abi Madi
Colunista do Torcedores.com.

Crédito: Reprodução

Na verdade era uma opinião muito mais voltada para o meio do futebol do que para outro esporte, mesmo sabendo que outros esportes acabam refletindo também no futebol, como a associação de José Aldo ao Flamengo, time do coração do lutador brasileiro.

Após acordar nesta manhã e olhar as redes sociais, eu realmente fiquei com dúvidas de quem era o brasileiro e quem era o “gringo” na noite de ontem. E isto vindo de pessoas comuns, formadores de opiniões e jornalistas conceituados.

Vale lembrar que a pessoa que representava o BRASIL na noite de ontem, era simplesmente um campeão que perdeu uma invencibilidade de longos 10 anos. José Aldo só havia perdido uma vez, em 2005, quando foi finalizado por Luciano Azevedo, no Jungle Fight. O nocaute sofrido diante de Mcgregor foi o primeiro da carreira do brasileiro.

E Aldo, após ter mais de 10 anos com números que impressionam, que deveriam botar o lutador no patamar de ídolo nacional, até pela história difícil de vida, que virou filme e vai para as telas do cinema no próximo ano, nunca teve seu nome tão comentado dentro do seu país, exatamente por sua ÚNICA derrota em todos esses anos.

Ao contrário do que vemos por aqui, a torcida irlandesa trata Conor McGregor, que tem números e histórias bem inferiores ao brasileiro, como um verdadeiro ÍDOLO. A torcida comemorou como uma Copa do Mundo, ou uma medalha olímpica de ouro.

Muitos irão dizer, “eu nem gosto de luta”, mas ontem, na derrota, muitos perderam seu precioso tempo para criticar, depreciar e até zombar de quem os representava. Acho que a questão deveria ir mais além do que gostar ou não do esporte, mas de saber que tinha uma pessoa levando consigo o nome do país. E uma observação. Eu também não curto muito tênis, mas considero Guga um grande ídolo e o venero por isso.

E para terminar o assunto dentro do MMA, a vitória de Aldo no Rio de Janeiro, contra Chad Mendes, quando o brasileiro saiu em disparada para os braços da torcida, um momento épico, caiu rapidamente no esquecimento. Talvez, a reação de algumas pessoas pode ser pelo momento difícil que se vive no país, mas quem os representa de forma digna, não pode ser culpado pelos que o representam de forma indigna, principalmente na política.

Voltando ao texto, o mesmo era relacionado ao futebol e ao dom de “cornetar”. Acompanho futebol no Brasil e no exterior, mas como cubro diariamente o Flamengo, pegarei o mesmo como exemplo, que serve para TODOS os outros times. Com certeza o torcedor adversário, irá identificar na própria torcida alguns exemplos.

Ontem, através do meu Twitter (@allanmadi) usei uma frase que repercutiu bastante. A sensação que eu tenho, é que o Flamengo é um Barcelona que fica em Madrid. Talvez seja confuso em um primeiro momento, mas explicarei.

Tanto os torcedores, como a imprensa catalã fazem questão de defender o Barça antes de qualquer coisa, principalmente em detrimento ao grande rival, Real Madrid. A notícia pode até não ser boa, mas tentam pelo menos minimizar e não dar munição para torcida e imprensa da capital espanhola.

Aqui é o inverso, com exceção, talvez, da torcida e imprensa do Sul do país. Uma notícia “A” de um clube carioca deveria ser metralhada principalmente em outros Estados, mas ninguém tem o dom de aumentar (para pior) o fato como o torcedor do próprio time e também a imprensa local, a qual faço parte.

E até notícias, que não são informadas e nem confirmadas por um clube, são tratadas como “piada” local. E quem leva a culpa? O próprio clube, por mais que em alguns casos, não tenha feito NADA para isso.

Podemos usar como exemplo a própria notícia que reproduzimos por aqui: Flamengo sonda situação de Lavezzi.

A diretoria Rubro-negra não informou sobre qualquer tipo de negociação, não confirmou, ou seja, não fez nada. A informação foi obtida por nós da imprensa diretamente com os representantes do jogador, mesmo assim, vimos várias reclamações voltadas para o clube, que em nada contribuiu com o noticiado.

E mais, não tenho NENHUMA dúvida, que se a MESMA notícia fosse de um clube de outro Estado, esse mesmo torcedor também reclamaria, provavelmente com algo no sentido; “Só o Flamengo que não vai atrás desse tipo de jogador. A diretoria não se mexe, pensamento pequeno etc…..”

Para alguns o que importa não é se a notícia é boa ou ruim, mas sim poder ter o dom de criticar algo, por melhor que seja. Motivos para isso? Deve ser pessoal de cada um.

Para alguns o que importa não é exaltar quem ou o que representa as cores do seu time, do seu Estado, ou do seu país, mas sim poder esperar um simples motivo para poder ter o prazer de depreciar. Motivo desse prazer? Não sei nem se Freud explica.

A sorte que ao mesmo tempo que temos esses tantos, temos outros que pensam diferente, que fazem questão de valorizar o mínimo que se tem e reconhecer algo grande que se tenha.  Para esses, fica minha sincera admiração.

O texto não é “cornetando” quem tem o dom explicitado no título supra, mas apenas para refletirmos.

Se nem tudo são flores, vale mais cultivar as que temos, ou acabar de vez com nosso jardim, que bem cuidado, pode se tornar ainda mais florido?

Foto: Reprodução

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