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Capitã da Ferroviária supera machismo e falta de apoio para brilhar no futebol: “Já pensei em desistir”

Falar em trabalho exclusivamente masculino, ou exclusivamente feminino, parece um pouco antiquado já no mundo que vivemos, não é? E quanto ao futebol?

Rafael Zocco
Colaborador do Torcedores

Crédito: Crédito: Tetê Viviani

Hoje, a modalidade do futebol feminino foi acolhida por parte do público, mas que ainda falta uma grande importância na mídia nacional. Afinal, quem ainda se lembra do título conquistado pela Ferroviária na Libertadores Feminina no final do ano passado? Só Araraquara e quem vive disso é que se recorda.

“O título da Libertadores foi um dos mais importantes para a minha carreira, e também para a história da Ferroviária e para a cidade de Araraquara. Esse título trouxe sim um acolhimento da cidade, sentimos o carinho e o reconhecimento de nossa luta diária , mas não vejo esse reconhecimento a nível nacional”, contou a lateral-direita e capitã da equipe, Daiane, ao Torcedores.com.

Ela pode servir de exemplo. Pensou em desistir do futebol não por conta do machismo, mas pela falta de apoio e incentivo dos que se envolviam apenas e exclusivamente com o futebol masculino. “Já pensei em desistir do futebol muito mais pela falta de apoio do que o machismo. Temos uma estrutura precária ainda e muitos clubes passam dificuldades. Tem jogadoras que tem que trabalhar para se sustentarem. Essa é a verdadeira realidade do futebol feminino. Falta muito para melhorar, mas estamos evoluindo”.

Camisa 2 converteu pênalti contra o Santos que garantiu a classificação para a proxima fase do Brasileirão Feminino - Crédito: Tetê Viviani

Camisa 2 converteu pênalti contra o Santos que garantiu a classificação para a proxima fase do Brasileirão Feminino – Crédito: Tetê Viviani

Apesar da crescente, Daiane comemora o fato da mulher conseguir ser hoje um grande fato no futebol trazido por Charles Miller. “Preconceito com a mulher existe em todas as áreas, mas no futebol acredito que seja maior. Isso melhorou de uns anos pra cá e estamos conquistando nosso espaço. Temos muito a evoluir ainda. As melhorias já estão acontecendo e creio que o preconceito possa diminuir também”.

E é neste sentido de evolução que a experiente Guerreira tenta passar para as mais novas que estão começando no time, comandado pelo treinador Leonardo Mendes. Hoje, Daiane é um referência no time campeão continental. “Tenho o carinho e o respeito das mais novas, aprendo muito com elas também. A nossa relação é de confiança e sempre que possível procuro ajudar e passar um pouco da minha experiência para todas elas”, revela a capitã.

Apesar do Dia Internacional da Mulher, a data exclusiva não a ilude e todo dia tem que ser representado ao sexo feminino. “Este dia representa uma data de conquista, de superação. Mas, para mim, todo dia é dia da mulher. A cada dia que passa conquistamos mais nosso espaço”.

Agora, o foco de Daiane e das Guerreiras Grenás é o Campeonato Brasileiro. O time se classificou para a segunda fase da competição e volta a campo no próximo dia 22, contra o Rio Preto, em São José do Rio Preto. Completam o grupo São Francisco (BA) e Foz Cataratas (PR).