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Cruyff e Romário: duas personalidades fortes e muitos atritos

Johan Cruyff, lendário jogador da Holanda, faleceu nesta quinta-feira (24) aos 68 anos vítima de câncer no pulmão. Além de ter sido um dos maiores atletas de todos os tempos, foi também treinador e comandou Romário no Barcelona entre 1993 e 1995, em uma relação que gerou histórias curiosas.

Redação Torcedores
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Crédito: Crédito da foto: Reprodução/site oficial do Barcelona

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Talvez a mais bizarra delas – embora seus fatos possam ter sido distorcidos por Cruyff para torná-la mais caricata – entre Cruyff e Romário tenha envolvido carnaval e Real Madrid.

Conhecido por gostar do carnaval do Rio de Janeiro, o Baixinho perguntou a Cruyff se poderia faltar aos treinos para curtir a festa no Brasil. Cruyff respondeu com um desafio. “Eu disse a ele que se marcasse dois gols no jogo do dia seguinte dar-lhe-ia dois dias de folga a mais do que o resto da equipe. No partida seguinte ele marcou o seu segundo gol aos 20 minutos do primeiro tempo e já pediu para sair e disse: ‘treinador, meu avião sai em menos de uma hora'”, disse o holandês em entrevista à revista do jornal francês L’Equipe em 2012.

A outra versão dessa história diz que o adversário dessa ocasião era o Real Madrid e que o pedido de Romário aconteceu em janeiro de 1994, um mês antes do carnaval. Cruyff teria dito a Romário que lhe daria folgas correspondente ao número de gols que marcasse no clássico. O Barcelona goleou o Real Madrid por 5 a 0 no Camp Nou com três gols de Romário – aos 24 minutos do primeiro tempo e depois aos 11 e aos 36 da segunda etapa. Romário se sagraria artilheiro do Barcelona na temporada que lhe garantiu o título do Campeonato Espanhol, com 34 gols em 40 jogos.

O estilo disciplinado de Cruyff enquanto treinador contrastava com o de Romário. O atacante normalmente chegava atrasado aos treinos e recebia uma multa de 50 dólares a cada dez minutos de atraso. Antes da Copa de 1994, Romário falou sobre isso à revista Veja. “Não tem problema, vou ganhar a Copa do Mundo e com o dinheiro pago essas multas”.

Após vencer a Copa do Mundo de 1994 como havia previsto, o Baixinho decidiu estender suas férias no Brasil por 20 dias, fato que irritou o treinador do Barcelona. “O problema não é ele chegar dois ou 20 dias depois. O problema é ele não ter chegado na data estabelecida”, disse em coletiva de imprensa. “Nossa atitude com os jogadores não é nova. Não damos preferências para ou ou para outro. Todos são iguais”, concluiu o holandês.

A personalidade forte de Cruyff e Romário gerava atritos constantes entre os dois. Mauro Silva, antigo jogador do Deportivo La Coruña, falou sobre duas dessas situações no livro “Os 11 Maiores Centroavantes do Futebol Brasileiro”, de Milton Leite. A primeira ocorreu quando Cruyff pediu a um assistente para chamar Romário à sua sala. A resposta de Romário? “Fala para ele que quando quiser falar comigo, sabe onde me encontrar”.

Já a segunda aconteceu durante um treinamento. Cruyff viu Romário chutar de bico e disse “você está fazendo errado, é assim que se faz” e tomou a bola do Baixinho. Chutou com o peito do pé e a bola foi parar no ângulo. Romário não se impressionou. “Assim eu não sei, mas faço desse jeito”. Chutou novamente com o bico da chuteira e a bola foi ao ângulo.

De qualquer das formas, a admiração de Cruyff por Romário era inegável, tanto que batizou o brasileiro de “gênio da grande área”. “O melhor jogador que treinei? Romário. Você podia esperar qualquer coisa dele. A sua técnica era extraordinária. Ele marcava gols de todas as maneiras possíveis. Curiosamente, a maioria era de bico”, disse Cruyff ao jornal catalão Mundo Deportivo.

Em sua página oficial no Facebook, Romário mostrou que o respeito entre os dois era mútuo e prestou homenagem ao seu ex-treinador. Confira abaixo:

Acordamos com a triste notícia da morte do meu amigo holandês Johan Cruyff. Tive o privilégio de tê-lo como treinador…

Publicado por Romário Faria em Quinta, 24 de março de 2016

Crédito da foto: Reprodução/site oficial do Barcelona