Em 1998, Bauza causou “problemas” ao Santos

Crédito da foto: Divulgação/Rubens Chiri/saopaulofc.net

No longínquo ano de 1998, Santos e Rosário Central decidiram o título da extinta Copa Conmebol em dois jogos que beiraram uma guerra. E havia um personagem daquela época que volta a Vila Belmiro nesse domingo de Páscoa, Edgardo Bauza. Ele era o treinador do Rosário Central naquele ano e causou muitos problemas ao Santos nos dois jogos da decisão segundo relatou O jornal A Gazeta Esportiva e relembrada pelo site Gazeta Esportiva.

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Segundo publicação do jornal da época, o Rosário se destacava pela forte marcação, obediência tática e aposta em contra-ataques mas no jogo realizado na Vila Belmiro a faceta mostrada foi outra, a da catimba, provocação e violência. Foram 3 jogadores expulsos pela equipe azul e amarela. E mais dois pela equipe santista. O atacante Scotto foi o primeiro após agredir o goleiro Zetti e se desentender com o atacante Viola que também recebeu o cartão vermelho, tudo no início do primeiro tempo. Logo depois, em escanteio cobrado por Anderson, Claudomiro cabeceou e marcou o único gol do jogo dando vantagem para o alvinegro. Ainda na primeira etapa, mais um jogador foi expulso: Jean do Santos, em falta que foi cometida por Narciso. O árbitro uruguaio José Luís Rosa começava a perder o controle da partida. No intervalo uma grande confusão envolveu dirigentes santistas que foram para cima pressionar o juiz. Antes do reinício da partida, o treinador do time alvinegro Emerson Leão saiu de três policiais e colocou o dedo no rosto do juiz uruguaio. Expulso de campo, o técnico brasileiro foi para as tribunas e viu o time argentino fazer um imenso antijogo que os comandados de Bauza colocaram em prática. No começo do segundo tempo Carracedo foi expulso por falta violenta em Claudomiro. Pouco tempo depois, Cappelletti cometeu pênalti em Athirson que Narciso cobrou e desperdiçou. O último expulso Montoya aos 38 minutos, mas o Santos não aproveitar e modificar o placar. Quando terminou a partida, Leão criticou muito o modo como o Rosário Central se comportou em campo. “É difícil enfrentar os argentinos e um uruguaio na arbitragem. Éramos para ter vencido por 6 a 0, no mínimo. Tudo bem, vamos para lá para ganhar. Não vamos afinar de jeito nenhum, se querem praticar o antijogo, vamos praticar”.

Devido a essa declaração de Emerson Leão, o clima para o jogo de volta se aflorou ainda mais. A torcida local se inflamou. Bauza fez mudanças na mentalidade do time e adotou táticas semelhantes às que coloca hoje em dia no São Paulo, “marcando a saída de bola santista” e “forçando o jogo pelas pontas”. “Temos de ter a iniciativa do jogo, mas sem dar espaços. O time tem de ter inteligência”, dizia Patón, antes do jogo do dia 21 de outubro de 1998.

Leão havia sofrido punição de seis jogos de suspensão por agredir o juiz na Vila Belmiro e quis proteger os santistas da hostilidade de Rosário e só viajou na véspera da partida para a cidade de Rosário. O treinador também cancelou o reconhecimento do estádio Gigante de Arroyito para evitar uma possível violência da torcida local. Mesmo com todos os cuidados a grande final foi uma “verdadeira guerra”. “Posso dizer que pela primeira vez entrei num estádio debaixo de tiros”, disse Zetti na época.

Foram atiradas bombas caseiras feitas com sabugo de milho contra o ônibus da delegação santista. Emerson Leão foi o principal alvo da revolta argentina, mas quem sofreu mais foi o preparador físico Walmir Cruz atingido por um porta-guardanapos no ombro esquerdo, que provocou um corte de aproximadamente 10 centímetros e o roupeiro Jairo, agredido por um torcedor com um pontapé nas costas. A confusão só teve fim quando policiais atiraram para o alto e conseguiram dispersar os torcedores violentos. “Nossos jogadores não tinham condições de jogar. Corremos sérios riscos de vida”, afirmou Leão antes da partida que os dirigentes santistas tentaram cancelar junto a organização mas foram convencidos de que essa atitude provocaria uma confusão ainda maior.

Já com a bola rolando, o Santos se assustou e só finalizou uma vez, aos 11 minutos do primeiro tempo. Patón também estava bastante nervoso no banco de reservas do Rosário Central e fumava um cigarro atrás do outro enquanto passava ordens aos seus jogadores. Os jogadores Daniele, pelo Rosário, e Eduardo Marques, pelo Santos, foram expulsos. Zetti foi o melhor em campo fazendo três grandes defesas que salvaram a equipe brasileira. E com vários chutões para tudo que é lado, os alvinegros seguraram o placar de  0 a 0 que garantiu uma taça internacional após 29 anos de tabu.

E agora depois de quase 18 anos, Bauza e Santos de reencontram. Não é final de competição mas é um clássico que vale muito para o São Paulo, atual equipe do Patón, e só a vitória interessa. Chance de causar mais problemas para o Santos.