OPINIÃO – Entenda a substituição do Uruguai que anulou o Brasil

OPINIÃO - Entenda a substituição do Uruguai que anulou o Brasil
Foto: Rafael Ribeiro / CBF

A partida entre Brasil e Uruguai, na última sexta-feira (25), mostrou o despreparo que o treinador Dunga tem em lidar com mudanças. A seleção brasileira sofreu com extremos e segue sem vencer as equipes fortes nas Eliminatórias. De um primeiro tempo quase perfeito para um segundo tempo pífio.

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Dunga montou um time bem veloz em seu campo de ataque, com Douglas Costa e William abertos pelos lados, e Neymar girando na entrada da área (como um falso 9). Renato Augusto e Fernandinho foram fundamentais para que o esquema funcionasse, pois ambos chegavam como “surpresa” dentro da área.

No primeiro gol da seleção (com apenas 40 segundos), Fernandinho e Renato Augusto chegaram dentro da área, com expectativa para finalizar a jogada. A bola passou por ambos, mas Douglas Costa fez o gol. E claro que também existiu uma falha de marcação uruguaia. O zagueiro Coates precisou cobrir Álvaro Pereira na lateral esquerda e deixou espaços dentro da área.

Foto: Reprodução / Rede Globo
Foto: Reprodução / Rede Globo

No segundo gol do Brasil, os jogadores ficaram trocando passe por muito tempo. Mas com a movimentação do trio ofensivo, novamente Renato Augusto e Fernandinho ficaram “responsáveis” pela conclusão da jogada. Na imagem a seguir, vemos Neymar fazendo o passe, William e Douglas Costa fora da área e os meias Renato Augusto e Fernandinho, circulados, dentro da área.

Foto: Reprodução / Rede Globo
Foto: Reprodução / Rede Globo

Mas por que o Brasil teve tanto domínio na primeira etapa e foi totalmente dominado no segundo tempo?

No primeiro tempo, o Uruguai começou com duas linhas de quatro jogadores e deixou um buraco entre os zagueiros e meias, onde Neymar tinha total liberdade de movimentação. E por esses espaços, Renato Augusto e Fernandinho se infiltravam na área. A marcação uruguaia não encaixou. Veja na imagem a seguir:

Imagem: TacticalPad
Imagem: TacticalPad

No segundo tempo, o treinador uruguaio Óscar Tabárez fez uma simples substituição. Tirou Cristian Rodriguez e colocou Álvaro Gonzalez. Saiu do 4-4-2 e foi para o 4-1-4-1. A mudança também passou por Cavani e Sánchez. Eles tiveram mais responsabilidades de recomposição defensiva e de aproximação ao atacante Suárez.

Essa mudança travou a movimentação de Neymar, agora marcado por Arévalo Rios, e as investidas de Fernandinho e Renato Augusto.

Imagem: TacticalPad
Imagem: TacticalPad

Aí que entra a incapacidade e falta de visão do treinador Dunga. O segundo gol uruguaio saiu com menos de 5 minutos do segundo tempo e a virada poderia ter saído em qualquer momento, uma vez que o Uruguai era totalmente superior ao Brasil na segunda etapa.

Dunga tem muitas dificuldades de enxergar a partida, e sofre quando precisa tirar o Brasil do comodismo. E a seleção segue devendo nas Eliminatórias. A equipe de Dunga tem apenas duas vitórias, contra Peru (8ª) e Venezuela (10ª), ambas em casa.

A falta de jogadores não é mais desculpa. Neymar, Coutinho, William, Douglas Costa, Jonas, Daniel Alves, Lucas Lima e tantos outros são destaques em seus times. São poucas seleções no mundo que têm tantos talentos como o Brasil. Uma frase do lendário Johan Cruyff explica o por quê de vários bons jogadores não formarem uma equipe. “Escolha o melhor jogador para cada posição e você não terá a melhor equipe, apenas 11 bons de cada uma.” O futebol não é um esporte para encontrar os melhores jogadores, e sim, um esporte para encontrar os melhores times. E sem variação tática, sem mudanças para surpreender o adversário, sem controle emocional e sem poder alcançar o máximo de seus jogadores, você não conseguirá ser uma das melhores equipes. E com Dunga, o Brasil está longe de ser uma das melhores equipes.