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Paulistão: e se seu time fosse um artista do Lollapalooza Brasil, quem seria? Veja analogias

O Lollapalooza 2016 chegou em mais uma edição em São Paulo neste fim de semana (12 e 13) repleto de atrações dos mais variados gostos musicais: do rock ao reggae, do indie à eletrônica, até funk deu as caras no Autódromo de Interlagos, como a aparição surpresa de MC Bin Laden, com o hit “Tá Tranquilo, Tá Favorável”, durante a apresentação do duo Jack Ü.

Márcio Donizete
Jornalista desde 2012, com passagens pelos jornais ABCD Maior e Diário do Grande ABC, além do canal NET Cidade de TV. Foi repórter colaborador, líder de colaboradores e editor no Torcedores.com. Apresenta o Lente Esportiva ABC em lives no Facebook e Youtube.

Crédito: Crédito da foto: Márcio Donizete/Torcedores.com

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Assim como em 2015, alguns artistas do festival mostraram semelhanças com o futebol, mostrando que Lolla e bola podem, sim, andar juntos. O evento acabou no domingo, mas o Torcedores.com ainda está no clima musical e produziu analogias entre o momento de alguns clubes que disputam o Paulistão com o panorama atual de músicos que agitaram mais de 160 mil pessoas nas curvas de Interlagos. Confira abaixo:

1) Ferroviária – Jack Ü 

O duo formado por Diplo e Skrillex abalou as estruturas do conceituado autódromo paulistano, colocando o público em êxtase total na “pista” do Palco Ônix com músicas que estão no gosto popular das pessoas. Fizeram bem a lição de casa, estudaram a música brasileira e até levaram hits remixados de Wesley Safadão e MC João (famoso por “Baile de Favela”). porém, o ponto alto foi quando MC Bin Laden apareceu de surpresa no palco e cantou “Tá Tranquilo, Tá Favorável” à galera. Nem o fã mais fã de Jack Ü esperava por isso. Foi a apresentação, de longe, mais surpreendente do Lollapalooza.

Se formos para o futebol, um dos times que fazem campanha mais surpreendentes do país é a Ferroviária de Araraquara, clube tradicionalíssimo de São Paulo que faz campanha notória no Estadual, no ano em que retorna à Primeira Divisão após 20 anos. Ainda não dá para saber o desfecho da Ferrinha, mas que vem fazendo bonito na competição, isso vem. Já empatou com o Corinthians (2 a 2) e venceu o Palmeiras (2 a 1) em pleno Allianz Parque.

Skrillex e Diplo (Jack Ü) foram responsáveis pelo show mais surpreendente do Lolla, assim como a Ferroviária vem fazendo a campanha mais surpreendente do Paulistão – Crédito da foto: Divulgação

2) Red Bull Brasil – Mumford & Sons

O folk rock do Mumford & Sons veio ao Lolla cercado de expectativa dos fãs. Mesmo com uma trajetória recente (a banda foi lançada em 2007), eles não se intimidaram com tanta gente e fizeram um grandioso show. Alguns dizem que foi o que atraiu mais gente em todo o festival, e pela reação das pessoas, eles saíram com muito mais prestígio do que antes de desembarcarem ao Brasil, semelhante com o que aconteceu com o Imagine Dragons em 2014 e o Bastille, em 2015.

O Red Bull Brasil produz algo parecido do que a banda inglesa. É um clube “novato”, fundado em 2007, mas atua como equipe veterana nos jogos do Estadual, como se tivesse uma história centenária. Seu “ligeiro” passado é o que o traz para mais uma boa campanha no torneio até agora, como a melhor dos clubes do interior. Está em alto nível e vem conquistando aos poucos os torcedores, assim como o grupo do vocalista Marcus Mumford.

Mumford & Sons é o “Red Bull Brasil” – Crédito da foto: Divulgação

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3) Palmeiras – Eminem

Para quem esteve no evento, o Eminem fez o show que dele se esperava (o canal Multishow não pôde mostrar a apresentação porque o rapper não liberou a transmissão). Mesmo sem lançamentos recentes, o seu passado o conduz ao sucesso até hoje e o público o reverenciou pelos álbuns que o fizeram “estourar” na indústria musical pelo mundo. E isso garantiu a positividade de sua participação no Lolla 2016, uma das mais elogiadas pelos fãs.

O Palmeiras está na mesma sintonia do famoso rapper. Pensavam que estava morto, mas continua dando alegrias aos seus adeptos, como a vitória por 2 a 0 no clássico deste domingo contra o São Paulo e até o improvável título da Copa do Brasil 2015 em que o Verdão mostrou aos palmeirenses que pode ainda ser reverenciado por grandes feitos, sustentando-se como clube gigante do cenário nacional.

Eminem não surpreende tanto em inovação, mas empolgou como sempre os fãs no Lollapalooza. Não lembra o Palmeiras dos últimos tempos? – Crédito da foto: Divulgação

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4) Santos – Noel Gallagher’s High Flying Birds

O consagrado cantor inglês, ex-Oasis, mostrou no show deste domingo que tem lenha para queimar em seu trabalho solo. O público reagiu bem a isso e demonstrou conhecer seu repertório fora da parceria que tinha com seu irmão Liam. Mas Noel não deixou o Oasis de lado e presenteou os fãs com sucessos da histórica banda, como “Champagne Supernova”, “Don’t Look Back in Anger” e “Wonderwall”, por exemplo. Uma apresentação bem elogiada pela crítica e pelos milhares de presentes.

Assim como o Santos. Tem a liderança do veterano Ricardo Oliveira, que ainda leva os torcedores ao delírio com seus 36 anos, deixa o Peixe em alto patamar com um elenco jovem e põe até pitadas de polêmica (como a fracassada transferência à China), como Noel também acaba protagonizando com seus seguidores.

Nota da redação: pedimos uma licença poética de substituir o Manchester City, time do coração de Noel, pelo Santos.

Noel Gallagher é o “Ricardo Oliveira” do Lolla – Crédito da foto: Divulgação

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4) São Paulo – Tame Impala

Os psicodélicos do Tame Impala vieram ao Lollapalooza Brasil com o desafio de ganhar uma multidão que estava no Palco Skol. Boa parte, para vê-los exclusivamente (outros já aguardavam o Eminem, que se apresentaria na sequência). E conseguiram cumprir o acordado, mesmo com críticas de alguns. Tocaram sucessos como “Feels Like We Only Go Backwards”, cantado a coro quase no fim.

Mas teve quem não gostou também. Algumas das reclamações giravam em torno do “exagero” nas projeções dos telões, a pouca interação com o público e hits alongados e que deixava a galera no Autódromo impaciente. Para quem não conhecia a banda australiana, ficou essa impressão. Para os fãs, tudo isso já era mais que esperado.

O São Paulo vive um cenário tipo ao do Tame. A torcida depositou suas fichas em Edgardo Bauza, bicampeão da Libertadores, porém não vê o futebol que enche os olhos. Pelo contrário, o time está na mira dos são-paulinos, que não economizam nas críticas, os jogadores evitam a imprensa por algumas vezes e alguns tricolores já achariam normal essa irregularidade, por conta de um 2015 que terminou muito mal no Morumbi, de uma forma geral.

Apresentação do Tame Impala tem semelhanças com o São Paulo – Crédito da foto: Divulgação

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6) Corinthians – Florence + The Machine

O Florence + The Machine se apresentou de forma grandiosa e apoteótica na edição de 2016 do Lolla e não decepcionou os seus seguidores, que se maravilharam com toda a disposição e carisma da vocalista Florence Welch, chamada por muitos de “fada/deusa do rock” por conta de seu figurino bem diferente ao que o festival costuma receber. Seu diferencial fez o grupo dar um show à parte e digno de encerramento para o evento.

Corinthians também tem uma “Florence Welch” dentro da equipe: o técnico Tite, que deixa o Timão sempre lá no alto, na ponta. É o principal nome corintiano e que é o grande líder alvinegro. A agremiação lidera a classificação geral do Paulistão, briga por vaga no mata-mata da Libertadores e conquistou o título brasileiro no fim do ano passado, garantindo consistência no projeto. E, assim como aconteceu com a vocalista da banda londrina no Autódromo, Tite é reverenciado pelo torcedor como um verdadeiro “deus”.

Florence Welsh: deusa do rock para os fãs, como Tite é deus alvinegro no Corinthians – Crédito da foto: Divulgação

7) Água Santa – Planet Hemp

O Planet Hemp entrou de última hora na line-up do Lollapalooza pelo cancelamento do rapper estadunidense Snoop Dogg e não decepcionou seus adeptos. Apesar de entrar no palco ao mesmo tempo de Florence + The Machine e do DJ russo Zedd (o que atraiu menos público que os palcos concorrentes), o grupo liderado por Marcelo D2 levou uma legião ao delírio, mostrando que a música nacional complemente e muito bem o festival. Além disso, muitos comentários políticos foram ditos por D2, em dia que muitas cidades do Brasil receberam manifestações contra a corrupção.

O Água Santa viveu algo muito parecido com o Planet no Paulistão. O modesto clube de Diadema, na Grande São Paulo, entrou na competição praticamente nos acréscimos. Um acidente nas construções do seu estádio, o Inamar, pôs a estreia do Netuno em risco na competição estadual, porém tudo ficou pronto às vésperas do campeonato. Já no Paulista, assim como o Planet Hemp no Lolla, não faz campanha tão ruim.

Planet Hemp, de Marcelo D2, se assemelha ao Água Santa, de Diadema – Crédito da foto: Divulgação

E aí, torcedor que foi ao Lollapalooza Brasil, concorda com as comparações, odiou as analogias? Opine!