‘Sempre lutei por amor ao esporte’, declara brasileira lutadora do Bellator

Crédito da Foto: Reprodução/ Facebook oficial

A nova lutadora do Bellator MMA, Kenya Miranda, em entrevista ao Combate.com, contou um pouco da sua história, do seu crescimento como atleta, e de como encontrou no esporte uma forma de força e representatividade feminina. Acostumada a romper barreiras e adentrar em áreas tidas como predominantemente masculinas, a atleta que hoje, junto com mais duas lutadoras (Bruna Ellen e Bruna Vargas), representa o país na categoria peso-mosca feminina, mostra que assim como o esporte, a luta faz parte da essência feminina.

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“É sempre assim, sempre coisa masculina: luta, só a Kenya de menina; futebol, só a Kenya de menina”, disse.

Aos 27 anos, a lutadora conta que após praticar balé e natação, modalidades as quais fazem parte das opções tradicionalmente ofertadas as meninas, porém ela não gostava do que fazia. Percebendo isso, a sua mãe a matriculou aos 13 anos no taekwondo, iniciando-se assim a prática de artes marciais na vida de Kenya. E foi a paixão por esse esporte que a levou a seguir a carreira, ao qual rendeu inicialmente a conquista do bronze no Pan-Americano Juvenil de 2005. A modalidade ainda a auxiliou quando aos 17 anos, a atleta foi surpreendida na saída do treino com uma tentativa de estupro. Agindo por reflexo, Kenya reagiu ao perceber a intenção do indivíduo, que a levou a um posto de gasolina abandonado, nas proximidades, ameaçando-a com um gargalo de garrafa cortada contra o seu pescoço.

“Consegui tirar a mão dele do pescoço, ele se assustou. Ele me deu vários socos, mas não acertou meu rosto, acertou o peito, machucou bastante. Ele me bateu bastante, mas não conseguiu me fazer desmaiar. Nessa de ele querer me agarrar, eu consegui o empurrar, ele se desequilibrou, caiu, e eu saí correndo. Fato é: se eu não soubesse luta, se fosse uma pessoa qualquer, ele teria efetuado o estupro”.

O lastimável ocorrido, deixou marcas na atleta que acredita que toda mulher deveria adotar a prática de uma arte marcial. Ela enaltece a importância de saber se defender, ter reflexo e saber usar a força. Ela afirma ainda que foi o taekwondo que deu base para chegar onde se encontra hoje em dia, por ser um esporte olímpico e muito mais organizado. Porém foi no MMA que a atleta  se sentiu completa, afirma. Levando-a reaprender e aprender novos golpes e formas de luta.

Com passagem curta no futebol, apitando partida por cerca de dois anos, porém com um diploma de arbitragem, possibilitando a volta aos campos quando bem entender, Kenya, assim como muitas mulheres, não para diante das dificuldades e preconceitos impostos pelo gênero. Profissional do MMA desde 2014, ela contabiliza duas vitórias e duas derrotas. E ainda não possui data marcada para estreia.  “Sempre lutei por amor ao esporte”, declara a atleta que anseia para o recebimento da bolsa, que possibilita uma ajuda no custo, hoje ela se mantem dando aulas.

“Não vou dizer que não penso em dinheiro, mas todas as lutas que fiz não foram visando dinheiro, e também não ganhei dinheiro para dizer que sobrou, muito pelo contrário. Suplementação custa caro, fica elas por elas. Agora, minha esperança é esta, estar em grandes eventos e conseguir um patrocínio de verba, para não precisar dar aula, para ficar só por conta de treinos. E, mesmo estando em grandes eventos, é difícil, não está vindo nada fácil.”



Graduanda em Rádio, Tv e Internet pela Universidade Federal de Pernambuco.