OPINIÃO: Palmeiras não deve lamentar saída de jogadores

Ontem, o Palmeiras fechou com o Cruzeiro a troca de dois jogadores cada. Robinho e Lucas foram para o Palestra mineiro e Fabrício e Fabiano defenderão o Verdão. Sempre que há uma troca entre jogadores, sempre se comenta qual clube saiu melhor na negociação. Nos números, claramente o Cruzeiro se deu bem, mas ficou a impressão de que o Palmeiras não teve pontos positivos. Teve.

Os dois jogadores que foram ao clube mineiro chegaram no mesmo momento em janeiro de 2015, no meio do pacotão de reforços que o Verdão contratou para o ano passado. Começaram muito bem, titulares absolutos da temporada e peças importantes para momentos do clube no ano. O problema é que ambos caíram demais de rendimento da metade da temporada passada para cá. Lucas deixou de ser o lateral seguro na defesa e firme no ataque. Diminuiu muito seu rendimento e em 2016 começou a ser questionado pela torcida, virou banco e não deixou saudades.

Robinho é um caso curioso. O jogador não é meia de origem e está na posição pela falta de camisas 10 no elenco do Palmeiras. Disputou vaga com Alan Patrick no primeiro semestre de 2016 e ganhou. Se aproveitou que Valdivia e Cleiton Xavier mais ficavam no DM que jogavam e ganhou a posição. O camisa 27 é líder em assistências no time em 2016, mas não convence como tal homem dos passes. Robinho se esconde muitas vezes do jogo, não tem a característica de buscar o jogo e flutuar como um camisa 10. Pode ter dado diversas assistências, mas muitas delas com muita sorte, como foi contra o Rio Claro que ele tentou chutar a bola para o gol, errou feio e a bola sobrou para Alecsandro colocar a bola no fundo das redes. Robinho teve a sorte de ter grandes jogadores ao seu lado e aumentou muito bem os seus números, mas ele nunca chamou a responsabilidade em um jogo complicado para resolver.

A verdade é que Robinho é um terceiro homem do meio campo, no máximo um segundo volante também, não um meia e se vendeu como tal. Ficou devendo. Várias partidas o time precisava de um passe genial, um grande lançamento quando o outro time estava bem fechado e Robinho dava passes laterais. Para a sua real posição, o time tem Gabriel, Matheus Sales entre outros. Robinho não tinha chance e jogou como meia. Não vai deixar saudades, no geral.

Uma demonstração clara é na partida contra o River Plate do Uruguai no Allianz Parque. O time estava preso, sem muita movimentação, apesar de estar ganhando do pior time do grupo. Robinho poucas jogadas fez. Ele escorregou em um lance e o gol saiu porque a bola desviou em outro jogador para chegar em Egídio. Quando Robinho saiu e Cleiton Xavier entrou, o Palmeiras foi completamente dominante no jogo, trocou mais passes e chegou mais vezes ao ataque tocando bola. Xavier participou em quase todas as jogadas e criou chances de gol, chutando mais para o gol que Robinho em muito menos tempo de partida. Alecsandro em muitos momentos foi esse homem de ligação. A passagem de Robinho foi boa em números, mas não se refletiu em bons jogos dentro de campo.

 

 



Jornalista formado pela FIAM-FAAM. Setorista do Internacional e do Fluminense no Torcedores.com. Também escreve sobre o Palmeiras no site. Contato: mohamed.nassif12@hotmail.com