Opinião: A decadência do futebol pentacampeão

Pele
Crédito da foto: Reprodução/Facebook - Pelé

Acompanhando futebol há mais de 30 anos pude ver grandes ídolos nos nossos gramados como Romário, Ronaldo, Edmundo, Rivaldo, Djalminha, etc… e pensava na época o quanto nossa fonte de talentos parecia ser inesgotável, apesar dos desmandos dos cartolas do nosso futebol.

LEIA MAIS:
Opinião: Ronaldo foi um jogador aquém de seu talento

No entanto, havia coisas obscuras, como a antiga legislação que tornava o jogador um escravo do clube. Mas entretanto, sempre pude notar os desmandos dos dirigentes dos clubes.

Funcionava assim: clube revelava o jogador, o negociava com um clube europeu, ficava o dinheiro dele e ainda assim, de forma estranha vivia atolado em dívidas. Na época, eu era criança e me perguntava: como isso poderia ser possível?

Também tive o privilégio de ver a seleção vencer duas Copas do Mundo com craques como Romário e Ronaldo como protagonistas. Então veio a Lei Pelé, que libertava os jogadores da escravidão em seus clubes.

Os nossos clubes, despreparados para a modernidade, aumentaram ainda mais as suas dívidas. Então nossos cartolas, para “jogarem para as torcidas” e se livrarem da responsabilidade, passaram a culpar a Lei Pelé pela situação dos clubes.

Sou um critico de Pelé em relação a algumas coisas extracampo, mas culpar a lei Pelé pela situação do futebol brasileiro é pura bobagem. Mesmo antes da Lei Pelé, os clubes e federações já viviam atolados em dívidas devido aos desmandos dos seus cartolas, e nunca estes foram chamados a responder por isso.

A Lei Pelé apenas expôs de forma clara as mazelas históricas do futebol pentacampeão. As gestões dos presidentes dos clubes sempre foram amadoras. Basta lembrar o quanto nossas mazelas esportivas não foram expostas com a CPI do futebol barrada pela bancada da bola no inicio dos anos 2000.

A decadência atual não se deve a falta de talentos. Ainda temos muitos jogadores talentosos que permanecem anônimos nos campos de várzea e no futsal, por exemplo.

Acontece que esses jogadores, em sua ampla maioria de famílias humildes, não tem chance nos grandes clubes devido a influência de empresários que, com a conivência dos dirigentes, levam seus jogadores aos clubes. Talvez seja essa uma das razões de muitos nossos melhores jogadores se naturalizarem em outros países ao saírem daqui de maneira precoce.

As investigações da policia norte-americana sobre corrupção no futebol já estão revelando muitas das mazelas que há anos assombram o nosso futebol. Ou seja: temos uma oportunidade histórica de passar nosso futebol a limpo de uma vez por todas.

Não se deve investigar apenas as federações, mas também os clubes, para que de desvende o que foi feito com os milhões nas vendas de jogadores para o futebol europeu, e por que ainda assim nossos clubes estão com o “pires na mão”.

Não podemos jamais cometer o equivoco de culpar a Lei Pelé pela situação do nosso futebol, pois nossos males vem muito antes disso. Nossos clubes sempre estiveram afogados em dividas muito antes da Lei Pelé.

Salários atrasados sempre foram algo rotineiro e histórico nos nossos clubes. Até mesmo o meu São Paulo, tido por muitos como modelo administrativo, já esteve envolvido em polêmica com essa questão.

Caso não se passe a limpo o nosso futebol, outros vexames, como o ocorrido contra a Alemanha, serão comuns no nosso futebol.

Corremos o sério risco de não nos classificarmos para a Copa pela primeira vez na história e não será por falta de talentos.