Amigos, amigos, ippon à parte: judoca terá de superar parceiro por sonho olímpico

Divulgação/Site oficial Eric Takabatake

Eric Takabatake tem 25 anos e está perto de assegurar a classificação nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em agosto de 2016. Mas, para sacramentar a vaga, o judoca terá de superar o amigo e companheiro de seleção brasileira Felipe Kitadai.

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Takabatake e Kitadai lutam na mesma categoria, a de judocas com até 60kg. Regularmente competem juntos com a seleção brasileira. Mas, na Olimpíada, somente um deles poderá representar o Brasil. O motivo é o regulamento dos Jogos, que permite apenas um atleta por país em cada divisão de peso.

Dessa forma, para ser um dos 14 judocas do Brasil no Rio-2016, Takabatake precisa deixar a amizade com Kitadai de lado.

“Somos bem amigos, a rivalidade é apenas no tatame. E sobre campeonato, a gente está muito perto. Realmente quem for melhor é quem vai decidir. Nossa relação é bem saudável, estamos fazendo uma disputa bem justa. Independente de quem for, o Brasil estará bem representado”, disse Eric, membro da seleção desde 2013, em entrevista ao Torcedores.com.

O principal critério da CBJ (Confedereção Brasileira de Judô) para a definição da equipe olímpica deve ser a posição dos atletas no ranking mundial. E, hoje, a vantagem é de Takabatake, que ocupa o 12º lugar na categoria até 60kg. Kitadai, por sua vez, é o 13º. A situação da dupla será definida no World Masters, competição que vai acontecer na cidade de Guadalajara, no México, entre os dias 27 e 29 de maio.

“Estamos fazendo treinamento agora, bem preparatório para o World Masters. Vai ser um torneio forte, muito importante e onde vai decidir a vaga olímpica. Estou bem confiante, só depende de mim. Vou fazer minha parte”, disse Eric.

A Kitadai, por outro lado, não é suficiente fazer apenas a sua parte. Um deslize de Takabatake também é necessário. “Vou ser sincero com você: nem gosto muito de pensar na situação dele. Penso na minha e no fim vejo o que vai dar”, falou Eric, sobre a posição do amigo-rival.

Disputa acirrada

No confronto direto, a vantagem é de Kitadai. Na única luta entre eles, disputada em abril do ano passado, durante o Campeonato Pan-Americano de Judô na cidade canadense de Edmonton, o o 13º do ranking mundial superou o 12º e ficou com o ouro. Na edição 2016 do torneio, em Havana (Cuba), Kitadai repetiu o resultado; Takabatake, por outro lado, trocou a prata de 2015 pelo bronze.

No Pan-Americano deste ano, em abril, Eric viu a chance do ouro novamente escorregar enquanto Felipe repetiu o ouro.

Mas, antes disso, o paulista de São Bernardo do Campo foi medalha de ouro em um torneio importante em termos de pontuação no ranking mundial: o Grand Prix de judô, também disputado em Havana, em janeiro. O rival passou em branco.

Em fevereiro, Takabatake foi bronze no Aberto Europeu de Oberwart, na Áustria. Kitadai, prata.

Em maio, ele e Kitadai disputaram o Grand Slam de Baku, no Azerbaijão. Não conseguiram medalhas. Kitadai também entrou no tatame para o Grand Prix de Almaty, no Cazaquistão. Não teve sucesso.

Agenda cheia

Para chegar “voando” em Guadalajara, onde a vaga olímpica na divisão até 60kg será definida, Eric Takabatake adota uma rotina puxada de treinos no Esporte Clube Pinheiros, em São Paulo. De segunda a sábado, o judoca não tem descanso.

“Treino de segunda a sábado. De segunda a sexta, faço dois treinos por dia. Segundas quartas e sextas são treinos físicos; terças e quintas, treino técnico. E todos os dias à noite vamos para o tatame, treino de lutas. No sábado, varia o tipo de treino”.

Medo de se machucar e, por consequência, ficar de fora de torneios e até mesmo da Olimpíada? Segundo o atleta, esse pensamento não existe.

“A gente tenta não pensar. Você pode machucar fazendo qualquer coisa, desde treinando com uma pessoa mais nova, uma criança. Se pensar nisso, não treina e nem luta. Isso só me prejudica”, disse o judoca, que garante nunca ter se machucado seriamente na carreira.

Por conta disso, aliás, é que o paulista não pretende se aventurar no mundo das artes marciais mistas no futuro. “Eu não tenho essa vontade de levar porrada, não. Isso para mim, não dá. Nunca fiz nem treino de MMA.”

Faculdade à espera

Se o futuro de Eric não será no MMA, é possível que seja como analista de de sistemas. O judoca iniciou a faculdade em 2009; quatro anos depois, no entanto, teve de trancar o curso por causa das viagens por conta do esporte.

“Pretendo retomar, sim. Não pretendo mudar de curso, mas, não sei. Mas tem muita coisa para fazer ainda no judô”.



Jornalista, editor do Torcedores.com. Passagens pelos jornais Metro, O Estado de S. Paulo, Jornal da Tarde, Marca Brasil, Agora São Paulo, Diário de S. Paulo e Diário do Grande ABC.