Mais jovem piloto a vencer na F1 já foi alvo da ira de Galvão Bueno

Galvão
Reprodução

O holandês Max Verstappen fez história no último domingo (15) ao vencer o GP da Espanha e se tornar o mais jovem piloto a ganhar uma corrida de Fórmula 1. Em sua primeira corrida pela Red Bull, após uma “promoção” que envolveu o “rebaixamento” do russo Daniil Kvyat para a Toro Rosso, Verstappen conseguiu uma vitória que a equipe austríaca não via há quase dois anos, desde o triunfo de Daniel Ricciardo no GP da Bélgica de 2014. Mas a trajetória do menino de 18 anos já foi marcada por polêmicas desde o início de sua carreira, no ano passado, quando foi alvo da ira de Galvão Bueno após uma manobra ruim no GP de Mônaco.

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No dia 24 de maio de 2015, Max Verstappen, então com 17 anos de idade, provocou uma batida na Lotus do francês Romain Grosjean, hoje piloto da Haas. “Estava na cara. Por isso é que eu digo: o que pode passar na cabeça de um menino de 17 anos, andando em Mônaco? Ele vinha tendo mais sorte que juízo, mostrando talento, mas errando muito, batendo, porque exagera, passa do ponto”, disse Galvão Bueno, com um tom de voz muito irritado. A sequência rendeu até uma rebatida na repórter Mariana Becker, ao vivo.

“Infelizmente é assim que se aprende, né, Galvão?”, disse a jornalista da Globo. O narrador não gostou e respondeu. “Não, não é assim, não. Tanto não pode ser assim, Mariana, que a FIA já proibiu [para os futuros pilotos]. É um exagero, um excesso de permissividade, não pode ser assim”, afirmou Galvão. “A participação dele foi muito questionada no início da temporada, [perguntavam] se não era muito jovem para participar. Talvez por causa de atitudes como essa. A gente vê que é uma questão de atitude”, disse depois a repórter, sem resposta do narrador.

A Fórmula 1 mudou o regulamento e proibiu a entrada de menores de 18 anos em suas corridas. Galvão voltou a falar sobre isso no GP da Espanha deste ano, quando Verstappen já liderava a prova. O locutor disse que considera ainda muito baixo o limite imposto pela FIA, e que a idade deveria ser maior. O fato é que o holandês calou os críticos e venceu uma corrida que, sem as duas Mercedes, que se envolveram em um acidente na primeira volta, foi ganha na base da estratégia.

Filho de um ex-piloto da F1, Jos Verstappen, o jovem Max consegue em apenas uma temporada e meia um feito que seu pai só chegou perto duas vezes, quando alcançou o terceiro lugar e foi ao pódio. O hino da Holanda jamais havia sido tocado em uma corrida da F1. Max Verstappen foi ainda o primeiro holandês a liderar uma volta, o que dá a dimensão de seu feito na história da categoria.

O feito acontece menos de um ano depois da ira de Galvão Bueno no ar, o que fez alguns fãs de Fórmula 1 se recordarem de outro momento histórico do narrador da Globo. No GP do Japão de 1991, corrida na qual o brasileiro Ayrton Senna chegou ao terceiro título mundial, o então jovem alemão Michael Schumacher abandonou a prova com sua Benetton. Incomodado com a troca da dupla brasileira formada por Nelson Piquet e Roberto Moreno por Schumacher e Martin Brundle, Galvão sentenciou: “Olha, eles vão gastar dinheiro. O que eles batem, o que estouram de motor”. Schumacher foi bicampeão pela Benetton em 1994 e 1995.

 



Editor do Torcedores.com, está no site desde julho de 2014. Repórter e apresentador da TV Torcedores. Formado pela Universidade Metodista de São Paulo, já passou por UOL, Editora Abril e Rede Record. Participou da cobertura da Copa do Mundo de 2014, de dois Pans, dos Jogos Olímpicos de Londres 2012 e do Rio 2016.