O GP da Espanha foi palco do surgimento de um fenômeno

O dia é 15 de maio de 2016. A estrela é Max Verstappen.

Redação Torcedores
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Após a decisão polêmica de Helmut Marko em trocar os pilotos Kvyat e Verstappen de posições, fazendo uma dança das cadeiras entre RBR e STR, estávamos todos apreensivos. A decisão pareceu cruel demais com o pobre russo, que não tinha feito nada de tão grave que a justificasse – mas seus patrocinadores não estavam cumprindo com seus “deveres” para com a equipe e, como nós bem sabemos, o circo da Fórmula 1 pode ser bem cruel, principalmente, quando envolve dinheiro.

Gosto muito do menino Verstappen e compreendi a situação da equipe, mas não concordei, pelo simples fato de ser cruel demais. Como o próprio Hamilton disse em coletiva (ao ser perguntado sobre o assunto e demonstrar claro desconforto em responder), os pilotos jovens precisam de tempo para aprender, para amadurecer e é natural que acabem cometendo erros, mas que as equipes precisam ter paciência. A RBR não soube esperar o tempo de Kvyat e, com certeza, a situação causava um sentimento misto de pena e decepção. Importante ressaltar que esse sentimento era comum mesmo entre os fãs de Verstappen anteriores à esta data, grupo no qual me incluo (porque convenhamos, depois desta corrida, o holandês conquistou muitos novos fãs). Hoje, entretanto, a fria decisão mostrou-se ser acertada, pois presenciamos uma data que entrou para a história da Fórmula 1 e, talvez, a primeira vitória de um futuro multicampeão.

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Que corrida do Verstappen! O menino foi genial, pois soube agarrar a primeira chance real de vitória na vida para conquistá-la, em um carro no qual tinha entrado pela primeira vez há apenas 2 dias. E foram tantos os recordes quebrados hoje por Max que receio ter esquecido algum: mais jovem piloto (18 anos!) a vencer um GP, mais jovem piloto a liderar uma volta, primeiro holandês a vencer um GP, primeiro holandês a liderar um GP… Eu vibrei demais com essa vitória, afinal, torço por ele desde seus primeiros movimentos ousados na categoria (e, confesso, minha admiração aumentou quando ele desobedeceu àquela ordem de equipe no GP de Singapura do ano passado). E não, ele não fez apenas o arroz com feijão como alguns insistem em dizer, ele não foi apenas sortudo. A decisão acertada de parar 2 vezes em vez de 3, nós não temos como saber se teve o dedo dele (e acredito que não teve), mas para que essa estratégia desse certo, era necessário que o piloto soubesse administrar muito bem os pneus – e ele soube. Inclusive, fez esse trabalho bem melhor que o experiente Ricciardo. Fora toda a pressão que teve de suportar durante a parte final da prova, com uma Ferrari pilotada por um campeão mundial (Kimi), logo atrás. Quando você só tem 18 anos e pode vencer seu primeiro GP (e ser o primeiro a conseguir tal feito), o nervosismo pode ser muito grande, mas Verstappinho soube lidar com essa pressão como gente grande. Além de tudo isso, ele teve aquela “sorte de campeão” também, pois qual era a chance de, logo em uma corrida em que as Mercedes se atracam, ele estar em uma Red Bull?

Claro, ele não tinha as flechas de prata em sua frente, decorrência de um acidente polêmico onde Hamilton pode ter sido um pouco afoito ao atacar por uma brecha duvidosa, e Rosberg pode ter demorado um pouco a tomar sua posição de defesa – parece que ele se atrapalhou naquele momento, fazendo um ajuste pois o motor estava no “modo incorreto”. A princípio, eu achei que Hamilton era o culpado e pensei que havia tempo que não fazia uma bobagem dessas, mas revendo as imagens e análises do incidente, acabei mudando parcialmente de ideia – e não tenho vergonha de admitir isso. Não acho nem que Hamilton tenha sido totalmente culpado nem que seja totalmente inocente, foi uma culpa dividida, logo, a decisão da FIA de considerar como “acidente de corrida” parece ser mesmo a mais adequada.

Felipe Massa estava tendo um fim de semana bem complicado: A Williams errou com ele no qualifying, mandando-o muito tarde para a pista e resultando em uma desclassificação precoce, pois o brasileiro não teve tempo de abrir volta rápida. Consequência dessa brincadeira? 18ª posição de largada. Mas hoje, Massa chegou em 8º, o que considero uma excelente posição, dadas as circunstâncias. Reflitamos sobre a posição final possível, caso Massa tivesse largado em posição decente.

Além da corrida bastante consistente, Felipe Massa também teve o pit stop mais rápido da corrida (isso está se tornando recorrente!) com 2.0s de parada, mas a Williams “estragou” com outra parada de 3.2s e, consequentemente, um tempo total de paradas bem mediano. No final das contas, acho que acabou ficando tudo no zero a zero. Felipe também foi o piloto que conseguiu alcançar maior velocidade máxima com 346,3 km/h.

Além de todas as surpresas, além de ter entrado para a história, a corrida também foi espetacular. Emoção do começo ao fim. Tudo isso por que as Mercedes abandonaram? Acho que esse incidente contribuiu bastante, mas não foi o único fator. Hoje, nós presenciamos um garoto de 18 anos vencer um GP. Um garoto que há 4 anos estava no kart, hoje é campeão do GP da Espanha de Fórmula 1. Vocês conseguem assimilar a grandeza disso?Presenciamos o início de uma possível trajetória campeã, o nascimento de um fenômeno e isso é muito empolgante para os fãs da Fórmula 1 que, neste ano, está renascendo.

Imagem: Reprodução/Twitter Oficial Red Bull Racing