Opinião: Grêmio teve variação tática e uma estreia digna no Brasileirão

Foto: Wesley Santos/Agência PressDigital

Não foi a estreia dos sonhos do torcedor gremista, mas também não foi nenhum pesadelo. Dentro do contexto atual, Roger apresentou uma interessante variação tática e o Grêmio teve uma atuação digna na abertura do Brasileirão 2016.

Representar o clube com dignidade e respeito, honrando o manto sagrado do seu time do coração – é o mínimo que um torcedor espera de um atleta profissional quando ele entra em campo.

E foi dessa forma que os jogadores gremistas enfrentaram o atual campeão brasileiro, fora de casa, na primeira rodada do Campeonato Brasileiro. Um partida que antes da bola rolar se esperava ser nervosa, principalmente devido ao mau momento vivido pelas duas equipes, que foram eliminadas precocemente da Libertadores e não chegaram sequer nas finais dos seus campeonatos estaduais.

Com a bola rolando, a expectativa se confirmou. Os jogadores de ambas equipes protagonizaram um festival de erros de passes típico de times que jogam pressionados e sem confiança. Soma-se à essa precaridade técnica, dois treinadores estrategistas que se anularam no xadrez tático do jogo e, voilà! Está explicado o resultado da partida, o empate sem gols.

Vamos combinar, não foi a estreia dos sonhos daquele torcedor gremista mais otimista; que sei lá, talvez por algum passe de mágica de Roger, estaria esperando uma atuação convincente e a vitória sobre o Corinthians. Sem truques e sem reforços, Roger montou uma estratégia defensiva para estancar os gols sofridos nas últimas partidas.

E essa estratégia contava com duas variações que ocorriam de acordo com a saída de bola do Corinthians:

A primeira contava com um avanço de Bobô, Miller, Luan e Giuliano no campo do adversário, pressionando a saída de bola e buscando a quebra do passe entre a defesa e o meio. Se tivesse efeito esse avanço, subiam também Maicon e Wallace para a retomada da bola e articulação do um novo ataque. Quando essa movimentação não funcionava, o Corinthians achava espaço nas costas do volantes gremistas, devido ao espaço entre eles e a linha de defesa tricolor – que estava baixa e procurando não se expor individualmente. 

Nesse momento, a segunda variação defensiva acontecia para compactar a equipe. Luan e Giuliano fechavam o meio-campo pelos lados e o Grêmio ficava com duas linhas de quatro. Uma formula que se mostrou eficaz, contendo os avanços laterais do Corinthians, evitando cruzamentos e forçando chutes de longa distância.

Do outro lado, Tite buscava encurralar o Grêmio com uma linha de defesa alta, diminuindo o espaço e tempo para a articulação das jogadas tricolores. Sem tempo para pensar, Luan, Giuliano, Maicon e Wallace erravam inúmeros passes buscando jogadas de risco e em alta velocidade para Miller e Bobô – este último caindo para os lados, abrindo espaço para a movimentação de Miller.

Essas variações táticas só foram possíveis com a saída de Douglas da equipe titular; o que já parece ser outra re-avaliação do projeto 2016 do Grêmio. Porém para que elas sejam efetivas e o Grêmio se encaixe definitivamente no perfil de equipe para o longo Brasileirão, a confiança dos jogadores precisa ser elevada e um melhor entrosamento deve ser buscado.

Ao final, a estreia do tricolor no Brasileirão 2016 também esteve longe de ser a desgraça que um torcedor mais pessimista estava prevendo. Dentro do contexto atual, Roger mostrou que é capaz de pensar uma equipe com variações táticas e os jogadores do Grêmio tiveram uma atuação digna de quem está comprometido a buscar algo maior na competição.



Luis Henrique Rolim usa do sarcasmo e da linguagem popular para comer as pizzas do esporte. Futebol, surfe e Jogos Olímpicos são seus sabores favoritos. Ama os gordurosos assuntos extra-campo, e por isso tem colesterol acima da média. Debate ideias, não pessoas.