Opinião: Romário teve uma carreira de gols e polêmicas

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Acompanhando futebol há pouco mais de 30 anos. Pude ver grandes ídolos nos nossos gramados. Tive o privilégio de acompanhar a carreira do atacante Romário, um dos mais geniais e polêmicos que eu vi nos campos.

Os números são louváveis: o Baixinho se consagrou como o maior artilheiro brasileiro pós-Pelé. Mas ao mesmo tempo em que tinha um faro de gol acima da média, o atacante tinha a igual facilidade de se meter em polêmicas.

Romário sempre foi boêmio e avesso a treinamentos, o que talve

z foi a causa de ter vencido menos títulos do que seu talento permitia. Nas eliminatórias para a Copa de 94, foi afastado pela comissão técnica por indisciplina, mas felizmente voltou a tempo de garantir a classificação para o Mundial no jogo contra o Uruguai.

Em 94, na campanha do tetracampeonato, Romário somente comprovou o que já se sabia na época: que ele era indiscutivelmente o maior atacante do planeta.

Com seu talento, o atacante contrabalançou o pobre futebol demonstrado pela seleção brasileira e pelos adversários, e com seu faro de gol levou o time de Parreira nas costas durante toda a Copa (embora diga-se a seleção contava com ótimos jogadores no elenco).

Ainda em 94, o Baixinho foi a artilheiro europeu na campanha do título espanhol do Barcelona, mas o estilo boêmio mais uma vez falou mais alto e o atacante fez de tudo para voltar ao Rio em 95 ao assinar pelo Flamengo.

O faro de artilheiro estava melhor do que nunca, mas outra vez o estilo boêmio causou desentendimento com o então técnico Vanderlei Luxemburgo .

No Valencia, nova polêmica ao se desentender com treinador Claudio Ranieri. Mais uma vez Romário voltou ao seu habitat natural, Flamengo. Em 99, marcou um dos gols mais espetaculares da carreira ao dar um drible do elástico no volante Amaral em partida contra o Corinthians, válida pelo torneio Rio-São Paulo.

Mas nesse ano, uma nova polêmica envolveu o Baixinho após o atacante festejar em uma boate após derrota em jogo contra o Juventude, sendo demitido pelo então presidente do Flamengo, Edmundo Santos Silva. Mas nem tudo foram trevas, pois Romário marcou 46 gols em 99 jogos, e receberia a primeira chuteira de ouro da Revista Placar.

Romário voltou ao Vasco novamente em 2000, onde marcou mais gols e se tornou um dos maiores ídolos da história do clube.

Em 2001, Romário se envolveu em polêmica com o então treinador da seleção, Luiz Felipe Scolari, ao pedir dispensa alegando fazer uma cirurgia nos olhos e indo atuar pelo Vasco.

Romário caiu em desgraça com Felipão e ficou fora da campanha do pentacampeonato em 2002. Ainda nesse ano, o atacante se envolveu em nova polêmica ao agredir o zagueiro Andrei atuando pelo Fluminense, na goleada sofrida contra o São Paulo, no Morumbi.

Em 2005, já aos 39 anos se mostrou espetacular ao ser artilheiro do Campeonato Brasileiro, atuando pelo Vasco. Entretanto, houve nova polêmica já no final de carreira, ao contar gols dos tempos de juniores e dente de leite na tentativa de chegar aos 1000 gols.

Mais polêmicas à parte, pelo que fez nas grande área, Romário merece o topo de algum pódio pelo seu talento incomum para marcar gols.

Naturalmente também existiram derrotas, como a perda do ouro olímpico em duas oportunidades. Também no seu currículo temos as faltas dos títulos da Libertadores da América e da Liga dos Campeões, mas ainda assim devemos ter todo o respeito ao jogador que foi nosso maior artilheiro depois de Pelé .