Vencer ou convencer? Veja o que Muricy falou após estreia do Flamengo no Brasileirão

Muricy em sua passagem no Flamengo - Gilvan de Souza/Flamengo

O Flamengo estreou com vitória no Campeonato Brasileiro 2016, no último sábado, ao derrotar o Sport por 1 a 0 em Volta Redonda. Muricy Ramalho mostrou-se satisfeito com os três pontos, ainda que o time rubro-negro tenha passado longe de empolgar seus torcedores.

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Para se ter uma ideia, o Urubu jogou a maior parte do segundo tempo com um homem a mais, e ainda assim mal ameaçava o gol de Magrão. Para o treinador do Fla, todavia, o mais importante nesse momento de instabilidade é vencer, e não convencer. “Nós fomos ousados em muitos jogos e perdemos todos. Todo mundo acha bonito como o Flamengo joga, e jogam nos nossos erros. Agora vamos jogar para ganhar”, disse Muricy em entrevista coletiva.

No restante da entrevista pós-jogo contra o Sport, o técnico do Flamengo comentou sobre vários tópicos, entre eles a polêmica saída de Wallace na véspera da estreia pelo Brasileirão, o motivo da substituição de Paolo Guerrero, que saiu resmungando de campo, e a postura que quer de sua equipe daqui para frente.

Veja as principais declarações de Muricy:

ANÁLISE DO JOGO
Fizemos bom primeiro tempo, quando estava 11 contra 11. Depois, com um a menos, eles ficaram atrás da bola, mas tivemos oportunidade para fazer mais. Teve também a ansiedade de ganhar o jogo, mas Brasileiro é assim, tem que iniciar bem. Nós tivemos o controle do jogo no segundo tempo. Poderíamos ter vitória mais fácil. Mas para começar está bom. Foi uma vitória importante. Eles jogaram forte, arriscaram pouco, mas futebol às vezes tem que ter a posse de bola. Estamos aprendendo a jogar.

VENCER NO INÍCIO
Flamengo é grande demais. Jogadores se sentem pressionados por estar atacando o tempo todo. Arão se infiltra pelo lado direito; Cuéllar estava sofrendo demais. Arão na direita, Mancuello na esquerda. Tem que corrigir onde tem problema. Setor de meio, corrigimos bem. No caso de hoje, precisava ganhar. Vitória para arrancar bem. Tem que arrancar bem. Expliquei para eles. Tenho experiência nesse campeonato. Não se pode falar que vai ganhar no fim e no meio. Tem que ganhar no começo também. Não se recupera depois. Vitória era fundamental. E treinar com isso na cabeça. Estavam muito conscientes do que estavam fazendo. Não se arriscou. Gosto como eles, do filé mignon. Mas tem hora que tem que comer a carne dura.

SAÍDA DE WALLACE
Foi surpresa para nós. Nos preparamos com ele treinando, chegou momento perto do jantar e ele veio falar, explicando que estava com muita pressão, em cima dele e da família também. Disse que não tinha condição de jogar. Não adianta insistir com jogador que não está com cabeça para jogar. Não procuro convencer. Chamei o Rodrigo Caetano para avisar a diretoria. Foi o que aconteceu (…) Depois sou o cara que parece que é bravo. Mas sou democrata. Cara que não quiser pode ir embora, não tem problema. Ele escolheu esse caminho, está certo, pode ir… Não tem negócio de ficar chateado.

JOVEM LÉO DUARTE
A vantagem é que o Léo Duarte participou. É um garoto que temos muita esperança, mas tem que ter cuidado, entrar pouco a pouco. Ontem mesmo mandei chamá-lo no quarto, expliquei que ele ia jogar, que a vida é assim, oferece oportunidade e tem que aproveitar. Ele tem foco, mostra isso nos treinos. Teve boa atuação, foi seguro, jogador muito técnico. Ficamos felizes por ele.

ZAGUEIROS
Vamos precisar de dois zagueiros agora. Tínhamos três, agora temos dois. Perde um por cartão e outro por contusão, quem joga? O Campeonato Brasileiro não perdoa. Cada time tem mínimo de quatro, máximo de cinco zagueiros, o que é correto. Até porque vamos fazer rodízio. O Juan não vai jogar todas. Temos que ter opção para a posição. O Rafael Dumas veio, mas não estava treinando, estava machucado. Mas estamos no mercado. Não adianta contratar por contratar, não dá certo. Depois, fica aí, encostado, o clube paga. Estamos contratando para jogar.

EDERSON
Treinou bem. Claro que a gente não sabia até onde ia aguentar. Mas fez bem os dois lados. Tivemos que mudar o esquema no primeiro tempo ainda. Duas linhas de quatro, com Guerrero e Sheik na frente. Ele joga em todos os lados, esquerdo ou direito. Guerrero estava a ponto de ser expulso. A gente sabe como é. Cada vez que ele perde a bola… Não posso perder um jogador desse nível. Conversei com o Ederson há um tempo. Guerrero deve ficar afastado por causa da Copa América. No início da carreira, jogou nessa posição. Não é de força, mas tem mobilidade, inteligência e cabeceia bem. Tem fundamentos para estar ali. Quando Guerrero não estiver, ele vai jogar ali.

MUDANÇA DE ESQUEMAS TÁTICOS
Gosto de ter outra forma, mas treinada para não mexer muito na maneira de jogar. Treinamos essas duas formas. Começamos com duas linhas de quatro. Começou dando certo. Sheik confundiu a marcação. Depois começaram a dominar e voltamos no 4-1, porque o Diego Souza estava flutuando nas costas do volante. Cuéllar encostou nele, dividiu marcação com o volante. Rithely estava sozinho, não sofreu de novo. Tem que ter essa variação. Se espera para o vestiário para fazer a mudança. É perigoso, coisa treinada. Não dá para fazer sem treino.

Foto: Gilvan de Souza/Flamengo
Foto: Gilvan de Souza/Flamengo

GUERRERO
Xingar torcedores? Primeiro que não vi isso. Ele mesmo sentiu que poderia ter sido expulso. Quando dá uma entrada, tromba… Perigoso. Jogador é assim. Ainda mais artilheiro. Sente, mas é experiente. Tem carreira bonita, não vai ter problema. Torcedor tem que entender que estamos lutando. Só saiu pelo cartão. Se não tem cartão, não sai. Não faço média.



Esportista de hobby, mas jornalista de profissão. Trabalhou como repórter do O Estado de S. Paulo, Revista TÊNIS. Tênis Virtual e CurtaTÊNIS em coberturas nacionais e internacionais de grandes eventos.