Opinião: Chile é a dona da Copa América

Após muitos jogos e gols, finalmente chegamos a decisão da Copa América Centenario, jogada por Argentina e Chile neste domingo (26), no MetLife Stadium, nos Estados Unidos, com uma repetição de roteiro, e de vencedor.

Fabrício Carvalho
Colaborador desde 2015 com matérias e artigos nas editorias Games (E-sports), Esportes Americanos, Automobilismo e Futebol.

Crédito: Conmebol

E o jogo cumpriu com boa parte das expectativas já no primeiro tempo, que foi separada por partes. Primeiramente, vimos ambas as seleções com a mesma disposição tática em campo, o 4-3-3. Entretanto, a postura adotada pelas seleções foram diferentes. Tata Martino ordenou a Argentina começar o jogo na marcação pressão. Não apenas na saída de bola, mas o Chile teve grandes dificuldades de avançar no campo de jogo durante toda a primeira etapa.

A dificuldade chilena foi tanta que a seleção não finalizou nenhuma vez. Não apenas por incompetência, mas principalmente pelo êxito da Argentina em pressionar constantemente a saída chile e sair com rapidez nos ataques. Foram 7 finalizações, mas apenas 1 chute a gol, mostrando que também faltou pontaria para a seleção de Tata.

O jogo era competitivo e agradável de se assistir, mas a arbitragem brasileira de Heber Roberto Lopes resolveu manchar a decisão. Aos 16 minutos, Marcelo Díaz (Chile) levou o primeiro cartão amarelo de forma justa, mas aos 29 minutos, uma falta normal de jogo usando o corpo para parar Messi foi motivo para Heber “arrancar o protagonismo” dos jogadores e mostrar seu cartão vermelho.

A partir da expulsão chilena, o jogo perdeu muito em qualidade. A tensão e as faltas começaram a ganhar destaque, Messi simulou um pênalti (que felizmente não foi marcado) e Vidal conseguiu ludibriar a arbitragem para Heber expulsar Rojo em uma falta de, no máximo, aplicação do cartão amarelo. É da escola arbitrária brasileira a distribuição de cartões e a tentativa de “aparecer”, desde a Série D do Brasileirão até competições continentais.

No segundo tempo, as posturas de ambas as equipes não foram modificadas a princípio. Com o decorrer da partida na segunda etapa, o jogo foi perdendo movimentação e, cada vez mais, foi ficando mais desinteressante, com poucas finalizações. Não que fosse um jogo muito ruim tecnicamente, pois não via-se vários erros básicos de passes.

Na prorrogação, tivemos 30 minutos mais empolgantes de futebol. A Argentina diminuiu a saída de pressão da bola e deixou mais espaços para os ataques chilenos, o que acabou deixando o jogo em condições de igualdade. Não haviam mais catimbas e faltas, e as seleções pareciam que realmente queriam resolver no primeiro tempo da prorrogação, principalmente. Mas, como não houveram gols, o segundo tempo da prorrogação foi mais cauteloso novamente, e após a metade do andamento do mesmo, as seleções passaram mais a esperar

Nos pênaltis, a expectativa era de maior cansaço da Argentina, por ter imposto velocidade em maior parte do tempo. Mas o Chile foi quem começando parando em Romero, entretanto, Messi simplesmente isolou sua cobrança de pênalti, não colocando a Argentina em vantagem. Messi que não foi o jogador decisivo que todos esperam em finais desta vez. Após mais algumas cobranças, Biglia parou em Bravo, e o Chile, com gol de Silva logo em seguida, o Chile foi campeão da Copa América Centenario

Apesar de uma filosofia mais interessante de jogo na final, a Argentina não conseguiu marcar gols. O Chile também não marcou, mas demonstrou competência em não permitir que levasse gols. Foi a consolidação do Chile como maior força de futebol da América, não havendo mais dúvidas. Quanto a Argentina (que vai voltar a Buenos Aires mesmo com a negativa de Maradona em caso de perda do título), nota-se que o trabalho é bom mas insuficientemente grandioso. Tem os destaques individuais mais interessantes, mas não consegue aproveitar em títulos. Lionel Messi que o diga, o melhor jogador do mundo que não consegue ser campeão em sua seleção. E o tempo está passando…