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Muricy em Janeiro: ‘Flamengo terá esquema tático que o técnico vai ter que se adaptar’

O Flamengo vem atuando quase todo ano no esquema 4-3-3, ideia implantada desde a contratação de Muricy Ramalho, que saiu do clube após ter problema de saúde. O técnico da base, Zé Ricardo, assumiu o comando da equipe profissional. O treinador chegou a escalar o rubro-negro no 4-4-2 contra o Vitória, mas retornou com a ideia inicial de ter jogadores abertos na frente no último jogo, diante do Palmeiras.

Allan Abi Madi
Colunista do Torcedores.com.

Crédito: Foto: Divulgação/Flamengo

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Antes de Zé Ricardo, o auxiliar técnico do clube da Gávea, Jayme de Almeida, também insistiu com a formação com três jogadores de frente.

O questionamento por parte da mídia e principalmente da torcida é grande pela insistência com o esquema com três atacantes, seja com Emerson Sheik, Marcelo Cirino, Fernandinho, Everton, Gabriel, Ederson, Felipe Vzeu, ou Guerrero.

A resposta talvez esteja na entrevista concedida por Muricy Ramalho ao jornal O Globo, ainda no início do ano, em Janeiro, antes do início das competições. Na verdade, o treinador foi apenas mais claro com tudo que vinha falando, antes mesmo de sua apresentação no clube.

A ideia do técnico e da diretoria do Flamengo foi definir um esquema tático para o time profissional e para as categorias de base, que fizesse com que o Rubro-negro tivesse uma forma de jogar independente do técnico que assumisse o time.

Como o próprio Muricy esclareceu em Janeiro: “no Brasil, cada treinador que chega implanta o conceito. Para mim é o contrário. A troca de treinador constante não permite ter filosofia, não se tem ideia de nada. É importante o Flamengo ter”.

 

Relembre os principais trechos da entrevista do ex-técnico do Fla ao jornal O Globo:

 

– UNIFICAR ESTILO DE JOGO OU ESQUEMA TÁTICO ENTRE PROFISSIONAIS E BASE:

As duas coisas. Ter um sistema de jogo, ver o que o Flamengo gosta, o que o torcedor gosta. Depois vêm os concentos de treinamento para defender estas ideias. No Brasil não se tem ideia de nada, cada treinador que chega e implanta o conceito, “esta é a ideia do clube”. Para mim é o contrário. Primeiro vem o clube e o profissional deve se encaixar na ideia. Esta troca de treinador constante no Brasil não permite ter filosofia nenhuma. É importante o Flamengo ter isso.

– RISCO EM MUDAR O ESQUEMA DA BASE:

Não gosto de forçar nada, vou conversar com os treinadores da base. Estudamos muito o Flamengo. Era o time de pior posse de bola, maior índice de passe errado, que mais lançava bola na área, não cruzava do fundo do campo. O futebol hoje é posse de bola, boa transição e a velocidade na parte final do campo. O Barcelona tem sua ideia implantada lá atrás pelo Cruyff e o técnico que vem é contratado para defender a ideia do clube. O torcedor comprou a ideia, o dirigente também. Vi, num jogo, o garoto da base sair jogando e perder a bola. Saiu o gol. Ninguém vaiou. Em outros lances, saiu jogando e bateram palma. Prevalece o conceito. Aqui, a imprensa defende a saída de bola, mas se o garoto errasse diriam: “que firula do cacete”. Ninguém tem filosofia: nem time, nem imprensa, ninguém. Ao assinar contrato, disse ao presidente que queria unificar o futebol do Flamengo.

– TIME DA COPA SÃO PAULO JOGA NESSE ESQUEMA QUE FICARÁ NO FLAMENGO:

O time joga mais ou menos como eu penso. Um volante, o Ronaldo, dois meias e os três da frente. É o que pretendemos implantar. Tem que ser todo mundo assim. Pela manhã, no Ninho do Urubu, vou trabalhar o profissional e, à tarde, com a base. Implantar treinos para defender isso: goleiro treinar na linha, muito trabalho de saída de bola.

– SERIA UM 4-3-3 OU  4-1-4-1 (NA ÉPOCA O FLAMENGO TENTAVA AS CONTRATAÇÕES DE MARCELO DIAZ E DO ZAGUEIRO HENRIQUE, HOJE NO FLUMINENSE):

É mais um 4-3-3, com dois meias à frente. E sim, o camisa 5 precisa saber jogar. A gente pensou no Marcelo Díaz. É o que ele mais faz: vir entre os zagueiros para iniciar a jogada. O Henrique acho mais zagueiro, não gosto nesta função, não é a dele. O Díaz é o especialista, acostumado no Chile e na Alemanha a fazer a transição e não sair a bola quebrada. Para ter um time agressivo como o nosso, é importante ter a defesa protegida e fazer a bola sair limpa de trás, melhora a qualidade da posse de bola. Evita que se perca muito a bola. Os estudos mostraram que a posse de bola era ruim. Num time agressivo, a perda da bola gera muitos contra-ataques. É preciso melhorar a posse de bola, mesmo que não seja a característica do time: é mais de velocidade pelo lado do campo, com Sheik, Marcelo, Éverton, Gabriel… É time muito inquieto.

– TEMPO PARA IMPLANTAR ESSE MODELO:

Qualquer time do mundo tem que ganhar. Hoje na Europa já é assim, a continuidade tem caído. Estão copiando uma coisa errada. Alguém tem que começar a implantar a filosofia. O Atlético-PR lança jovens, tem um time de velocidade. Já tem uma filosofia. No Sul é um futebol de marcação, se você põe um time muito ofensivo eles não gostam. Gostam de time mais pesado. O Atlético-MG também ganhou uma identidade agressiva, pra frente. A torcida comprou a ideia e não vai aceitar que o técnico mude. No Barcelona, fiquei duas horas e meia conversando com três pessoas, que já têm mais idade e não vão mais para o campo. Mas defendem a ideia. Não contratam um técnico que pense diferente. Aqui se contrata técnico de qualquer maneira.

 

Caso o Flamengo continue não rendendo muito bem em campo, apesar de ser o quinto colocado no Brasileirão o time vem de três eliminações e não teve uma sequência de atuações que fizesse o torcedor elogiar a forma que se joga, a diretoria do clube deverá rever a filosofia implantada, ou os jogadores disponíveis para atuarem no esquema tático escolhido pelo rubro-negro.

A falta de segurança no esquema, ou nas peças, principalmente no setor ofensivo, é tão grande, que, tanto com Muricy, como com Jayme e agora com Zé Ricardo, ora joga Sheik, ora joga Cirino, ora joga Fernandinho, ora joga Gabriel, ora joga Everton, ora joga Vizeu, ora joga Ederson.

 

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Foto: Divulgação

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