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Revolucionário, Mário Filho tem um legado do tamanho do Maracanã

Preso pela primeira vez aos 18 anos. “O Homero do Esporte”. Irmão de um dos gigantes de nossa literatura. Mário Filho é o maior nome do jornalismo esportivo brasileiro, já no começo do século XX. Sua história se confunde com a da profissão, revolucionando todos os seus aspectos. Se hoje você lê o Torcedores.com, muito se deve àquele que dá nome ao Maracanã.

Frank William Toogood
Mídias Sociais da AS Roma Brasil, MBA em Gestão Estratégica de Negócios, blogueiro desde 2007 e radialista amador. Escreve sobre futebol italiano, automobilismo e o que aparecer, mas gosta mesmo é de contar boas histórias

Crédito: Crédito da foto: Reprodução

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Sob sua batuta, a página de esportes do jornal carioca “A Crítica” radicalizou a cobertura do futebol. De acordo com Ruy Castro, na biografia “O Anjo Pornográfico”, na qual conta a vida do dramaturgo Nelson Rodrigues (irmão de Mário), o jornalista chutou para escanteio as fotos dos atletas de terno e gravata, estampando as páginas do noticiário com jogadores em ação, de uniforme, suando – como você vê hoje. Virou diretor aos 21 anos, o mais jovem da imprensa brasileira até então.

A revolução provocada por Mário Filho foi grande e profunda. “Transformou o futebol em algo para vender jornal. Começou com uma matéria sobre a botinada que Itália, beque do Vasco, aplicou em Alfredinho, atacante do Fluminense (…) Mário Filho foi com o fotógrafo à casa de Alfredinho e fotografou o seu joelho em frangalho”, escreveu Castro.

O jornalista foi o responsável por popularizar o futebol no Brasil. Simplificou o nome dos clubes, deixou-os na boca do povo. “Humanizou os jogadores, perfilando-os, biografando-os na semana de uma partida importante. Perguntava pelas suas vidas particulares, fazia-os dizer coisas interessantes nas entrevistas. E, se não dissessem, Mário Filho inventava essas coisas e as atribuía a eles”, explica o biógrafo.

JORNALISTA E EMPREENDEDOR

Convidado por Roberto Marinho, comandou a página de esportes de O Globo, e de lá criou “O Mundo Esportivo”, seu jornal exclusivamente voltado para esportes. E do hiato do futebol, nasceu, nas páginas do diário esportivo, a avaliação dos desfiles das escolas de samba, por quesitos, como é feito até hoje.

Mário Filho inflamou o Fla-Flu, fez o clássico crescer em importância e misticismo. Não se ateve ao futebol e promoveu outros esportes,do jiu-jitso ao automobilismo. Sua habilidade e ousadia o credenciaram a comandar o Jornal dos Sports, um marco histórico no jornalismo esportivo brasileiro.

Um apaixonado pelo ofício. Como um maestro, ditava ritmo que queria ao futebol nacional. Exaltava o clube vencedor sem humilhar o perdedor. Criava competições para preencher o calendário – e assim nasceu o Torneio Rio-São Paulo e a Copa Rio.

Ainda teve tempo de convencer Adolf Bloch a criar a Revista “Manchete Esportiva” antes de falecer, aos 58 anos anos.

Só mesmo Ruy Castro para dar a dimensão do que Mário Filho representa para o jornalismo esportivo. “Quando se tratava de futebol, ele só não fazia chover sobre os gramados. (…) Tornara-se o ministro sem pasta do futebol brasileiro, a quem os jogadores, os clubes e a CBD iam pedir conselhos quando tinham de decidir alguma coisa”.

Mário Filho tem uma história e um legado gigantes. Do tamanho do imponente e sexagenário Maracanã.