GUIA RIO 2016 TORCEDORES.COM – SAIBA TUDO SOBRE GINÁSTICA ARTÍSTICA

O Torcedores.com continua seu especial para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro 2016 que conta um pouco da história de cada esporte olímpico, algumas curiosidades para você contar por aí, além de informar os favoritos das provas e quem são os brasileiros nelas. Falaremos agora da Ginástica Artística, onde o Brasil pode surpreender com vários atletas

LEIA O GUIA RIO 2016 DE OUTROS ESPORTES:
ATLETISMO, BADMINTONBASQUETE MASCULINO, BASQUETE FEMININO, BOXECANOAGEM VELOCIDADECANOAGEM SLALOM, CICLISMO BMX, CICLISMO ESTRADA, CICLISMO MOUNTAIN BIKE, CICLISMO PISTA,  ESGRIMAFUTEBOL MASCULINOFUTEBOL FEMININO, GINÁSTICA ARTÍSTICA, GINÁSTICA RÍTMICA, GINÁSTICA DE TRAMPOLIM, GOLFEHANDEBOLHIPISMO, JUDÔ, LEVANTAMENTO DE PESO, LUTA, MARATONA AQUÁTICA, NADO SINCRONIZADO, NATAÇÃO, PENTATLO MODERNOPOLO AQUÁTICO, REMORUGBY DE SETE, SALTOS ORNAMENTAIS,TAEKWONDOTÊNISTÊNIS DE MESA,TIRO COM ARCOTIRO ESPORTIVO, TRIATLO, VELAVÔLEI FEMININO, VÔLEI MASCULINOVÔLEI DE PRAIA

Por Eryk Ullysses e Rafael Freitas

 

GINÁSTICA ARTÍSTICA

INTRODUÇÃO:

A ginástica é uma das formas mais antigas de práticas físicas, é uma forma de exercitar na busca pela definição do corpo. A ginástica conta com relatos desde o Egito Antigo, passando pela Grécia ou mesmo da forma sistematizada como a conhecemos hoje, que remonta do século XIX. Em 1811, o alemão Ludwig Christoph Jahn criou os aparelhos cavalo com alças, barras paralelas, barra fixa, trave os saltos  como uma  forma de treinamento militar para o exército alemão enfrentar o exército de Napoleão Bonaparte. É um dos esportes que está presente desde os primeiros jogos da Era Moderna, em Atenas 1896. Primeiramente disputada apenas por homens, a ginástica passou a contar com a disputa feminina a partir de Amsterdã em 1928 com a prova por equipes. .

ginastica artistica capa

VOCÊ SABIA?

  • Que a ginástica é um dos quatro esportes que estão presentes desde os primeiros Jogos, ao lado de atletismo, esgrima e natação?
  • Que a primeira nota 10 na modalidade foi conquistada pela romena Nadia Comaneci em Montreal 1976? O placar não estava preparado para um nota 10 e acabou marcando apenas o 1.
  • Que até a edição de Londres 2012, era de uma ginasta o recorde total de medalhas conquistadas por um único atleta em Olimpíadas? O recorde pertencia a Larisa Latynina da União Soviética, com  18 pódio, que foi superado pelo norte-americano Michael Phelps na última edição ao atingir 22 medalhas.

 

PAÍSES TRADICIONAIS: A União Soviética é a maior campeã da história olímpica, mesmo após ser dissolvida segue com folga no ranking. Também se destacam os Estados Unidos, a Romênia, o Japão, a China e é claro, a Rússia, herdeira esportiva da ginástica soviética. O Brasil passou a ter um destaque maior em Olimpíadas mais recentemente. Apesar de já ter enviado ginastas para olimpíadas anteriormente, como Luísa Parente em 1988 e 1992, foi a partir de 2000, com Daniele Hypolito conquistando uma vaga na final do individual, que o país começou a se consolidar no esporte. De lá para cá foram vários ginastas classificados, finalistas olímpicos, que culminaram na primeira medalha brasileira em Londres 2012, o ouro de Arthur Zanetti (foto)

ginastica artistica zanetti

 

INDIVIDUAL GERAL

QUEM CHEGA FORTE AO RIO:

Sem perder uma competição desde o mundial de 2009, Kohei Uchimura (foto) terá nos jogos o fardo de grande favorito ao ouro. Mas como ele já provou por diversas vezes, essa pressão não intimida o japonês. Apontado por várias vezes como aquele mais próximo de bater Uchimura, o ucraniano Oleg Verniaiev novamente entrará em uma competição com essa missão. Atual vice mundial, o cubano Manrique Larduet é o responsável por botar novamente um ginasta cubano em Jogos Olímpicos depois de uma longa ausência. Também estão no bolo pela medalha o britânico Max Whitlock, o chinês Deng Shudi os japoneses Ryohei Kato e Yusuke Tanaka. Correm por fora, e é bom ficar atento, o brasileiro Sergio Sasaki, os russos Nikolai Kuksenkov e David Belyaviskiy, o americano Samuel Mikulak e o alemão Fabian Hambuchen.

uchimura

QUEM REPRESENTA O BRASIL E QUAIS AS SUAS CHANCES?

Sérgio Sasaki (foto) vinha se destacando no individual geral desde as Olimpíadas de Londres, quando foi o décimo colocado, melhor posição de um brasileiro em Olimpíadas nessa prova. Desde então, Sasaki entrou no grupo dos oito melhores do mundo. Foi sexto colocado no mundial de 2013 e sétimo no de 2014. Mas no final de 2014 acabou sofrendo uma grave lesão no joelho que o deixou afastado das competições por quase um ano. Esse ano, Sasaki já mostrou que está recuperado e apresentou séries com ótimas dificuldades. A expectativa é novamente de que o atleta possa brigar entre os oito primeiros, quem sabe até melhorando a sexta posição alcançada no mundial de 2013.

O segundo ginasta do Individual Geral do Brasil é Arthur Nory. Finalista nos dois últimos mundiais, a expectativa é novamente de uma final de que o ginasta que treina no Pinheiros possa entrar também no seleto grupo dos dez melhores do mundo.

As chances de medalha são de médias a baixas.

sassaki paralelas

PALPITE DO GUIA

Ouro: Kohei Uchimura (Japão)

Prata: Oleg Verniaiev (Ucrânia)

Bronze: Manrique Larduet (Cuba)

 

SOLO

QUEM CHEGA FORTE AO RIO:

Principal nome no aparelho, Kenzo Shirai é favorito absoluto ao ouro. Conhecido por suas várias piruetas em uma série extremamente difícil, o japonês conquistou o ouro nos mundiais de 2013 e 2015. Em 2014 com algumas pequenas falhas, Kenzo acabou com a prata. O russo Denis Ablyazin foi o único ginasta que bateu o jovem ginasta japonês em mundiais no ciclo, tendo levado o ouro em 2104. Atual medalhista de prata, o britânico Max Whitlock é outro que desponta como possível medalhista. Medalhista de bronze em 2013, Kohei Uchimura também dificultou sua série de solo esse ano e entra como um dos favoritos no aparelho. O medalhista de bronze em 2013, o espanhol Rayderley Zapata, o brasileiro Diego Hypolito, o americano Jacob Dalton e chileno Thomaz Gonzalez também devem estar na briga pelo pódio.

 

kenzo

QUEM REPRESENTA O BRASIL E QUAIS SUAS CHANCES?

O Brasil será representado por Diego Hypolito, que segue sendo um dos grandes nomes no solo. Depois das falhas nas Olimpíadas de Pequim, quando era favorito, e de Londres, o caçula da família Hypolito ganhará uma nova chance. Diego Hypolito atualmente briga diretamente por uma final, mas já disse por diversas vezes que vem treinando uma série com um grau de dificuldade mais alto, o que o colocaria em condições de igualdade com os melhores do mundo. Se isso ocorrer, ele não apenas chegará até a final, como se coloca como um dos possíveis medalhistas. Ainda na equipe do Brasil correm por fora na briga pela final Sérgio Sasaki e Arthur Nory. Os dois possuem séries que se forem bem executadas no Rio podem lhes render uma final. As chances de medalha de Diego são médias

DIEGO GIN

PALPITE DO GUIA

Ouro: Kenzo Shirai (Japão)

Prata: Kohei Uchimura (Japão)

Bronze: Denis Ablyazin (Rússia)

 

CAVALO COM ALÇAS

A Grã-Bretanha tem no cavalo com alças a sua principal força. Nomes como o de Max Whitlock e Louis Smith são quase certos na final do aparelho e somente erros graves podem fazer com que isso não aconteça. Max Whitlock é o atual campeão mundial do aparelho. Louis Smith (foto) é vice-campeão olímpico e mundial,  e tenta mudar a sua sina de sempre bater na trave em sua busca pelo ouro. Quem também costuma ter fortes nomes no aparelho é o Japão, como Kohei Uchimura, campeão mundial em 2013. Países emergentes na ginástica também possuem bons nomes na prova, como Daniel Corral do México, vice mundial em 203, Filip Ude da Croácia e Harutyun Merdinyan da Armênia. O maior desfalque da prova e um dos maiores de toda a ginástica é do húngaro Kristian Berki, atual campeão olímpico, e que não conseguiu se classificar.

smith

QUEM REPRESENTA O BRASIL E QUAIS SUAS CHANCES?

No aparelho mais fraco do Brasil é difícil que aconteça alguma final. Sérgio Sasaki vem evoluindo muito no aparelho e já consegue notas que podem colocá-lo entre os 15 primeiros no cavalo, mas final ainda é complicada. O segundo melhor ginasta brasileiro é Francisco Barreto, mas também deve ficar longe da final. As chances de medalha são baixas

PALPITE DO GUIA

Ouro: Louis Smith (Grã-Bretanha)

Prata: Max Whitlock  (Grã-Bretanha)

Bronze: Harutyum Merdinyan (Armênia)

 

ARGOLAS

QUEM CHEGA FORTE AO RIO:

O brasileiro Arthur Zanetti contará com o apoio da torcida na tentativa de manter o seu título olímpico. Quatro anos após o feito inédito para a ginástica do Brasil, Arthur segue entre os principais atletas do mundo no aparelho. Mas a tarefa não será fácil, Arthur terá pela frente o grego Eleftherius Petrounias,(foto) atual campeão mundial, como seu principal rival. Em 2013, ele foi o único ginasta que conseguiu vencer Zanetti em uma etapa da Copa do Mundo. Se por um lado Arthur viu se aposentar o chinês Chen Yibing (medalhista de ouro em Pequim 2008, prata em Londres 2012 e principal rival de Zanetti no ciclo passado) por outro ele ganhou dois novos rivais chineses nessa briga pelo pódio, Liu Yang e You Hao. Fique de olho também no cubano Manrique Larduet, no holandês Lambertus Van Gelder, no russo Denis Ablyazin e no francês Samir At Said.

grego

 

QUEM REPRESENTA O BRASIL E QUAIS AS SUAS CHANCES?

Arthur Zanetti se manteve entre os melhores durante todo o ciclo olímpico, tendo inclusive conquistado o seu primeiro ouro em mundiais no ano de 2013, e mais uma prata (repetindo 2011) em 2014. Focado em ajudar a classificar a equipe completa para as Olimpíadas pela primeira vez, Arthur dividiu o seu foco nos treinamentos também no solo e no salto. Menos preparado que os rivais nas argolas e com uma falha em sua apresentação durante a fase de qualificação, Arthur acabou ficando de fora da final. Nada que assustasse, já que esse ano mesmo, novamente focado apenas nas argolas, Arthur bateu o campeão mundial no Evento Teste do Rio de Janeiro.

Zanetti é o único brasileiro com chances de pegar final para o Brasil no aparelho. Campeão olímpico, três vezes medalhista mundial, sendo duas delas no ciclo atual, Arthur é também bicampeão dos Jogos Pan Americanos. Sérgio Sasaki também tem uma boa prova no aparelho, podendo até bater nos 15 pontos, mas uma final para ele seria muito complicada. As chances de medalha são altas

 

ZANETTI argolas

 

PALPITE DO GUIA:

Ouro: Arthur Zanetti (Brasil)

Prata: Eleftherius Petrounias (Grécia)

Bronze: Liu Yang (China)

 

SALTO

QUEM CHEGA FORTE AO RIO:

Atual campeão mundial, o norte-coreano Ri Se-Gwang (foto). é o principal favorito ao ouro no aparelho. A soma da dificuldade de seus dois saltos é maior que de qualquer outro adversário e sua execução é perfeita. Com a lesão de seu principal rival no aparelho, o campeão mundial de 2013, seu favoritismo aumenta. A briga pelas outras duas medalhas vai ser boa. É difícil apontar quais foram os melhores depois dele. O americano Jacob Dalton conquistou a medalha de bronze no mundial de 2014, no mesmo mundial em que o ucraniano Igor Radivilov foi medalhista de prata. Kristian Thomas, da Grã-Bretanha. levou a medalha de bronze em 2013 e o romeno Marian Dragulesco voltou de uma longa aposentadoria para ser prata em 2015. Sergio Sasaki, Oleg Verniaiev e os russos Denis Ablyazin e Nikita Nagornyi não conquistaram medalha em mundiais, mais foram presenças constantes nessas finais, além de terem conquistado diversos pódios em etapas de Copa do Mundo. .

norte korea

 

QUEM REPRESENTA O BRASIL E QUAIS AS SUAS CHANCES?

Sérgio Sasaki é o principal saltador do Brasil e forte candidato a uma final. Arthur Nory e Diego Hypolito também são bons saltadores, mas ainda não se sabe se os dois realizarão o segundo salto para tentar a final. Como a prova tem um nível muito forte é difícil imaginar uma final para Diego Hypolito e Arthur Nory, mas se alguns dos favoritos errarem, um deles poderá pintar na final.

Quanto a Sassaki, talvez aqui esteja a maior aposta do Guia Torcedores.com na ginástica. Da forma que vem saltando esse ano, Sasaki se coloca como um possível medalhista olímpico e nós apostaremos em uma medalha de prata. Deve-se levar em conta que por competir em casa com apoio da torcida, a tendência é que os juízes presenteiem os brasileiros com alguns décimos a mais. As chances de medalha são boas.

SASSAKI INDIvidual

 

PALPITE DO GUIA.

Ouro: Ri Se-Gwank (Coreia do Norte)

Prata: Sérgio Sasaki (Brasil)

Bronze: Denis Ablyazin (Rússia)

 

BARRAS PARALELAS

QUEM CHEGA FORTE AO RIO:

O ucraniano Oleg Verniaiev (foto) está entre os favoritos para levar a medalha de ouro. Campeão mundial em 2014 e vice-campeão em 2015 e o mais consistente no ciclo, o ucraniano deverá ter como seus principais rivais o americano Danell Leyva (medalhista de prata no Mundial 2014) e o chinês You Hao. Ex companheiro de equipe ucraniana de Verniaiev, o agora naturalizado pelo Azerbaijão, Oleg Stepko, os japoneses, especialmente Kohei Uchimura (campeão mundial em 2013) e o chinês Deng Shudi também estarão na briga. Fique de olho também no colombiano Josimar Calvo Moreno.

 

oleg

QUEM REPRESENTA O BRASIL E QUAIS AS SUAS CHANCES? 

Até há alguns anos atrás, o aparelho não era muito forte no Brasil, mas hoje não é mais um problema. Sérgio Sasaki e Francisco Barreto (foto) possuem séries com boas dificuldades e boa execução. Final ainda pode não rolar, mas se acertarem as séries e se o dia estiver favorável para eles, esse feito pode ficar próximo. O guia aposta que os brasileiros ficam entre os 15 primeiros nesse aparelho.As chances de medalha ainda são baixas

francisco barreto

 

PALPITE DO GUIA: 

Ouro: Oleg Verniaiev (Ucrânia)

Prata: Ling Deng (China)

Bronze: You Hao (China)

BARRA FIXA

QUEM CHEGA FORTE AO RIO:

Não ter a bandeira holandesa entre as finalistas na barra fixa do mundial do ano passado acabou causando uma grande estranheza. Isso tudo porque Epke Zonderland (foto), mais conhecido como O Holandês Voador, acabou caindo nas eliminatórias e se despediu da final.  Como a equipe holandesa conseguiu classificar a equipe completa para os jogos, Epke estará no Rio para defender seu título conquistado em Londres. E mesmo com a queda, segue favorito ao ouro.

Kohei Uchimura, pode ser apontado como o maior rival de Epke no momento. Mesmo sem ter a mesma dificuldade na série que o holandês, Uchimura acaba compensando com seus movimentos mais limpos, ganhando uma boa nota de execução. O japonês no período foi campeão mundial de 2015, prata no mundial de 2014 e bronze no de 2013. Fique atento ainda aos alemães  Fabian Hambuchen e Andreas Bretschneider, com sua prova extremamente difícil, ao cubano Manrique Larduet, ao americano Danell Leyva e também ao brasileiro Arthur Nory.

epke

 

QUEM REPRESENTA O BRASIL E QUAIS AS SUAS CHANCES?

Finalista no mundial do ano passado, Arthur acabou surpreendendo ao terminar na quarta colocação da barra. Essa foi a primeira vez que um brasileiro chegou na final de um mundial no aparelho. Juntamente com Sérgio Sasaki e Francisco Barreto, chegaram a várias finais e medalhas na barra fixa em etapas da Copa do Mundo.

Outro aparelho em que o Brasil também tinha pouco destaque até alguns anos atrás. Hoje a prova é uma das mais fortes do país. Arthur Nory foi finalista no mundial do ano passado e se não errar durante a fase de qualificação deve repetir essa final. Para conseguir medalhar, Nory precisará subir a sua nota de dificuldade. Já Sérgio Sasaki e Francisco Barreto estão com grandes dificuldades em suas séries. Assim, se os dois acertarem suas provas também poderão chegar na final. O guia aposta em dois finalistas no aparelho, Arthur Nory e o segundo entre Sasaki e Barreto. As chances de medalhas são baixas.

PALPITE DO GUIA:

Ouro: Epke Zonderland (Holanda)

Prata: Kohei Uchimura (Japão)

Bronze: Manrique Larduet (Cuba)

 

PROVA POR EQUIPES

QUEM CHEGA FORTE AO RIO?

A China conseguiu nos últimos ciclos resultados incríveis, levando quase todos os títulos que disputaram. Atuais bicampeões olímpicos, os chineses conseguiram a medalha de ouro no mundial de 2014 e o bronze em 2015.

GINASTICA ARTISTICA CHINA EQUIPES

Maior campeão olímpico nessa prova, o Japão tenta voltar ao topo do pódio esse ano, feito que aconteceu pela última vez em Atenas 2004. Atuais campeões mundiais, os japoneses chegam ao Rio como grandes favoritos e com uma equipe de peso liderada por Kohei Uchimura.

A Grã-Bretanha tinha em seu currículo apenas um bronze por equipes no longínquo ano de 1912. Mas em 2012 essa história começou a mudar com a Olimpíadas realizadas em Londres. Os donos da casa voltaram a subir ao pódio com a medalha de bronze. O feito se repetiu com a prata no mundial do ano passado, novamente disputado em casa, dessa vez em Glasgow.

Os Estados Unidos conquistaram a medalha de bronze no mundial de 2014, deixando para trás a emergente equipe britânica. Mas lesões de alguns de seus principais atletas acabaram por deixar a equipe fora do pódio no ano passado.

 

QUEM REPRESENTA O BRASIL?

Classificados pela primeira vez na história com uma equipe completa, os meninos do Brasil já começam os jogos fazendo história em casa. No ano de 2014 eles já haviam conquistado um lugar na final pela primeira vez em mundiais. O feito precisava ser repetido novamente ano passado para que a vaga viesse de forma direta, sem precisar da repescagem. E ela veio. Como o Brasil teria poucas chances de uma medalha por equipes, o foco para as Olimpíadas da comissão técnica foi nas maiores possibilidades de medalhas. Assim foram chamados para compor a equipe os generalistas (que competem em todos os aparelhos) Sérgio Sasaki, Arthur Nory e Francisco Barreto, e os especialistas Arthur Zanetti (argolas) e Diego Hypolito (solo e salto).

Brigam com o Brasil por uma vaga na final as equipes da Ucrânia, Suíça, Alemanha e Coreia do Sul. Mesmo menos forte na prova por equipes, os ginastas têm totais condições de garantirem mais uma vez a final pelo terceiro ano consecutivo em um grande evento. O guia aposta que os ginastas estarão sim na final que será disputada no dia 08 de agosto. Já as chances de medalha, são baixas

DIEGO GINASTICA ARTISTICA

 

PALPITE DO GUIA:

Ouro: Japão

Prata: China

Bronze: Grã-Bretanha

Brasil: oitavo lugar

 

FEMININO

INDIVIDUAL GERAL

Simone Biles é de longe o principal nome da ginástica feminino atualmente. Ela é também de longe e por muito a grande favorita para a medalha de ouro no individual geral. Tricampeã mundial na prova, Simone chega ao Rio com uma vantagem tão grande para as outras adversárias que mesmo que sofra uma queda, muito provavelmente ainda levará ao ouro. Sua maior rival neste ciclo era a romena Larisa Lordache, mas essa acabou perdendo a vaga romena para Catalina Ponor. Sendo assim, sua principal rival deve ser a outra americana que chegar até a final do individual geral. Podendo ser Gabrielle Douglas, Alexandra Raisman ou Lauren Hernandez.

Brigam pelo pódio a chinesa Shang Shunsong, a suíça Giulia Steingruber, as russas Angelina Melnikova e Aliya Mustafina e a brasileira Rebeca Andrade. Correndo por fora estão a canadense Ellie Black, a britânica Rebecca Downie e a brasileira Flávia Saraiva.

simone biles

QUEM REPRESENTA O BRASIL E QUAIS SUAS CHANCES?

O principal nome do Brasil para as Olimpíadas no individual geral para o Brasil é Rebeca Andrade (foto). A ginasta de 17 anos era uma das principais apostas do Brasil para o mundial do ano passado, mas devido a uma lesão, acabou ficando de fora dos jogos. Novamente em forma, Rebeca conta com um salto bem forte e boas provas de assimétricas e solo para tentar surpreender suas concorrentes.

rebecca

Flávia Saraiva foi medalhista de prata na Olimpíadas da Juventude de 2014. Apesar de ter provas mais simples do que as concorrentes no solo, assimétricas e saltos, Flávia conta com uma ótima execução ao seu favor, além de uma das melhores traves do ciclo.

Rebeca Andrade em um bom dia, acertando suas séries pode pegar uma medalha. Mas nossa aposta mais realista para os jogos é a quinta colocação para ela. Já Flávia Saraiva tem condições de estar entre as oito na final que será disputada no dia 09. As chances de medalha são de médias a baixas.

 

SALTO

 

QUEM CHEGA FORTE AO RIO:

Os pódios do salo no último ciclo olímpico  foi dominado por Estados Unidos, Coréia do Norte e Rússia, tendo Simone Biles, Hong Um-Jong e Maria Paseka como os principais destaques dos respectivos países. A norte-coreana (foto), campeã olímpica em 2008, foi a que mais se destacou das três, conquistando ouro, prata e bronze nos três últimos mundiais. A russa é a atual campeã mundial do salto e conseguiu o feito realizando os mesmos saltos da norte-coreana durante o último campeonato, mas com uma execução melhor. Simone Biles conseguiu uma medalha de prata e duas de bronze no aparelho durante o ciclo e vem preparando um salto mais complexo para o Rio.

Quem também promete se destacar no salto é a suíça Giulia Steingruber que é presença constante nas finais do aparelho. A veterana em Olimpíadas Oksana Chusovitina e a indiana Dipa Karmakar também merecem atenção

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QUEM REPRESENTA O BRASIL E QUAIS AS CHANCES?

O Brasil tem na equipe uma grande especialista no aparelho. Jade Barbosa, que já foi finalista olímpica no salto, tem também um bronze no mundial de 2010, e outras várias finais. Com as diversas lesões enfrentadas no atual ciclo, Jade Barbosa acabou por não realizar o segundo salto nas competições que disputou, ficando assim de fora da disputa do aparelho (a nota é dada com a média de dois saltos). Já recuperada, Jade já disse em entrevistas que voltará a treinar um segundo salto visando uma final. Outra ginasta forte brasileira no aparelho é Rebeca Andrade, que antes de romper os ligamentos do joelho tinha entre os seus saltos um ótimo Amanar, mesmo salto realizada pelas favoritas.

Caso consiga recuperar o seu segundo salto, Jade Barbosa passa a ser uma forte candidata a vaga na final do salto. O nível no aparelho cresceu muito em relação aos jogos passados, mas com a boa execução que possui, Jade pode conseguir voltar a uma final olímpica depois de oito anos. Em caso de final uma medalha para seria muito difícil, mas em finais tudo pode acontecer. Já Rebeca Andrade vinha sendo apontada como uma possível medalhista olímpica, mas com sua lesão muita coisa mudou. Não é possível afirmar ou não se Rebeca fará um segundo salto nos jogos, mas se fizer passa a ser uma concorrente a vaga na final. As chances de medalha são baixas.

jade barbosa

PALPITE DO GUIA:

Ouro: Simone Biles (EUA)

Prata: Maria Paseka (Rússia)

Bronze: Hong Um-Jong (Coreia do Norte)

 

ASSIMÉTRICAS

QUEM CHEGA FORTE AO RIO:

Imprevisibilidade. Essa talvez possa ser apontada como a característica mais forte da prova de barras assimétricas. Para se ter uma ideia, no último mundial foram simplesmente quatro campeãs. Sim, quatro ginastas ficaram rigorosamente empatadas (foto, inclusive nas casas decimais, na medalha de ouro. As russas Viktoriia Komova e Daria Spiridonova, a americana Madison Kocian e a chinesa Fan Yilin somaram 15.366 e formaram aquele que pode ser considerado um dos pódios mais surpreendentes da história. As russas e as chinesas são as mais fortes no aparelho, assim outras ginastas desses países também podem brilhar, como a chinesa Cheng Shunsong e a russa Alya Mustafina, atual campeã olímpica e medalhista de bronze em 2013. Britânicas e alemãs tem no aparelho sua principal força e assim também devem brigar por vagas na final.

empate quadruplo

As melhores nos últimos quatro anos:

Os pódios nos mundiais do período foram marcados por uma alta rotatividade, tendo apenas Daria Spiridonova e a chinesa Huang Huidan medalhado em dois mundiais do ciclo. Assim, podemos destacar várias ginastas  além das duas que se sobressaíram nesse período. Aliya Mustafina conquistou o bronze no mundial de Antuérpia em 2010 e sempre foi constante acima dos 15 pontos, nota que garante final em qualquer competição em que ela disputar. Shang Sunsong apesar de não ter ido ao pódio em nenhum dos mundiais conta com uma das séries mais fortes do mundo e tem ao seu lado a ótima execução, marca sempre presente nas chinesas. Uma das atuais campeãs mundiais, Madison Kocian é a representante americana nesse que é o pior aparelho dos Estados Unidos. Fan Yilin manteve a tradição chinesa no aparelho e conseguiu assegurar um dos ouros de 2015. Viktoria Komova após dois anos de ausência em competições internacionais retornou em 2015 com mais um ouro para o currículo. Completam a lista das medalhistas mundiais a campeã de 2013, a chinesa Yao Jinnan e as americanas Kayla Ross e Simone Biles.

 

QUEM REPRESENTA O BRASIL E QUAIS SUAS CHANCES?

No aparelho mais fraco da equipe feminina do Brasil o destaque fica por conta de Rebeca Andrade. Com notas constantes na casa dos 14.5, Rebeca precisará aumentar a nota de dificuldade e de execução para tentar um final no aparelho, ainda que essa final seja pouco provável de acontecer. As chances de medalha são baixas.

PALPITE DO GUIA

Ouro: Fan Yilin (China)

Prata: Aliya Mustafina (Rússia)

Bronze: Daria Spiridonova (Rússia)

 

TRAVE

Quem chega forte ao Rio:

Mais uma prova em que Simone Biles surge como favorita, mas aqui a tendência é que seja mais equilibrada a disputa. Dona de uma consistência e concentração bem acima da média no aparelho, é difícil imaginar a ginasta americana de fora do pódio em agosto. O único ouro da trave que escapou de Biles nos últimos três mundiais foi conquistado por Aliya Mustafina. A russa conta com várias ligações de elementos na trave que fazem subir sua nota. Com ótima execução e um alto grau de dificuldade, a chinesa Chang Shunsong também promete dar trabalho para Biles, mas para isso precisa melhor sua consistência. Uma das favoritas ao ouro no mundial passado, Shunsong caiu durante a fase de qualificação e sequer chegou à final. De volta de uma aposentadoria que a deixou longe da ginástica por quase três anos, Catalina Ponor tenta apagar na trave o fiasco romeno de não ter classificado uma equipe completa para o Rio. Também vem da trave a melhor chance de medalha do Brasil no feminino. Flávia Saraiva, que encanta torcida e jurados por sua simpatia e tamanho, tem uma ginástica plástica e uma prova de alto grau de dificuldade e boa execução. As irmãs gêmeas holandesas Sanne e Lieke Wavers e as demais integrantes da equipe americana também merecem sua atenção.

QUEM REPRESENTA O BRASIL E QUAIS AS SUAS CHANCES?

As melhores chances de finais para o Brasil estão com Flávia Saraiva (foto) e Daniele Hypolito. Caçula da equipe, Flávia é apontada como uma das concorrentes direta pelo pódio. Já a veterana que disputará sua quinta olimpíadas subiu o nível de dificuldade de sua prova e também a execução. Em um bom dia Dani pode sim conseguir uma vaga na final. Jade Barbosa corre por fora. As chances de medalha são boas

flavia saraiva

Palpites do guia:

Ouro: Simone Biles (EUA)

Prata: Shang Shunsong (China)

Bronze: Flávia Saraiva (Brasil)

 

SOLO

QUEM CHEGA FORTE AO RIO?

Mais uma prova, novamente Simone Biles. O nome do ciclo no aparelho, a americana simplesmente ganhou os três mundiais do ciclo no solo e com uma boa vantagem para a segunda colocada. No Rio a americana apostará no samba para levantar a galera e confirmar seu favoritismo absoluto no aparelho. A também americana Alexandra Raisman, que tirou dois anos para descansar, voltou aos mundiais ano passado e apesar de ter ficado de fora da final do aparelho, segue sendo a favorita a medalha de prata devido a seu alto grau de dificuldade e boa execução.

Destaques também para as fortes provas da chinesa Shang Shunsong, a suíça Giulia Steingruber e as britânicas Claudia Fragapane e Rebecca Downie. Voltando a competir este ano, a romena Catalina Ponor já vem conquistando excelentes notas e é outra postulante a uma vaga na final. Apesar de não conter tanta dificuldade, as provas muito artísticas da holandesa Eithora Thorsdotir e da brasileira Flávia Saraiva merecem sua atenção. E quem pode surpreender é a brasileira Rebeca Andrade. Ausência sentida será a da atual vice campeã mundial, a russa Ksenia Afanasyeva, que após sucessivas lesões acabou cortada do Rio e anunciou sua aposentadoria. Como podemos notar, uma vaga para a final será bastante concorrida.

BILES SOLO 

 

QUEM REPRESENTA O BRASIL?

Recuperada da lesão, Rebeca Andrade conseguiu recuperar também sua prova de solo. Apontada por muitos como uma provável finalista no mundial de 2015, a lesão acabou adiando esse sonho. Segundo Georgette Vidor, a ginasta do Flamengo vem realizando provas em treinamentos com uma boa execução e um bom grau de dificuldade. Isso deve render a ela uma vaga na final..Quem também vem trabalhando nas dificuldades e corre por fora nessa briga é Flávia Saraiva. Se tudo correr bem, Rebeca Andrade estará na final. As chances de medalha são baixas

 

Palpites do guia:

Ouro: Simone Biles (EUA)

Prata: Alexandra Raisman (EUA)

Bronze: Giulia Steingruber (Suíça)

 

EQUIPES FEMININA

QUEM CHEGA FORTE AO RIO?

Atual campeã olímpica, a equipe feminina dos Estados Unidos (foto) chega novamente como a grande favorita ao título e promete não dar chances às rivais nessa missão. Lideradas por Simone Biles e contando ainda com Gabby Douglas, as americanas não perdem uma competição oficial desde 2010, quando ficaram atrás da Rússia. Equipe mais próxima de ameaçar a hegemonia das americanas, as chinesas também tiveram um ótimo ciclo olímpico, tendo conquistado por dois mundiais consecutivos a medalha de prata. Ausente no pódio do último mundial após várias falhas na final, a equipe da Rússia deve chegar com força ao Rio contando com a volta de Alya Mustafina e a estréia da novata Angelina Melnikova. Fique de olho também na forte equipe britânica, desbancou a Rússia no mundial ano passado (disputado em casa), na equipe japonesa e na brasileira.

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QUEM REPRESENTA O BRASIL E QUAIS AS CHANCES?

O Brasil terá como primeiro foco no Rio voltar a disputar a final por equipes em uma grande competição internacional, algo que não consegue fazer desde a final de Pequim 2008. A equipe que deverá ser formada por Daniele Hypolito, Jade Barbosa, Lorrane dos Santos, Flávia Saraiva e Rebeca Andrade é um misto de juventude e experiência, o que contribui para formar aquela que pode se tornar a melhor equipe brasileira em Olimpíadas.

No mundial de 2015, o Brasil ficou de fora da final por apenas meio ponto, mas naquela ocasião Jade Barbosa retornava de lesão e não contava com Rebeca Andrade que havia rompido os ligamentos do joelho. No Evento Teste que serviu de classificação para os jogos, realizado no Rio neste ano, o Brasil competiu completo pela primeira vez e as meninas mostraram o que podem fazer. Levaram a medalha de ouro e a pontuação obtida teria levado a equipe para o quarto lugar nas classificatórias do mundial de 2015, atrás das britânicas e a frente das russas. Com as ginastas em forma e com as dificuldades que devem ser acrescidas em suas séries até os jogos, a equipe deverá brigar por um top 5 nas Olimpíadas. Medalha apesar de pouco provável, não será impossível.

 

Apostas do Guia:

Ouro: Estados Unidos

Prata: China

Bronze: Rússia

 



Paulistano, 27 anos, deixou a publicidade e o marketing esportivo para ingressar no jornalismo e conseguir cobrir grandes eventos esportivos. Apaixonado por esportes olímpicos e futebol americano, sonha em estar no Rio de janeiro em 2016 para cobrir os Jogos Olímpicos in loco.