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Brasileiro troca Europa pela África e fica perto de disputar Mundial de Clubes

O zagueiro Ricardo Nascimento optou por um caminho incomum no futebol, e que lembra os navegadores portugueses do século XV: deixou a Europa, parou no sul da África e pode seguir para a Ásia. É que, em junho, o brasileiro trocou a Académica de Coimbra pelo Mamelodi Sundowns, da África do Sul, e está perto de disputar o Mundial de Clubes no Japão.

Redação Torcedores
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Crédito: Divulgação/Site oficial Mamelodi Sundowns

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O atalho para o torneio da Fifa foi uma das razões para Ricardo fazer o caminho inverso de quem se destaca no futebol africano. Foi o que o brasileiro explicou em entrevista exclusiva ao Torcedores.com.

Segundo o ex-jogador de Rio Branco-SP e Astra Ploiesti, da Romênia, o que o levou ao clube de Pretória foi a possibilidade de ser campeão da Liga dos Campeões da África.

Na competição continental, o Sundowns passou para as semifinais como primeiro colocado de seu grupo e enfrentará o Zesco United, de Zâmbia, por uma vaga na decisão.

A adaptação ao novo país parece estar mais adiantada fora de campo. O baiano de Ilhéus já se mudou com a esposa para uma casa em Joanesburgo, cidade vizinha à capital administrativa da África do Sul.

Nos gramados, porém, Ricardo ainda tem dificuldades com os idiomas. A África do Sul tem 11 línguas oficiais, entre elas inglês, afrikaans e xhosa. O zagueiro de 29 anos não fala nenhuma delas: “Mas futebol é uma língua universal e logo a gente se entende”.

Para sua sorte, o brasileiro foi bem recebido pelo colombiano Leonardo Castro. O atacante foi um artilheiros do Sundowns na última temporada e acabou virando um grande amigo de Nascimento.

Além disso, outra característica pode ajudar o baiano a se sentir em casa: o Mamelodi Sundowns usa um uniforme igual ao da seleção pentacampeã. Não à toa, é apelidado de “Brazilians” (brasileiros, em inglês).

Com a situação do visto de trabalho resolvida, o zagueiro poderá, enfim, fazer sua estreia oficial pelo clube de Pretória. Sua primeira partida deverá acontecer no próximo domingo, quando sua equipe receberá o SuperSport United pela Copa MTN 8.

Confira a entrevista completa com o zagueiro Ricardo Nascimento:

Torcedores.com: A minha primeira pergunta é sobre a sua ida para o Sundowns, um time conhecido por comprar muito e bem. Como você entrou na mira deles?

Ricardo Nascimento: Já fazia um ano que eles tinham me procurado, mas não tinha dado certo porque meu ex-time não permitiu. Daí, acabou meu contrato com a Académica e voltamos a conversar.

T: E o que te atraiu no projeto do Sundowns, a ponto de fazer você optar por sair da Europa?

R: Foi a possibilidade de jogar a Liga dos Campeões da África, ser campeão e disputar o Mundial.

T: Depois de passar em primeiro do grupo, como você vê as chances do time na Champions?

R: Agora começa um campeonato diferente. É mata-mata, não podemos cometer erros. Mas, vejo o Sundowns com muita chance, igual às outras equipes.

T: Falando um pouco de África do Sul, quais as características do futebol daí? Sentiu alguma dificuldade nos primeiros meses?

R: Sim, é um pouco diferente. Um futebol mais de transições diretas. Portugal é mais tático, mais posicionamento.

T: Quem vai à África do Sul ouve todo tipo de idioma na rua. Inglês, afrikaans, xhosa… E como é dentro de campo? Como tem sido a comunicação com os companheiros?

R: Pois é, o começo está um pouco difícil, pois não falo nenhum desses idiomas. Mas futebol é uma língua universal e logo a gente se entende.

T: Você conversa muito com o colombiano Leonardo Castro então?

R: Sim, é um amigo que me ajuda muito.

T: E a adaptação fora de campo? Já achou uma casa?

R: Foi uma surpresa para mim, Joanesburgo é uma cidade muito boa. Vim com minha esposa e já estamos em uma casa.

T: Está adaptado à gastronomia daí? Para brasileiro, é estranho ver tanto prato com abacate!

R: Ainda não. Graças a Deus, minha esposa cozinha muito bem.

T: Voltando ao futebol, entrevistei o Keagan Dolly durante a Olimpíada. Ele disse que, chegando uma oportunidade da Europa, aproveitaria. Pelo que você vê por aí, acha que ele fica para essa temporada?

R: É um jogador muito bom, um dos capitães da equipe. Não sei se o Sundowns vai liberá-lo tão facil.

T: O técnico do Sundowns, Pitso Mosimane, já foi assistente do Carlos Alberto Parreira e do Joel Santana na seleção. Como tem sido sua relação com ele? Essa passagem dele com técnicos brasileiros ajuda de alguma forma?

R: Tem sido muito boa, estou tentando o mais rápido aprender a filosofia de trabalho dele. E sim, ele gosta muito de brasileiros.

T: E como é essa filosofia?

R: Gosta muito de equipe que tem posse de bola e seja muito agressiva.

T: Você está perto de jogar um Mundial, veste um uniforme igual ao do Brasil… Ainda sonha com a seleção?

R: Sim, é muito parecido mesmo. Isso é um sonho muito distante, pra não falar impossível. Mas sempre sofrendo pela nossa seleção (risos).

T: Bom, para fechar, eu queria saber se você pretende voltar a jogar no futebol brasileiro. E se tem algum clube ao qual você daria preferência.

R: Gostaria muito de jogar no Brasil, mas acho difícil agora. Um time que gosto muito é o Santos.