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Conversamos com Ty, do Grêmio, dono de um dos perfis mais interessantes do Rio 2016

Tyroane Sandows é um dos 11.519 atletas inscritos na Olimpíada do Rio de Janeiro e, por sinal, dono de uma das biografias mais curiosas do evento. Nasceu em Joanesburgo, mora no Brasil há dez anos, fala português com sotaque paulista e é membro da seleção de futebol sub-23 da África do Sul. Ty, como é conhecido por aqui, conversou com o Torcedores.com e falou de assuntos como o duelo contra os brasileiros e os planos para o futuro.

Redação Torcedores
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Crédito: Reprodução/Twitter oficial Tyroane Sandows

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O atacante chegou ao São Paulo em 2006 e defende o Grêmio desde 2014. Pelas seleções sul-africanas de base, disputou Copa das Nações Africanas Sub-20 de 2015. No torneio, o gremista foi um dos destaques da equipe e entrou para o time ideal da competição.

Na primeira rodada do Rio 2016, os Amaglug-glug enfrentaram justamente o Brasil. No entanto, Ty não saiu do banco no estádio Mané Garrincha. Segundo o técnico Owen da Gama, o “brasileiro” da África do Sul entraria em campo, mas a expulsão de Mothobi Mvala, no segundo tempo, o forçou a adotar uma postura mais cautelosa.

Em vez de lamentar pela chance que não recebeu, o atleta de 21 anos preferiu exaltar o jogo coletivo dos companheiros, que tiveram ótima atuação e seguraram um empate em 0 a 0.

“Sabíamos que seria um jogo difícil. Obviamente, ter um homem a menos complicou as coisas. Porém, acho que, como time, fomos capazes de lidar com a situação. Conseguimos nos adaptar ao jogo e defendemos bem, além de criar oportunidades. Foi um grande resultado contra um dos favoritos ao título”, afirmou.

Na partida de Brasília, o adversário contava com alguns nomes conhecidos de Ty: o volante Walace e o atacante Luan, ambos do Grêmio. Segundo o sul-africano, não foi preciso dar dicas sobre os companheiros de clube.

“Não preciso dar dicas. Temos pessoas em nosso staff que já haviam analisado o Brasil. Então, não precisei falar nada para ninguém. Porém, todo mundo sabe que o Brasil tem jogadores brilhantes, capazes de superar um, dois, três adversários de uma vez. Precisávamos jogar de forma compacta, como um time, para tentar minimizar o talento individual desses jogadores. Fizemos isso, e conseguimos o empate. Então, acabou sendo um bom resultado”, explicou.

Ty fala três idiomas: inglês, afrikaans e um português sem erros. A afinidade com o Brasil parece ter virado uma aliada em sua carreira. Afinal, o técnico da seleção olímpica sul-africana se entusiasma quando fala sobre o atacante. Segundo Owen da Gama, o gremista já pensa, dentro de campo, como um jogador brasileiro.

Com o grupo, o relacionamento também é bom. E o entrosamento com o grupo ficou ainda mais fácil com a presença do meia Keagan Dolly. Destaque da equipe no Rio 2016, o capitão é amigo de infância de Tyroane.

Com a vida dividida entre os dois países, o jogador do Grêmio ainda fica sem jeito quando perguntado se ainda alimenta esperanças de defender a seleção principal do Brasil.

“No momento, vou deixar isso em aberto. Apenas Deus sabe do futuro. Obviamente, vou ver o que acontece. Se a porta do Brasil se abrir, vamos ver. Se a porta da África do Sul abrir, vamos ver”, disse.

Certo mesmo é o desejo de atuar no futebol europeu dentro de alguns anos. Porém, como no caso da escolha da seleção, Ty mostra cautela e entende que não é uma decisão para ser tomada rapidamente.

“Desde o começo nas categorias de base você alimenta o desejo de jogar na Europa. Você vê as pessoas jogando lá, atuando na Liga dos Campeões. Claro que é um sonho, mas acho que você precisa ter muito cuidado neste processo. Você tem que se preparar e só ir quando estiver preparado. Prepare-se e tente ser transferido quando achar que tem a maturidade necessária para se adaptar. Caso contrário, você pode chegar na Europa, não se adaptar e acabar não indo bem. Quando o momento certo chegar, vai acontecer. E espero que ele chegue daqui a uns dois ou três anos”, concluiu.

Ainda sem atuar no Rio 2016, Ty poderá fazer sua estreia na terceira rodada do torneio olímpico. A África do Sul enfrentará o Iraque na quarta-feira, às 22h, em São Paulo.