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Duda Amorim fala sobre Rio-2016 e ciclo rumo a Tóquio: “medalha olímpica continua sendo um sonho”

Os Jogos Olímpicos Rio-2016 deixou um importante legado para o handebol brasileiro. Apesar de dois resultados adversos nas quartas de final, a modalidade alcançou resultados que antes não eram imagináveis. Para Duda Amorim, ficou a frustração de não conquistar a primeira medalha para a modalidade em Olimpíadas. Porém, mantém vivo o sonho de uma conquista olímpica e o desejo de seguir no novo ciclo rumo a Tóquio-2020.

Redação Torcedores
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Crédito: Divulgação/CBHb

Duda Amorim, um dos principais nomes do handebol brasileiro da história, falou com exclusividade para o Torcedores.com sobre a experiência na olimpíada do Rio de Janeiro.

Sempre sincera e esperançosa, falou abertamente da tristeza na derrota para a Holanda e avaliou as críticas que recebeu após a partida. Além disso, deu seus pitacos sobre o cenário da modalidade no Brasil, o caminho rumo à Tóquio-2020 e avisou: “A medalha olímpica continua sendo meu sonho. Se a Seleção ainda me quiser estarei lá”. Confira abaixo a entrevista completa com Duda Amorim.

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TORCEDORES.COM: Olá, Duda. Recentemente você disse ao Torcedores.com que faltava uma medalha olímpica ao seu currículo e também para o handebol brasileiro. Qual o sentimento de não conseguir esse feito jogando no Brasil?
DUDA AMORIM: O sentimento é que tenho que continuar tentando. Lógico que ainda estou com o coração em trinta mil pedaços, mas fiz tudo que podia para estar ali. Eu não tenho outra saída a não ser trabalhar mais e continuar a luta, não importa o quão cansada estou de lutar. Eu acredito que essa não será uma conquista apenas pro meu currículo, e sim pro handebol brasileiro. Ver o ginásio cheio me encheu de gratidão e também me deu motivação que um dia nossa hora vai chegar.

Na mesma entrevista, você citou a sequência de trabalho, já que vinha em final de temporada europeia, e a pressão de jogar dentro de casa como dificuldades no caminho brasileiro. Algum desses fatores pesaram no Rio?
Tivemos algumas dificuldades, mas não foi nem cansaço, muito menos jogar em casa, na minha opinião. Nossa maior dificuldade foi ter consistência nos jogos, principalmente na defesa. Conseguimos apresentar um handebol de excelência apenas nos dois primeiros jogos, depois faltou confiança e mais momentos de coletividade.

Classificadas em primeiro, fizeram uma campanha invejável e avançaram com favoritismo diante da Holanda. Após a derrota, pode-se dizer que estava certo Morten, que disse antes dos jogos que doze equipes disputavam em condições iguais, ou naquela partida o favoritismo deveria prevalecer?
Na verdade não existia favoritismo. Falamos desde o início que qualquer equipe poderia chegar ao pódio. Nas quartas de final eram duas equipes com chances iguais de vitória. E todo esse campeonato foi muito igual, com vários resultados “surpresas”, assim como nos recentes campeonatos femininos. O resultado dependia de quem estava melhor naquele dia.

Duda sofre diante da dura marcação Holandesa. Equipe brasileira não foi bem e caiu diante da seleção europeia nas quartas, adiando o sonho da medalha olímpica. Divulgação/CBHb

Duda sofre com a dura marcação Holandesa. Equipe brasileira não foi bem e caiu diante da seleção europeia nas quartas, adiando o sonho da medalha olímpica. Divulgação/CBHb

Como avalia o seu rendimento durante a Olimpíada? Faltou aparecer a Duda Amorim melhor do mundo num momento decisivo? Considera as críticas justas ou não?
As críticas positivas ou negativas são normais, fazem parte. Vivo com isso todo jogo e todo campeonato. As pessoas têm o direito de se expressar. Todo atleta tem que ter um filtro, tanto para não se abater demais com as críticas ruins, quanto para não se deixar engrandecer demais com as boas, principalmente quando estamos expostos a um nível de audiência gigantesco, como numa Olimpíada. Por exemplo: às vezes esperam que eu faça muitos gols, mas minha função primordial dentro de quadra é defender, armar e finalizar determinadas jogadas, fazer assistências, clarear o jogo ofensivo junto das demais armadoras e dar sustentação defensiva. Enfim, ajudar em todas as fases do jogo, e não só em uma. Toda atleta tem uma função, é um jogo coletivo e se é melhor do mundo ou não, nada depende de uma só jogadora. Na verdade, procuro dar mais atenção àquelas críticas positivas ou negativas de quem trabalha diretamente comigo, quem acompanha meu trabalho e sabe do meu dia a dia, das dificuldades, dos desafios… Eu me doei de corpo e alma a essa Olimpíada, como todas no meu time, e nem sempre as coisas saem como desejamos. O esporte é assim.

Mesmo com resultados adversos no masculino e no feminino, foi evidente o avanço do nosso handebol. Podemos cravar que deixamos de ser uma promessa e nos tornamos potência na modalidade?
Ainda não, infelizmente no Brasil precisa se trazer uma medalha pra ter uma mudança drástica. E lógico, dar uma continuidade do trabalho. Lógico que tivemos um retorno muito positivo no sentido de que muitas pessoas se interessaram mais pelo handebol, e muitas crianças agora vão começar na modalidade por causa da gente. Mas pra virarmos uma potência ainda está longe, potências são vários ciclos de sucesso. Como a Noruega, por exemplo. E para ser uma potência, o handebol brasileiro precisa crescer ainda mais dentro do Brasil, ter mais apoio, mais incentivo, independentemente de medalha. Sabemos que talento e garra tem por aqui, as próprias seleções masculina e feminina mostraram isso.

Nos momentos bons e também nos ruins, a torcida brasileira empurrou a equipe de handebol na Arena do Futuro. Divulgação.

Nos momentos bons e também nos ruins, a torcida brasileira empurrou a equipe de handebol na Arena do Futuro.
Divulgação/CBHb

“Há algum tempo, o brasileiro não sabia o que era handebol. Agora sabe quem é bom ou ruim”. Essas foram as palavras de Morten quando questionado sobre a competitividade do Brasil e sobre o caldeirão que se tornou a Arena do Futuro. Podemos tirar lições e pontos positivos apesar da derrota?
Sempre, nós trouxemos o handebol a esse patamar. Não é um trabalho de hoje. E foi muito bom ver tanta gente acompanhando e acreditando na medalha como a gente. A medalha não veio, mas ficamos em quinto lugar, que é o melhor da história. Na última ficamos em sexto. Se continuar assim, mais umas duas olimpíadas e chegaremos na medalha.

Seguindo essa linha, Morten e Jordi foram dois dos grandes responsáveis por esse processo de evolução. Tivemos a confirmação da CBHb que Jordi deixa a seleção brasileira, em acerto com a Federação Espanhola. Você defende a permanência de Morten? Qual a importância dele no ciclo que passou e para o próximo?
É sempre bom ter uma continuidade no trabalho. Nós estamos acostumadas com o Morten, e apesar da derrota, ele já trouxe muitas alegrias e vitórias pro nosso handebol. Essa nossa evolução vem principalmente dele.

O capitão Thiagus Petrus criticou a administração da CBHb e como caminha o handebol e seus campeonatos dentro do país. O Brasil ainda peca nesse sentido com a modalidade?
O Brasil infelizmente não investe no handebol da maneira que o esporte merece. Ainda falta interesse da mídia pela liga nacional e faltam patrocinadores nos clubes. Como mencionei, esse cenário só iria mudar com a medalha, porque é assim que as coisas funcionam por aqui. Agora temos que ter paciência e continuar lutando.

Dara e Mayssa anunciaram após a derrota a aposentadoria da seleção. Dani Piedade também já havia garantido sua retirada. Você está próxima dos 30 anos, ainda vemos a Duda Amorim em Tóquio-2020?
Se a Seleção ainda me quiser porque não? Tenho orgulho em defender a Seleção e até o final da carreira tenho que lutar por todos os títulos possíveis. A medalha olímpica continua sendo um sonho e um objetivo.

Muitas novas e boas meninas devem compor o novo ciclo rumo aos próximos jogos. Além do elenco, o que se deve mudar, e o que se deve manter para seguirmos entre as melhores?
Se nos últimos dois campeonatos não estivemos entre os quatro, alguns fatores precisam ser melhorados. Temos que construir tudo do começo. Temos que fortificar a coletividade e confiança do grupo, por exemplo, principalmente agora que o grupo terá novas peças e precisaremos nos entrosar em pouco tempo. E lógico, todas nós atletas temos que buscar mais aprimoramento, tanto tático e físico, como mental. O últimos dois grandes campeonatos (Mundial e Olimpíada) mostraram que alguns desses fatores faltaram em momentos decisivos.