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Judoca de ouro superou racismo e depressão para brilhar nas Olimpíadas do Rio

Em um intervalo de quatro anos, Rafaela Silva trocou os palavrões após polêmica eliminação nos Jogos de Londres 2012 por lágrimas e sorrisos pela conquista da medalha de ouro nesta segunda-feira nas Olimpíadas do Rio. A judoca brasileira, alvo de racismo após o revés na Inglaterra, é hoje a melhor atleta da categoria leve (até 57 kg) após vencer Sumiya Dorjsuren, da Mongólia.

Lucas Tieppo
Editor senior do Torcedores.com, o jornalista formou-se na Universidade Metodista em 2009 e passou pelas redações do Diário do Grande ABC, Agora SP, UOL e Fox Sports, onde fez a cobertura da Copa do Mundo de 2014. Está no Torcedores desde outubro de 2014.

Crédito: on Day 3 of the Rio 2016 Olympic Games at Carioca Arena 2 on August 8, 2016 in Rio de Janeiro, Brazil.

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Cenário completamente diferente de quatro anos atrás, quando Rafaela foi punida e acabou derrotada pela húngara Hedvig Karakas na sua estreia nos Jogos.

Grande esperança de medalha, a judoca nascida na Cidade de Deus, comunidade imortalizada por Fernando Meirelles no filme homônimo, virou alvo de comentários e ofensas racistas após a derrota para Karakas – vencida pela brasileira nesta segunda no caminho para o ouro.

“Eu cheguei no quarto, peguei meu celular querendo um amparo, uma ajuda, uma mensagem e só tinha mensagem falando que lugar de macaco era na jaula, não era na olimpíada, que eu era a vergonha pra minha família, então, eu acho que doeu muito”, disse em entrevista à TV Globo.

Ao ver as ofensas, Rafaela reagiu. Primeiro, respondeu aos comentários com palavrões e novas ofensas. Depois, com a decisão de abandonar o tatame. Rafaela não queria mais estar sob os holofotes. Coube ao técnico Geraldo Bernardes e Flavio Canto, ex-judoca e criador do Projeto Instituto Reação, reverter a decisão.

O processo foi longo e contou com um período de depressão de Rafaela, revertido com sessões semanais com uma psicóloga. A judoca resgatou o desejo de lutar e conquistou o título no Mundial de judô em 2013, no RIo.

Aos 24 anos, Rafaela poderá voltar para a Cidade de Deus orgulhosa e com a medalha de no peito. Bem diferente de quatro anos atrás.

“Eu treinei muito depois de Londres para não ter o mesmo sofrimento, falaram que o judô não era para mim, era vergonha para minha família. Treinei muito e a medalha veio. Não sei se o que seria da minha vida sem o judô, poderia estar brigando na rua ainda”, disse Rafaela ao SporTV.