Opinião: futebol feminino dá audiência de Corinthians na Globo; vamos ignorar isso?

A seleção brasileira feminina de futebol conseguiu um feito histórico na última terça-feira (9). O resultado em campo nem foi bom, já que o time reserva do Brasil, já classificado, empatou em 0 a 0 com a África do Sul. O negócio foi na TV, mesmo. Segundo informações do UOL Esporte, o jogo de futebol feminino deu à Globo uma audiência semelhante ao recorde do Brasileirão em um meio de semana.

Allan Simon
Jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo. Trabalha com esportes desde 2011 e já passou por veículos como R7 (Rede Record), Abril.com, UOL Esporte e Torcedores nas funções de redator, repórter, editor e apresentador de vídeos. Experiências de coberturas em duas Copas, duas Olimpíadas, dois Pans. Atualmente, produz o Blog do Allan Simon, é colunista de Mídia Esportiva do Torcedores e colaborador do UOL.

Crédito: Foto: Bruna Muraro/Instagram

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Empatou na margem de erro com um jogo do Corinthians, time que tradicionalmente é escolhido pela emissora justamente por causa de seus índices.  Foram 26,7 pontos em São Paulo, contra 26,9 do jogo entre Atlético-PR e Corinthians, na semana anterior.

Isso não é uma mera exceção por causa das Olimpíadas. Há tempos que a seleção brasileira feminina levanta os índices de audiência de quem exibe seus jogos. No ano passado, nos Jogos Pan-Americanos de Toronto, no Canadá, foi a Record quem conseguiu faturar com a medalha de ouro das nossas jogadoras.

A Band realiza anualmente, em dezembro, o Torneio Internacional de Futebol Feminino, competição que reúne o Brasil e mais três seleções convidadas e garante índices à emissora que o futebol masculino não consegue durante o ano. Chega a alcançar, em algumas ocasiões, dois dígitos de audiência, um feito incrível para uma emissora do tamanho da Band.

O Brasileirão Feminino, que só foi criado em 2013, já atrai a atenção das maiores emissoras da TV por assinatura. Depois de passar por Fox Sports e BandSports, o campeonato foi exibido pelo SporTV nesta temporada, o canal mais assistido no gênero esportivo da TV paga.

Mas nem são flores. É inacreditável que todo esse avanço ainda seja pequeno perto do que o futebol feminino merece. Marta, nossa maior estrela na história da modalidade, tem seu nome gritado pelos estádios. É comparada a Neymar, o único craque da seleção masculina, e tem levado a melhor, embora eu não concorde com essa comparação pelo jeito que ela é feita – usando a imagem de uma mulher para menosprezar um homem, em vez de valorizar os feitos dela.

Marta joga na Europa e disputa a UEFA Women’s Champions League. A versão feminina da badalada Liga dos Campeões da Europa. E onde está essa competição? A TV paga, com suas cinco emissoras (SporTV, ESPN, Fox Sports, BandSports e Esporte Interativo), não transmite, embora tenha todo um cartel de competições masculinas que cobre até o Campeonato Belga.

O público brasileiro não tem a chance de ver as conquistas de Marta no futebol europeu porque a nossa TV paga não mostra. O futebol masculino europeu, por sua vez, tem mais exposição do que o próprio brasileiro. O Campeonato Espanhol tem todos os seus 380 jogos mostrados no país, assim como o Inglês. Para ver tudo isso do Brasileirão, só pagando pay-per-view. Para ver tudo isso em um campeonato feminino, só rezando. Até quando?