São Paulo: Saída de Bauza escancarou problemas no elenco

A saída de Edgardo Bauza do comando técnico do São Paulo evidenciou uma crise que, para muitos, já havia sido superada há tempos, a briga interna de liderança entre os jogadores. Entenda o que aconteceu, como isso foi “superado” e porquê voltou com força após a saída de Bauza do tricolor.

João Paulo Andrade
Jornalista. Gosta de abordar sobre futebol e às novidades do mundo na fórmula 1. Atualmente é analista de mídia para Honda S.A.

Crédito: Crédito de imagem: Reprodução Facebook

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Com resquícios de 2015: salário atrasado, falta de comando e diretoria envolvida em acusações de corrupção, alguns jogadores do elenco, encabeçados por Michel Bastos, Wesley, Carlinhos e Ganso tomaram para si o vestiário. E impuseram sua filosofia no comando técnico.

Até a chegada de Bauza foi conturbada, e demorou-se um para perceber o que estava acontecendo. Com a vinda de Lugano, esperava-se uma melhora, o que só agravou o problema, pois, o perfil de liderança do uruguaio, acostumado com pessoas sérias, bateu de frente com a liderança, por ego, de uma parte do elenco.

Relembre o problema entre Lugano e Michel Bastos, contado com detalhes neste link.

Crédito: Érico Leonan/ spfc.net

Crédito: Érico Leonan/ spfc.net

A União

Com a contratação de Bauza, o São Paulo dava mostras de que queria continuar com a inovação de ter um treinador estrangeiro. Isso iria contra algumas coisas que o grupo liderado pelo Michel Bastos queria. O ápice do problema foi o primeiro jogo do time, na fase de grupo, contra o The Strongest, no Pacaembu, quando o tricolor perdeu por 1 a 0.

Após aquele jogo, Luiz Cunha, diretor da base, foi chamado para comandar o clube no departamento de futebol, no lugar de Ataíde Gil Guerreiro, afastado das funções a pedido do Dr. Ópice Blum, que comanda o Conselho Deliberativo do clube, e que investiga Ataíde e a gestão do ex-presidente Aidar.

Cunha chegou e logo percebeu o problema, para quem não lembra, um grupo de jogadores estava “boicotando” outro, por assim dizer.

As saídas de Rogério, Kieza e a bronca pública de Cunha em Bastos, mostrada por TV’s, amenizou o clima internamente. Ganso e Kardec que estavam ao lado de Bastos e outros jogadores do elenco de 2015 perceberam que não adiantaria continuar com o movimento.

A verdadeira união aconteceu no jogo da volta, lá na Bolívia, quando o elenco fechou com Bauza, em prol da “união”. Lá as brigas e o passado foram esquecidos, o São Paulo tinha um time de verdade. O pacto aconteceu nos vestiário, após o jogo e a briga campal.

Maicon e Calleri

O clima era outro no CCT, churrascos e brincadeiras eram vistos constantemente após aquela partida. O desempenho também. Até que alguns problemas apareceram e escancaram uma briga interna, desta vez no comando de futebol entre Gustavo de Oliveira e Luiz Cunha.

Cunha queria afastar os jogadores aos poucos, mas Gustavo era contra. Para Gustavo, o jogador é um ativo que não pode ser desvalorizado, e um afastamento prejudicaria a imagem do produto do clube. O ápice do desentendimento foi na questão de contratações e vendas.

O São Paulo foi avisado em abril que Calleri não ficaria e que Maicon só ficaria se o clube dispusesse de R$30 milhões de reais. Nesse tempo, Cunha e Bauza pediram a Gustavo para procurar um atacante e que comprassem Maicon.

Gustavo ouviu e disse que iria resolver. O combinado era que as vendas seriam mínimas e que haveria uma reposição a altura. O negócio esquentou quando Gustavo e o São Paulo anunciaram Cueva, que a princípio, viria por empréstimo, mas o jogador chegou “comprado”, no valor de U$ 2 mi. Justamente o valor para reposição do Calleri.

Gustavo, ao que parece, não cumpriu a parte do acordo. Cunha pediu demissão por achar que o ato foi ingerência. Era a pausa do time na Libertadores.

Pintado

Pintado veio para o “lugar” de Cunha, não especificamente na direção e sim para ser um gestor de pessoas, ou melhor, de atletas. O seu nome é contestado na diretoria e no elenco. Não há um respeito por ele, pelo que apurou-se. É bancado por Leco.

No elenco, os jogadores (panela formada por Mendes,Wesley, Bastos, Carlinhos) não gostam dele, pois, Pintado logo que chegou pediu o afastamento desses jogadores por motivos de mau desempenho e por atrapalharem o ambiente.

Ali, voltava o problema enfrentado no início do ano.

Saída de Bauza

Bauza e Cunha estavam alinhados no discurso e trabalho. Mas a saída de Cunha deixou Bauza um pouco sozinho. O então treinador argentino apontou às deficiências do elenco logo que chegou, e pedia constantemente para que Ganso, Calleri e Maicon ficassem para o São Paulo almejar título. Cueva foi pedido dele, mas para compor o elenco e não ser uma solução.

Bauza pediu Buffarini e a chegada de um atacante. Mas Gustavo ignorou seus pedidos. O São Paulo começou a se desfazer de alguns jogadores que outrora foram titulares.

Kelvin, Mena, Bastos, Ganso se machucaram. Alguns foram pro sacrifício para semifinal da Libertadores. O São Paulo não se reforçou para a fase, isso deixou Bauza muito irritado.

Após a desclassificação, as saídas iniciaram. As reposições não foram para as mesmas posições e apenas Buffarini veio com aval do treinador. Chavez não era a primeira opção e viria para brigar com Kardec e não ser o substituto de Calleri.

Nesse tempo, a AFA (Associação Argentina de Futebol) procurou Bauza para treinar a seleção, e ele prontamente atendeu.

Era o início da briga de egos no elenco do São Paulo.

Jardine e Ricardo Gomes

Com a iminente saída de Bauza, um grupo de atletas procurou Gustavo e pediu para que: Com a saída de Bauza, que contratassem um técnico brasileiro. Jardine assumiria e se agradasse poderia ficar até o final do ano.

Mas o treinador interino foi avisado que não era para mexer na base do time, ou seja, em certas peças do elenco. No primeiro jogo de Jardine, ele tira alguns medalhões e coloca a garotada, ali, ele já mandou o recado e o elenco assumiu. Porém, parte dos jogadores que já foram citados, agiram.

Jardine não ficaria no cargo. Ricardo Gomes aceitou o convite e voltou ao comando do São Paulo. A entrevista de Michel Bastos na semana após o jogo contra o Botafogo expôs de fato o desejo de uma ala dos jogadores.

Divulgação/Facebook Oficial Diego Lugano

Divulgação/Facebook Oficial Diego Lugano

Jogo do Juventude

Ontem, a cena que se viu no vestiário no jogo contra o The Strongest, se repetiu, quando Lugano peitou Bastos pedindo respeito ao clube. Novamente, ontem, Maicon e Lugano, no intervalo, questionaram o posicionamento de Michel Bastos, que riu e fez piada de João Schimidt, quando Gomes avisou que iria tirá-lo.

Ainda na madrugada, as coisas não se acalmaram. Logo após a partida, Maicon abriu aos microfones os problemas, dizendo que deveria haver “caráter” e “honra”, e que a diretoria deveria tomar uma atitude.

Ao que parece, Carlinhos foi afastado, e que Michel Bastos também o será.

Nesse meio tempo, Ricardo Gomes, ainda no vestiário, tomou partido do lado de Maicon e Lugano. Gustavo de Oliveira saiu “escoltado” do Morumbi, onde foi muito xingado.