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PAPO TÁTICO: Como o City de Pep Guardiola superou o United de José Mourinho em Old Trafford

Talvez esse fosse o confronto mais esperado desse início de temporada na Premier League, o famoso e disputado Campeonato Inglês. Rivais históricos no Barcelona e no Real Madrid, Pep Guardiola e José Mourinho se reencontravam mais uma vez, só que no gramado do Old Trafford, no “derby” de Manchester, um no comando do United e o outro no comando do City. E quiseram os deuses do futebol que os visitantes rissem por último. Com uma bela atuação coletiva e uma tarde inspirada de De Bruyne e Fernandinho, os Citzens venceram os Red Devils por dois a um e mantiveram os cem por cento de aproveitamento na competição. É bem verdade que a qualidade do jogo disputado em Old Trafford passou um pouco longe da expectativa dos torcedores (que aguardavam mais uma aula de futebol moderno). No entanto, o reencontro entre Guardiola e Mourinho trouxe um duelo tático interessante que merece a nossa atenção.

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Crédito da foto: Reprodução / Facebook / Premier League

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Quando as escalações das duas equipes foram anunciadas, poucas pessoas se surpreenderam com os nomes escolhidos pelos treinadores para iniciar a partida. Mourinho apostava no 4-2-3-1 com Rooney centralizado (logo atrás de Ibrahimovic) e Lingard e Mkhitaryan abertos. Do outro lado, Guardiola organizava sua equipe no usual 4-1-4-1, com De Bruyne e David Silva armando o jogo mais atrás, Fernandinho iniciando a saída de bola e Sterling e Nolito acelerando o jogo pelos lados do campo. Mesmo sem fazer a “inversão da pirâmide” dos tempos de Barcelona e Bayern de Munique (os laterais Sagna e Kolarov estiveram mais contidos no apoio do que o costume), os Citzens aproveitaram a qualidade do seu meio-campo (além do desentrosamento e as falhas defensivas do United) para tomar conta da partida e abrir dois gols de vantagem com De Bruyne e o nigeriano Iheanacho. A média de setenta por cento de posse de bola era a prova da excelente atuação coletiva e da superioridade técnica dos comandados de Guardiola sobre o time comandado por José Mourinho.

O City soube explorar o desentrosamento e as falhas defensivas do United jogando no 4-1-4-1 preferido de Guardiola. A força no meio-campo e a pressão na saída de bola afundaram o 4-2-3-1 de Mourinho.

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Mas como um certo jogador brasileiro disse, “clássico é clássico e vice-versa”. Os Red Devils chegaram ao empate no finalzinho do primeiro tempo, aproveitando uma falha do goleiro Claudio Bravo, escolha pessoal de Guardiola em detrimento do inglês Joe Hart por saber “jogar com os pés”. Depois de cobrança de escanteio, o chileno cortou mal o cruzamento (com as mãos) e Ibrahimovic acertou um belo chute para diminuir a vantagem do City. Bravo ainda teve tempo para entregar mais uma nos pés do sueco, mas se recuperou a tempo. Era a senha para os Red Devils voltarem para o jogo e para Mourinho mexer no time: Lingard e Mkhitaryan saíram para as entradas de Rashford e Ander Herrera. O 4-2-3-1 foi mantido, mas com Rooney vindo ocupar o lado direito da linha ofensiva. Guardiola percebeu que seu time perdia o meio-campo e trocou Iheanacho pelo volante Fernando e Sterling por Leroy Sané para explorar os contra-ataques. E Claudio Bravo seguia dando sustos na saída de bola.

Pouco depois do gol bem anulado de Rashford (o sueco Ibrahimovic desviou a bola em impedimento) e de De Bruyne (o melhor em campo) acertar a trave de De Gea, Mourinho arriscou tudo com a entrada de Martial no lugar do lateral Shaw, rearrumando o United numa espécie de 3-2-5 descoordenado e desorganizado, mas ainda assim perigoso nas tramas ofensivas. Nos minutos finais, todos aqueles que esperavam mais uma demonstração do chamado “futebol moderno” se depararam com um verdadeiro “abafa” (bem nos moldes do futebol inglês dos anos 1970 e 1980) do United em cima de um City que se defendia com bravura, apostando numa linha de cinco defensores com o argentino Zabaleta na vaga do meia De Bruyne. Melhor para os comandados de Guardiola, que ficaram com os três pontos e ainda ameaçaram com Nolito e Sané aproveitando a indecisão de Blind no lado esquerdo da defesa.

Enquanto o City se fechava na defesa com cinco jogadores, o United tentava o empate na base do “abafa” com até cinco atacantes. Melhor para Pep Guardiola, que venceu mais um duelo com José Mourinho.

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A boa atuação do City garantiu os cem por cento de aproveitamento no Campeonato Inglês e o aumento da confiança em torno do trabalho de Pep Guardiola depois das críticas sofridas após deixar o Bayern de Munique. O meio-campo formado por Fernandinho, David Silva e De Bruyne (ex-jogador de Mourinho no Chelsea) talvez seja o maior trunfo do espanhol no comando dos Citzens. Os três conseguem aliar a excelente qualidade no passe e na criação das jogadas com boa marcação e excelente posicionamento defensivo. Em tempo: não é nenhum exagero afirmar que Fernandinho pode ser uma boa opção para substituir Paulinho no meio-campo da Seleção Brasileira. Do outro lado, José Mourinho tem um grande elenco à disposição, mas ainda precisa vencer o desentrosamento do grupo e encontrar a melhor formação para o time. Uma coisa é certa: Rashford não pode ser reserva nesse time.

O famoso “derby” de Manchester trouxe bem menos pompa e circunstâncias do que o esperado pelos torcedores e pela imprensa esportiva internacional. O objetivo puro e simples era a conquista dos três pontos na tabela do Campeonato Inglês e só. E vale lembrar também que, apesar das conhecidas dificuldades da competição, tanto o City como o United só serão testados de verdade na Liga dos Campeões e na Liga Europa, onde será exigido o máximo de cada equipe. Aí sim poderemos ver até onde irão José Mourinho e Pep Guardiola no comando dos grandes de Manchester.