Opinião: F1, Interlagos, Massa. História.

Quais são os elementos para se fazer uma corrida histórica? Independentemente disso, Interlagos conseguiu neste domingo (13).

Fabrício Carvalho
Colaborador desde 2015 com matérias e artigos nas editorias Games (E-sports), Esportes Americanos, Automobilismo e Futebol.

Crédito: Williams Racing

Normalmente, uma corrida é considerada excelente quando ela mostra as habilidades dos pilotos envolvidos na mesma, ou então quando ocorrem batidas inesperadas, inúmeros acidentes, fatores exteriores a corrida, como chuvas, paralisações, bandeiras amarelas, vermelhas, azuis, brancas, quadriculadas. Enfim, a “receita” para uma grande corrida não envolve apenas técnica, habilidade e bom desempenho dos pilotos, pois a carga emocional também é levado muito em conta.

Por conta da introdução acima, pode-se afirmar que o GP Brasil, disputado neste domingo (13) em Interlagos, foi a melhor corrida da temporada de 2016 da Fórmula 1, seguramente. Indo além disso, foi uma das melhores corridas no automobilismo em 2016, juntamente com algumas da Nascar, da Indy, e outras várias da MotoGP. Hoje, a corrida em São Paulo conteve todos os elementos acima, e ainda mais.

Antes do início da corrida, um acontecimento incomum. Os pilotos fizeram uma volta introdutória faltando 30min para as 14h (horário marcado para o início da corrida) para testar as condições da pista. Entretanto, na última curva antes do retorno aos pits, Grosjean rodou sozinho por conta da baixa visibilidade da pista e nem largou no GP de Interlagos. Pena dele por ter perdido um excelente GP.

Tivemos a bizarra largada em safety car, após os próprios comissários de prova terem postergado o início da corrida em 10 minutos, por conta das condições da pista. Chovia por horas em São Paulo, numa intensidade que variava durante toda a corrida. Após 5 voltas sob amarela, bandeira verde. Entretanto, novos contratempos originaram novas amarelas, até termos acionamento de bandeiras vermelhas.

A primeira vermelha foi acionada depois de Palmer bater em Kyvat durante a bandeira amarela. A baixa visibilidade foi o fator principal desta batida, mas a inexperiência de Palmer possa justificar tamanha barbeiragem, mesmo debaixo de tanta chuva. Uma acertada bandeira vermelha, pois não havia corrida e sim apenas voltas numa eterna bandeira amarela. A segunda vermelha chegou quando Kimi Raikkonen perdeu o controle do carro na relargada e bateu, ficando em uma ingrata posição para outros pilotos. Público insatisfeito, vermelha justificada.

A terceira bandeira vermelha foi muito questionada por, praticamente, toda a audiência da F1. Após uma grande interrupção, os pilotos assumiram seus carros quando a chuva, nitidamente, baixou de intensidade. Entretanto, os comissários de prova resolveram acionar uma nova bandeira vermelha antes do reinício da corrida, levando todos os pilotos novamente para os boxes. Esta bandeira vermelha mostra como os comissários não consideram ver pilotos correndo sob pista molhada, algo que é comum em outras categorias. A decisão foi tão questionável que levou o público presente em Interlagos a alguns minutos de vaias, pois todos estavam sedentos por corrida.

Quando finalmente a chuva recuou, a corrida enfim começou, a partir da volta 29. Interlagos viu várias ultrapassagens a todo momento, além de estratégias de equipes diferentes. Alguns pilotos seguiam com pneus de chuva em seus carros, outros resolviam arriscar com pneus intermediários, apostando na secura da pista. Foi o caso de Felipe Massa, punido com 5seg, em seu sua penúltima corrida oficial (a última, extraoficialmente). A estratégia rendia bons tempos ao brasileiro que se despedia de Interlagos, saindo da última colocação rapidamente e buscando a zona de pontuação.

Com o avanço da corrida, começamos a ver o triunfo do piloto da corrida. Max Verstappen certamente mereceu o prêmio de “Driver of the Day”, mas desta vez não foi clichê. O piloto holandês endureceu para grandes pilotos, apresentando grande desempenho na pista. Batalhou muito e conseguiu ultrapassar Vettel, que se perdeu e saiu da pista. Com a mesma intensidade, ultrapassou Perez e assumiu a P3, de onde não saiu. Lembrando que, antes, Verstappen era P2, na parte inicial da prova, mas um erro de direção do carro o distanciou do líder Lewis Hamilton (que teve uma corrida tranquila) e fez Rosberg se aproximar, e posteriormente, ultrapassá-lo.

Interlagos também viu as escapadas de Vettel. Foram 3 durante toda a prova, talvez um piloto que estava “enferrujado” em manusear carros com pista molhada. Tivemos também Felipe Nasr obtendo um notável 9º lugar, pontuando em casa, num grande desempenho. O GP Brasil também registrou a ira de Estebán Gutierrez, que deixou a prova após rodar com seu carro e levou uma bronca do chefe de equipe, uma bronca levada ao vivo para todo o mundo. Ficou feio para Gutierrez, alguns já colocam em dúvida sua participação em Abu Dhabi.

Contudo, com toda certeza, o momento da corrida foi mesmo a rodada de Felipe Massa, que provocou o último safety car. Massa deixou a corrida e foi ovacionado por todos. O público levantou-se e gritou para ele, as equipes no paddock saíram de suas garagens para ovacionar ele, toda a Ferrari saiu e sua concentração para ovacioná-lo, e por último, a esposa e o filho foram abraçá-lo. Foi um momento único e histórico na F1, fazendo Felipe Massa chorar como nunca havia chorado em público, numa falha tentativa de tentar conter a enorme emoção e todos os pensamentos que lhe passavam sobre sua mente.

Lewis Hamilton venceu, Rosberg chegou na P2 e Verstappen na P3. O campeonato, oficialmente, terminará em duas semanas em Abu Dhabi. Entretanto, considero o campeonato com encerrado; Rosberg será confirmado como campeão, com muitos méritos. Nada contra o GP que oficialmente encerra a temporada, mas Interlagos, pelo menos enquanto tiver no calendário da categoria, será eternamente o GP derradeiro de todas as temporadas da F1, pois todos os elementos de desafio e decisão para os pilotos estarão naquele sagrado local do automobilismo mundial. Por isso, Interlagos nunca pode deixar a F1.

Obrigado, Felipe Massa.